Tamanho do texto

Produção que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (21) instiga público a refletir sobre a atuação da Justiça

O cinema brasileiro está se afeiçoando ao filme de gênero e “Em Nome da Lei” é um belo exemplar desse cinema para adulto ver que tanto costumamos elogiar no vizinho Argentina.

Divulgação
"Em Nome da Lei" propõe um olhar sobre como a lei pode ser usada para postergar ou até mesmo adiar a atuação da Justiça

Dirigido por Sérgio Rezende (“Salve Geral”), a produção coloca Mateus Solano na pele de um jovem juiz federal com um ideal de justiça muito pouco experimentado em circunstâncias adversas. Ao chegar a uma remota cidade do Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai, ele se incumbe de combater o tráfego de drogas com a obstinação e celeridade que todos nós desejamos da Justiça. Acontece que a teoria, como já professa o ditado popular, na prática é outra.

A despeito da resistência aos métodos despachados do novo juiz verificados no Ministério Público, aqui encarnado na figura da atriz Paolla Oliveira como a promotora Alice, e da Polícia Federal, personificada no agente vivido por Eduardo Galvão , o magistrado encontra um antagonista à altura em matéria de coragem, inventividade e teimosia na figura de “El Hombre”, vivido com energia bruta por Chico Diaz . É ele quem comanda toda sistemática do tráfico na região e, até a chegada de Vitor, mantinha-se fora do alcance da Justiça valendo-se da entranhada teia de corrupção tão conhecida em terras brasileiras.

O filme de Rezende, estruturado como um bom thriller, além de entreter almeja fazer pensar. No quê? Na atuação do judiciário e nas camadas de renúncia, no campo físico, e no acúmulo, no campo institucional, que estão em jogo quando a questão é a aplicação da lei. Nesse contexto, é uma discussão que o cinema nacional já beliscou sob outras óticas, como nos bem sucedidos “Tropa de Elite”. Aqui, é atuação da Justiça, mais especificamente na instrução do processo penal (a condução do processo propriamente dito com suas restrições e eventuais exageros) que estão sob escrutínio. O filme é feliz em oferecer este olhar em um momento de grande consternação pública com os rumos da Operação Lava Jato, que investiga escândalos de corrupção envolvendo políticos, empresas privadas e contratos com a administração pública e empresas públicas.

Rezende, acertadamente, não derroga a avaliação que o público constrói a partir do que vê na tela. Seu filme não pretende ofertar respostas, apenas inquietar-nos com perguntas; e elas são sutis. Carece um olhar calejado para ir além do bom entretenimento que “Em Nome da Lei” proporciona.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.