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Em meio a debate sobre diversidade no Oscar, um cineasta mexicano pode vencer prêmio de direção pelo 3º ano seguido; o diretor de "O Regresso" flerta com a glória no domingo (28)

Apenas um dos diretores indicados ao Oscar de melhor direção já venceu o prêmio anteriormente.  Trata-se do mexicano Alejandro González Iñárritu de “O Regresso”, que triunfou no ano passado pelo filme “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”, também consagrado o melhor filme do ano. E é justamente Iñárritu o favorito ao prêmio. O mexicano pode fazer história no próximo domingo (28), quando será realizada a cerimônia de entrega do Oscar. Ele pode ser o primeiro a vencer sequencialmente os Oscars de direção e filme. Jamais aconteceu em 88 anos de Oscar.

O diretor Alejandro González Iñárritu orienta Leonardo DiCaprio no set de
Divulgação
O diretor Alejandro González Iñárritu orienta Leonardo DiCaprio no set de "O Regresso"

Apenas dois diretores venceram dois Oscars de maneira seguida. Foram John Ford e Joseph L. Mankiewicz , mas eles não viram seus filmes prevalecerem nos dois anos. Por isso, o feito de Iñárritu, que rapidamente se tornou um dos cineastas mais queridos pela academia, pode ser tão grande. Se observarmos que o mexicano pode alcançar essa marca com apenas seis filmes no currículo (todos indicados ao Oscar), o maravilhamento torna-se maior ainda.

Ford tinha mais de 30 filmes e Mankiewicz já tinha nove créditos como diretor antes de sua primeira vitória no Oscar.

A favor de Iñárritu está o fato dele ter vencido o prêmio do sindicato dos diretores, o DGA na sigla em inglês. Foi a primeira vez que um cineasta ganhou o DGA de maneira consecutiva.Trata-se do sindicato mais eficaz em antecipar os vencedores de sua categoria no Oscar. Apenas em 2013, quando Ben Affleck – que não fora indicado ao Oscar – venceu no DGA que o vencedor no Oscar foi diferente. Isso, nos últimos quinze anos.

Em “O Regresso”, Iñárritu faz um filme que se pretende uma experiência cinematográfica. A trama, no papel, é bem simples, mas a grandiloquência do registro, com sua cota de planos-sequência, luz natural e referências que vão ao encontro do bissexto Terrence Malick , avaliza um filme lindo de se assistir. É um filme de diretor, como se costuma chamar no jargão da crítica de cinema.  É um trabalho, portanto, digno do prêmio. Mas é o melhor da categoria?

Da esquerda para a direita, os diretores na disputa: George Miller,Lenny Abrahamson, Tom McCarthy, Adam McKay e Alejandro González Iñárritu
Montagem/Reprodução
Da esquerda para a direita, os diretores na disputa: George Miller,Lenny Abrahamson, Tom McCarthy, Adam McKay e Alejandro González Iñárritu

A resposta está em algum lugar entre Adam McKay , diretor de “A Grande Aposta” e George Miller , de “Mad Max: Estrada da Fúria”. O primeiro, egresso da comédia pastelão, consegue fazer do "economês" uma arma de entretenimento poderosa. A agilidade da narrativa de “A Grande Aposta” e a maneira como o filme vai ganhando o público aos poucos se deve em grande parte à boa mecânica da direção de McKay, a mais grata revelação da categoria e a escolha mais justa para o Oscar, em certo nível.

Já o septuagenário Miller recebe sua primeira indicação por um trabalho hercúleo comandando sets gigantes para um filme extremamente vibrante e alegórico das mazelas sociais. “Estrada da Fúria” foi o grande filme de 2015 e deixou suas digitais na cultura pop. O trabalho de Miller é tão esmero e pulsante que um Oscar praticamente se impõe. Mas as coisas nem sempre se desenrolam como manda o figurino.

O australiano George Miller orienta Tom Hardy no set de
Divulgação
O australiano George Miller orienta Tom Hardy no set de "Mad Max: Estrada da Fúria"

Tom McCarthy pelo eficiente e digno trabalho realizado em “Spotlight – Segredos Revelados” é outro candidato. Sua vitória seria, talvez, a única imerecida porque ele não agrega exatamente nada ao filme, apenas faz bem o básico.

Diferente do último competidor, Lenny Abrahamson por “O Quarto de Jack”. A surpresa da categoria, muitos criam em Steven Spielberg por “Ponte dos Espiões” ou Ridley Scott por “Perdido em Marte”, faz um trabalho primoroso em “O Quarto de Jack”, filme que muda radicalmente de estrutura sem perder o ritmo ou a força. Sua inclusão na categoria, porém, já é percebida como uma vitória.

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