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Em um momento que estrelas de cinema valem menos que franquias baseadas em HQs e livros infanto-juvenis, Clooney preserva a essência dos astros de antigamente e em "Jogo do Dinheiro" ele deixa bem claro como

Faz menos de um mês que George Clooney completou 55 anos. O ator, que neste fim de semana retorna aos cinemas brasileiros com “Jogo do Dinheiro”, não dá pistas de que vá deixar a posição de maior astro da Hollywood atual tão cedo.  No novo filme, Clooney empresta seu charme e sofisticação a Lee Gates , um guru do mundo das finanças que comanda um programa televisivo com dicas de investimento.

George Clooney é orientado por Jodie Foster no set de
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George Clooney é orientado por Jodie Foster no set de "Jogo do Dinheiro"

Gates é mais um dos personagens de vaidade aguda e grande arrogância que Clooney encarna tão bem. Há quem acredite que o ator só viva variações de si mesmo no cinema. O pré-candidato à presidência dos EUA de “Tudo Pelo Poder” e o advogado que age nos bastidores para livrar poderosos de enrascadas de “Conduta de Risco” são os parentes mais próximos do Lee Gates de “Jogo do Dinheiro”. São homens à vontade com certa promiscuidade em suas linhas de atuação e Clooney é habilidoso ao pintar o retrato desses homens ressaltando características que as pessoas tomam como suas.

Crítica: “Jogo do Dinheiro” tem show de George Clooney e crítica à especulação financeira

Mais do que ser um ator inteligente, Clooney já se provou um artista completo. É o único ser humano vivo a já ter concorrido em seis categorias distintas no Oscar. Diretor, produtor e roteirista talentoso, Clooney também é um ativista. Sua consciência política inspira admirações.

Outro dia, a revista People listou razões para que ele lance candidatura à presidência dos EUA em 2020. Mas George Clooney, outrora solteirão convicto e hoje devotado a sua esposa Amal Alamuddin Clooney , não quer ser Kanye West . Mesmo assim, não se furta a participar da vida política dos EUA. No último festival de Cannes, onde exibiu “Jogo do Dinheiro” fora de competição, ergueu-se taxativo contra Donald Trump , pré-candidato do Partido Republicano à Casa Branca, dizendo que “o medo não vencerá”. Na ocasião, criticou até mesmo à imprensa que, na avaliação dele, não problematiza a disputa eleitoral nos EUA como deveria.

A atuação discutível da imprensa, com alguns segmentos, principalmente na televisão e na internet, mais propensos ao entretenimento, é, inclusive, um dos principais tópicos de “Jogo do Dinheiro”. O que leva ao outro aspecto notável da carreira que Clooney constrói no cinema. Seu ativismo se estende à filmografia. É claro que Clonney faz filmes apenas para entreter, mas ele se preocupa em legitimar filmes sérios e dar fôlego para filmes menores.

Cartaz do filme
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Cartaz do filme

Seu Oscar, como ator coadjuvante, veio por um desses filmes. O pequeno “Syriana – A Indústria do Petróleo” (2005), que abordava as relações pouco éticas entre petrolíferas e forças políticas internacionais. No mesmo ano, Clooney ofertou, ainda, “Boa Noite e Boa Sorte”, sua estreia como diretor. O filme, que tratava tanto do Macarthismo como do jornalismo, concorreu a seis Oscars.

Revelado na série “E.R”, no Brasil também conhecida como “Plantão Médico”, Clooney foi um astro tardio. Estrelou o primeiro blockbuster da DreamWorks (“O Pacificador”), estúdio criado por Steven Spielberg em 1997, e aos poucos foi consolidando seu status de astro hollywoodiano. Com o estrelato assegurado, começou a eleger trabalhos menos comerciais e mais afinados a seu gosto como artista. Houve alguns erros, como a refilmagem de “Solaris” (2002) e o recente “Caçadores de Obras-Primas” (2014), mas os acertos são maioria.

Ele já foi comparado a Cary Grant , um dos maiores expoentes da era de ouro de Hollywood, mas a verdade é que Clooney já excedeu comparações. Ele é um dos poucos astros em Hollywood que pode fazer o filme que quiser e com quem quiser em um momento de retração no prestígio das estrelas de cinema. E muitos ainda o querem presidindo os EUA.