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Banda americana fez na noite desta quinta-feira (17) a sua quinta de sete apresentações em terras brasileiras

Setlist da banda estava repleta de hits como
Reprodução/Twitter Hugo Gloss
Setlist da banda estava repleta de hits como "Payphone", "This Love", "Sunday Morning" e outras

Se nas últimas passagens do Maroon 5 pelo Brasil, Adam Levine fez questão de ter a simpatia como marca registrada — em 2012, ele pegou uma camisa do Neymar de um fã e vestiu outra pedindo para que fosse o pai dos filhos de alguém na maior boa vontade —, dessa desta vez ele deixou a desejar.

A primeira interação com o público veio apenas entre a 6ª e a 7ª músicas (em um setlist com apenas 16) com um protocolar “Boa noite, nós somos o Maroon 5 e é ótimo ver vocês”. Ao início de “Love Somebody”, Levine arriscou um “obrigado”.

Duas músicas mais tarde, com o hit “Sunday Morning”, o vocalista gastou mais alguns minutos com um “boa noite” em português e apresentando o resto da banda. Ao final da música, agradeceu os desejos de feliz aniversário — Levine completa 37 anos nesta sexta-feira (18) — e afirmou que de todos, os fãs brasileiros são os melhores do mundo.

Mas a interação parou por aí. Sem falar sobre os dois shows esgotados, sem arriscar mais no português e sem piadinhas. O Adam Levine de 2012 parece não ter vindo na turnê.

Talvez, para quem nunca tenha presenciado a banda ao vivo, a simpatia — ou falta de — não tenha sido tão perceptível, mas Adam deixou outra coisa no passado que não é tão fácil de esconder: a voz.

Os agudos e gritinhos continuam lá, é óbvio. Mas desde a abertura com “Animals” é possível perceber que o vocalista perdeu muito de sua potência vocal nos últimos anos.

A diferença ficou clara em “Lost Stars”, primeira música do bis. Logo nas primeiras notas, Levine desafinou e, por diversas vezes, teve a sorte de ser abafado pelo coro da platéia, que gritou todas as músicas do set a plenos pulmões.

Ao lado de Levine, quem não perdeu a força foi sua banda. Jesse Carmichael, PJ Morton, Matt Flynn, Mickey Madden, Sam Farrar e o notável James Valentine , segundo integrante preferido dos fãs e guitarrista de mão cheia. Durante a noite, o guitarrista teve seus momentos de glória com solos suficientes para mostrar que não está ali só para ser pano de fundo para Adam Levine.

Reciclagem

Outro ponto que incomodou os fãs desde o início da turnê na América do Sul foi a seleção de músicas. Logo após a primeira apresentação da banda em Monterrey no México em 26 de fevereiro, a setlist passou a ser motivo de discussão.

Banda fará outro show em São Paulo neste sábado (19), também no Allianz Parque
Divulgação
Banda fará outro show em São Paulo neste sábado (19), também no Allianz Parque

Primeiro, eram apenas 16 músicas. O set, com todos os seus floreios, pausas e interações mal dura uma hora e meia.

Além disso, “Lost Stars” não estava lá. Teve protesto na internet, pedido no show seguinte e muito barulho até que a banda abriu mão e adicionou de vez a música do filme “Mesmo Se Nada Der Certo” em sua lista oficial, já que, mesmo tendo sido lançado em 2013, os fãs da América do Sul ainda não tinham tido a chance de ver Adam Levine cantá-la ao vivo.

A Paulista é aqui

Era perceptível que, caso a data fosse outra, boa parte do público do show teria outro lugar para estar. Alguns vestiam camisas da seleção brasileira de futebol, outros já eram mais ostensivos com seus adesivos "Fora Dilma". Uma espectadora chegou a culpar a presidente por alguma confusão em que se envolveu enquanto entrava no estádio.

Apesar de diversificada, a maioria da plateia era de adultos de classe média e alta. Inflamados, puxaram diversas vezes um coro de "Ei, Dilma, vai tomar no c*", normalmente em sequência a uma ola meio bagunçada, mas aplaudida como se a banda estivesse entrando no palco.

As distrações, inclusive, foram muitas durante o próprio show. Muitas das pessoas, em sua maioria muito bem arrumadas e com aparência de quem poderia estar indo para algum evento logo em seguida, preferiam as selfies de costas para o palco do que Adam Levine bem ali na frente.

O comportamento costuma ser típico de quem está no show mais pela diversão do que por amor à banda — esses costumam estar espremidos na grade após horas a fio na fila sem sequer ter espaço para pensar em uma selfie.

Veja abaixo um trechinho do show:

Segura o Allianz INTEIRO cantando Animals junto! Corre pro snap que fizemos cobertura do show INTEIRO! @maroon5br

Um vídeo publicado por Maroon 5 Brasil (@maroon5br) em