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Cinco dos oito concorrentes a melhor filme compartilham deste mote e deixam claro que tema mexeu com a cabeça dos votantes do Oscar. Prêmio será entregue neste domingo (28)

É muito comum tentarmos identificar qual o tema predominante do ano no Oscar. Olhando de fora, tudo parece girar em torno do debate da diversidade, ou da falta dela, entre os indicados ao maior prêmio do cinema. Mas e os filmes em disputa? Existe um tema em comum entre eles? Obviamente que não há equivalência temática entre todos os indicados ao Oscar de melhor filme, mas observando com atenção é possível perceber a sobrevivência como um tópico comum entre alguns dos principais candidatos.

Cena de
Divulgação
Cena de "O Regresso": Leonardo DiCaprio vive epopeia da sobrevivência no filme que lidera a corrida pelo Oscar

É indiscutível que “O Regresso” é um filme sobre vingança. Rodado com grandiloquência e grande senso de estética por Alejandro González Iñárritu , o filme mostra, também, a batalha de um homem para se manter vivo. Fomentado pelo desejo de vingar-se do homem que lhe fizera mal irreparável, o personagem defendido por Leonardo DiCaprio vence grandes provações físicas para garantir uma improvável sobrevivência.

Nada mais improvável, porém, do que sobreviver em Marte com recursos escassos. É esse o milagre que o personagem de Matt Damon opera em “Perdido em Marte”, ficção científica indicada em sete categorias no Oscar, inclusive melhor filme. O astronauta, esquecido pela tripulação de uma missão da Nasa no planeta vermelho, precisa fazer uso de todos os seus conhecimentos como botânico para potencializar os escassos recursos que dispõe na base da agência espacial para sobreviver até que seja possível uma equipe de resgate alcançá-lo.

Alcance parece ser a palavra-chave de “Mad Max: Estrada da Fúria”, que, para os padrões da academia, é um candidato para lá de incomum ao Oscar de melhor filme. Feminista, o filme trata em seu eixo central da luta de um punhado de mulheres para fugir da opressão masculina encarnada na figura do vilão Immortan Joe. A luta pela sobrevivência delas esbarra com a luta do protagonista, capturado para ser uma bolsa de sangue viva, para fugir e manter-se vivo. A perseguição que nunca termina em “Estrada da Fúria” é a metáfora definitiva da contínua luta pela sobrevivência arregimentada por essa ficção científica casca-grossa.

Cena de
Reprodução
Cena de "Mad Max: Estrada da Fúria": espetáculo da sobrevivência

Em comum, além desse subtexto da sobrevivência, os três filmes têm em comum o fato de serem espetáculos visuais para serem apreciados no cinema. Muita em virtude disso, além de figurarem nas principais categorias, estão indicados a prêmios técnicos como efeitos especiais, montagem, entre outros.

Na ala independente do Oscar também é possível enxergar esse recorte da sobrevivência. Em “O Quarto de Jack”, o paralelo é mais óbvio. A jovem sequestrada e mantida em cativeiro faz de tudo para manter seu filho o mais afastado possível da noção de terror que ela vive diariamente. Fora do cativeiro, mãe e filho precisam aprender a viver na nova realidade e a sobreviver às sequelas do trauma.

Já em “Brooklin”, uma jovem irlandesa sem grandes expectativas para seu futuro parte para os EUA com a esperança de construir uma vida mais grata.

De uma forma ou de outra, esses filmes celebram a mais primal de todas as batalhas humanas: a sobrevivência. É nosso primeiro instinto e, pode ser apenas coincidência, o Oscar resolveu destacar essas obras tão diferentes, mas harmônicas de um jeito muito peculiar, na seleção dos melhores filmes do ano.

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