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A banda conversou com o iG Gente sobre seu som e swing próprios que tem se desenvolvido desde o início da carreira

Desde 2014, "Liniker e os Caramelows" vem trazendo ao mundo todo o seu "lacre" e "caramelância". As expressões são usadas constantemente pela banda para identificar o estilo único que elxs (que colocam o x como forma de neutralidade de gênero nos pronomes) utilizam em seu som e no palco. Para o iG Gente , Rafael Barone (baixista) e Liniker Barros (vocalista) falaram sobre as origens da banda e as impressões que vem causando no público.

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Liniker e os Caramelows vão entrar em estúdio para gravar o primeiro álbum da banda
Leila Penteado
Liniker e os Caramelows vão entrar em estúdio para gravar o primeiro álbum da banda

"'Caramelows' vem da ideia de algo doce e grudento, que derrete aos poucos, como nosso som", explica Rafael sobre o nome da banda. "Foi muito natural como chegamos até este nome, é uma palavra que tem movimento, swing e é a nossa cara."

A banda se reuniu em Araraquara (interior de SP), quando Liniker voltou para a cidade após ter se mudado para Santo André para estudar teatro. Tendo Nina Simone e Nana Vasconcellos como inspirações, Liniker vem de uma família ligada a música e, mesmo gostando da área teatral, acabou se voltando para as origens e seguindo a carreira de cantor. 

Uma característica forte no artista de 20 anos é o seu visual e sua identidade não-binária. Liniker afirma que não se importa com pronomes pelos quais é chamado ou para identidade de gênero, apenas veste o que o deixa confortável sem deixar de ser quem é. Ele conta que, quando pequeno, sempre achou lindo ver sua mãe se vestindo e que a encarava como modelo, mas evitava a hostilidade que poderia enfrentar na cidade. "Mas ela sempre me apoiou e se estava comigo, tudo bem".

Mesmo já completando dois anos de vida, a banda tem apenas um EP lançado, chamado "Cru", com três músicas de autoria própria que tiveram um alcance e uma aceitação quase que imediata do público. Após considerar estratégias de divulgação, o material da banda logo virou hit de visualizações no YouTube e o grupo passou a receber convites para shows e entrevistas. 

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Além do público "virtual", a banda também surpreendeu as pessoas mais próximas. "Os amigos, a galera do meio musical e os parentes nos davam feedbacks. O pessoal nem sabia que estávamos trabalhando nisso e eu lembro que ficaram impressionados, vieram elogiar para caramba, perguntando de onde surgiu", contou Rafael.

Liniker Barros saiu de Araraquara para estudar teatro, mas foi lá que os Caramelows surgiram
Leila Penteado
Liniker Barros saiu de Araraquara para estudar teatro, mas foi lá que os Caramelows surgiram

Os movimentos LGBT e queer são fortes no público deles, e Liniker ressalta a importância desse ativismo na sociedade. "Eles ajudam a empoderar e dar visibilidade às pessoas que precisam disso. É importante se sentir parte de algo, ver que tem mais pessoas ali como você, querendo as mesmas coisas que você e fazendo tudo isso junto."

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Quanto ao cenário político atual do nosso país, Rafael vê a situação como um "processo de transição muito acelerado e, consequentemente, violento" mas, ainda assim, afirma enxergar tudo de uma forma muito positiva. "Eu vejo tudo isso como uma reação de direita, de um pessoal mais conservador, que tem uma dificuldade maior em aceitar esse ponto de virada na nossa sociedade, como um todo. Mas estamos lutando por isso e para frente é que nós vamos."

A banda teve uma agenda de shows lotada nos últimos meses e a próxima apresentação será no festival Granja, em Ribeirão Preto(SP) no domingo (5). Assista ao clipe: