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Com referências que vão agradar fãs que vêm das HQs, filme aposta na grandiloquência, mas falha na construção do vilão

Mutantes e Bryan Singer são, de certa maneira, responsáveis pelo gênero mais rentável que Hollywood ostenta na atualidade: o filme de super-herói. “X-men: Apocalipse”, lançado 16 anos depois do primeiro “X-men” fecha a segunda trilogia mutante no cinema com pompa, grandiloquência, nostalgia, diversos personagens e alguns equívocos.

Novo filme da franquia mutante estreia nesta quinta-feira (19)
Divulgação
Novo filme da franquia mutante estreia nesta quinta-feira (19)

Seguindo a lógica iniciada com “Primeira Classe”, de 2011, o filme abraça o ar retrô e se ambienta na década de 80. Mais precisamente dez anos depois dos eventos mostrados em “Dias de um Futuro Esquecido” (2014). A humanidade se acostuma com a ideia de convivência pacífica com mutantes enquanto Eric Lehnsherr , o temido Magneto ( Michael Fassbender ) é caçado para responder por seus crimes. A escola de Charles Xavier ( James McAvoy ) para superdotados continua recebendo novas matrículas e tudo parece alinhado demais para ser verdade.

No meio de toda essa paz, surge Apocalipse ( Oscar Isaac ), considerado o primeiro mutante de todos os tempos, ele volta após um longo período adormecido e está disposto a reconstruir o mundo e acabar com o que chama de “falsos deuses”.

Apocalipse se incumbe de recrutar seus quatro cavaleiros e os eleitos são Tempestade ( Alexandra Shipp ), Arcanjo ( Ben Hardy ), Psylocke ( Olivia Munn ) e Magneto ( Michael Fassbender ). A nova ameaça faz com que os X-men, desativados pelos tempos de paz, improvisem uma nova formação.

Bryan Singer filma tudo com a sagacidade esperada de alguém que já comandou três filmes da franquia e que conta com um orçamento superior a US$ 150 milhões. Mas comete seus pecados. O excesso de personagens inegavelmente prejudica a trama, ainda que Singer consiga ser justo com todos eles, o todo resulta desarmonizado.

Não ajuda o vilão capenga. Oscar Isaac, que vive momento de ascendência na cultura pop com a participação em produções como “Star Wars: O Despertar da Força”, pouco tem a fazer. As motivações de seu Apocalipse são pobres e lembram a pior fase dos vilões de Bond. A voz, que deveria ser assustadora parece algo descartado pela também problemática caracterização do Bane de Tom Hardy em “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012).

O vilão Apocalipse é um dos pontos fracos do novo filme
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O vilão Apocalipse é um dos pontos fracos do novo filme

O conflito central, promovido pela chegada de Apocalipse, também parece superado. No fim das contas, a exemplo do que já havia acontecido com “Dias de um Futuro Esquecido”, Singer repisa temas e dilemas maravilhosamente abordados por Matthew Vaughn em “Primeira Classe”. Contra este novo filme pesa, ainda, o fato de não ter o hype de promover o encontro entre as duas gerações de x-men no cinema. Singer ainda repete a piada envolvendo o Mercúrio ( Evan Peters ), em escala maior aqui, mas é muito pouco para um filme que pretende ir além do entretenimento pontual.

Divertido, movimentado e cheio de referências para levar os fãs mais hardcore ao delírio, “X-men: Apocalipse” fecha a nova trilogia sem muito brilho, mas com luz própria. Para a franquia baseada em HQs mais longeva do cinema e que não dá pistas de aposentadoria no futuro próximo, é algo para se comemorar.