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Anthony Hopkins volta a apresentar boa atuação na pele de um médium envolvido em um caso de serial killer

“Presságios de um Crime” pertence àquela estirpe de filmes que se sustentam pela engenhosidade do roteiro, burilado por reviravoltas e segredos que alimentam o interesse do espectador pelo que vai se descobrindo na tela. Não à toa, o escolhido pelos produtores para dirigir o filme foi o brasileiro Afonso Poyart , que fez maravilhas em seu filme de estreia, “Dois Coelhos” (2012), que tinha uma lógica narrativa muito semelhante.

Colin Farrell e Anthony Hopkins em cena do filme
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Colin Farrell e Anthony Hopkins em cena do filme "Presságios de um Crime", que estreia nesta quinta-feira (25) nos cinemas brasileiros

No filme, dois detetives investigam um intrincado caso de serial Killer. As vítimas, aparentemente não guardam nenhuma relação o que faz crer que a motivação do assassino seja meramente casual, algo improvável se considerado o rigor de suas cenas de crime. O veterano investigador Joe ( Jeffrey Dean Morgan ), à revelia de sua parceira, a psicóloga forense Katherine ( AbbieCornish ), decide pedir a ajuda de um médium que já lhe ajudara em outros casos do passado.

John Clancy ( Anthony Hopkins ) hesita em colaborar no caso, mas acaba cedendo.

Apesar das reviravoltas na trama, “Presságios de um Crime” tem uma estrutura dramática bem convencional. O primeiro ato do filme apresenta os personagens e instiga o público com flashforwards circunscritos à paranormalidade de Clancy. O segundo ato, o melhor do filme, se ocupa da investigação propriamente dita. Quando Clancy e os investigadores adquirem consciência da complexidade do caso e do assassino que perseguem. O terceiro ato, em termos já insinuado nos trailers do filme, quando a caçada ao assassino tem o seu clímax, é o mais frágil de todos. Nada, no entanto, que comprometa a boa impressão que o filme causa.

A opção por não manter a identidade do assassino em segredo, o que seria, de fato, uma besteira já que o material promocional destaca a presença do ator Colin Farrell , se mostra acertada. Isso porque existe uma conexão entre o assassino e Clancy que provoca o espectador a mergulhar em uma interessante reflexão. Trata-se de um subtexto que dá um brilho a mais a um thriller policial que já seria suficientemente satisfatório sem ele.

Cena de
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Cena de "Presságios de um Crime"

Estabelece-se uma discussão sobre o valor da vida – e da morte – sob um prisma inusitado, e justamente por isso, reverberante.

Se Anthony Hopkins não volta a seus dias de glória, sai-se muito bem ao preencher seu personagem do misto de frustração e agonia de alguém pouco à vontade com seu “dom”. Hopkins sempre foi muito eficiente em tangenciar personagens solitários, mas há muito não dispunha de um material dramático à altura de seu talento.  

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