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Em cartaz em São Paulo com a peça "Histeria", o ator afirma que a cultura sempre foi espezinhada no Brasil

Pedro Paulo Rangel está mais uma vez no teatro, seu local de atuação preferido. E agora, interpreta ninguém menos que Sigmund Freud  na peça "Histeria", ao lado de Cássio Scapin . O texto, dirigido por Jô Soares , trata do encontro entre Freud e o pintor espanhol Salvador Dalí . Em entrevista ao iG, o ator fala sobre a peça e a polêmica sobre o Ministério da Cultura – que foi extinto e recriado pelo Governo Temer.

Pedro Paulo Rangel:
TV Globo / Gianne Carvalho
Pedro Paulo Rangel: "Você veste uma roupa, um personagem. "Não acho que seja diferente de fazer só porque é Freud"

Espetáculo

Originalmente, Rangel havia sido convidado para interpretar o personagem do ator Milton Levy , no entanto, não pode aceitar, pois estava gravando o seriado "A Prata da Casa", que será exibido pela FOX após as Olímpiadas. Após um tempo, foi chamado novamente, dessa vez para o papel do psicanalista. "Acho que era meu destino estar nesse palco", comemora.

O ator diz não ver diferença entre interpretar uma figura histórica e outro tipo de papel: "Não acho que seja diferente de fazer só porque é Freud. Você veste uma roupa, uma personagem. É claro que ele carrega toda uma carga, uma percentagem da plateia sabe quem foi Freud, outra não. Então tanto faz, eu não vou representar só para o pessoal que sabe que foi Freud".

Pedro Paulo Rangel e Raphael Viana na novela
TV Globo/João Miguel Junior
Pedro Paulo Rangel e Raphael Viana na novela "Amor Eterno Amor", a última de Rangel na Globo

Ele conta que foi chamado para o papel 15 dias antes da estreia. "A peça tem 200 páginas, eu fiz dez ensaios, não tive tempo para pesquisar nada. Então mesmo que acreditasse nessa história de laboratório, já passei da idade, não faço mais isso. Uma coisa que a vida me ensinou é que você tem que juntar a técnica, a emoção, e daí você consegue descobrir um caminho", explica. Ser dirigido por Jô também foi "enriquecedor".

"Esse encontro (entre Freud e Dalí) realmente aconteceu, mas eles não chegaram a conversar, então não se entenderam. O que o autor conseguiu foi muito interessante, porque é um contraponto entre a cabeça do Freud e a loucura do Dalí. São duas mentes conflitantes e esse conflito aparece em cena muito bem resolvido. A peça tem momentos de humor completamente louco e de raciocínio freudiano, é muito interessante".

Televisão

Pedro Paulo e Gloria Pires em cena da novela
TV Globo / Renato Rocha Miranda
Pedro Paulo e Gloria Pires em cena da novela "Belíssima" (2006)

Muito presente no teatro, Pedro Paulo é, nas palavras dele, um "freela" na televisão – sua última novela foi "Amor, Eterno Amor", em 2012. "A televisão foi uma coisa necessária durante certo tempo da minha vida, fiquei 40 anos na Globo. Mas chegou uma hora que eu cansei. Teatro é muito melhor. Estou próximo de fazer 70 anos, acho que agora quero fazer o que gosto, mereço um descanso. Fiz muita coisa boa na TV, e outras que não gostei tanto assim. Então eu optei por não renovar o meu vínculo, quando me convidarem, vou optar se quero fazer ou não".

Ministério da Cultura

A equipe da peça Histeria. O diretor Jô Soares no centro e Pedro Paulo Rangel à sua direita
AgNews
A equipe da peça Histeria. O diretor Jô Soares no centro e Pedro Paulo Rangel à sua direita

Sobre a polêmica extinção do Ministério da Cultura (que ainda não havia sido reestabelecido pelo presidente interino Michel Temer quando a entrevista foi realizada), Pedro Paulo apresentou uma visão um pouco diferente da exposta por parte da classe artística.

"Quando isso tudo começou era o Ministério da Educação e Cultura, depois desmembrou e agora voltou ao que era. Eu acho que tudo é a mesma coisa, um nome, um selo, um carimbo, não quer dizer nada. A cultura com o MinC foi muito pouco valorizada, a cultura é espezinhada, sempre foi. Não acredito em nada. Fora todo mundo!”, protesta.