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Shows do grupo de Mick Jagger no Brasil são a chance perfeita para os fãs se despedirem da banda e quem nunca assistiu os Stones ao vivo ver a história diante dos olhos

Depois de 10 anos do histórico show na praia de Copacabana, os Rolling Stones estão de volta ao Brasil para o que pode ser a última passagem do grupo pelo País. A turnê começou nesse sábado (20) no Estádio do Maracanã , no Rio de Janeiro, e continua por São Paulo e Porto Alegre até o começo de março.

Depois de tocar no Maracanã, os Rolling Stones ainda fazem shows em São Paulo e em Porto Alegre
Reprodução
Depois de tocar no Maracanã, os Rolling Stones ainda fazem shows em São Paulo e em Porto Alegre

A nova tour dos britânicos é uma chance de ouro para que adolescentes que acabaram de conhecer o rock'n'roll vejam ao vivo uma das bandas mais influentes da história da música – algo que eles nunca puderam fazer com outros nomes clássicos, como Beatles , Nirvana e David Bowie – e para que aqueles que ouvem Mick Jagger e Keith Richards desde a época original do vinil matem as saudades deles. Mais do que isso, é um registro da história viva do rock e da música.

Talvez os Stones não sejam tão cultuados quanto os Beatles, seus contemporâneos britânicos da década de 1960, mas sua influência na música é inegável. Muitos defendem, aliás, que o grupo de Mick Jagger era a antítese do quarteto de Liverpool.

De fato, as influências das duas bandas eram diferentes: enquanto os Stones curtiam o blues de Muddy Waters, o Fab Four ouvia Buddy Holly and the Crickets. A única semelhança era Chuck Berry, um dos pais do rock.

O que mais chama atenção na vasta carreira dos Rolling Stones é a mistura de estilos e influências. Em seus 29 álbuns de estúdio, tem espaço para tudo: desde o rock ao reggae, passando pelo country, blues, folk e dance music. A discografia da banda tem músicas mais explosivas como " Paint It Black " e outras mais cadenciadas como " Sympathy For The Devil " – e a maioria vira clássicos.

Outra coisa que tornou os Roling Stones uma das maiores bandas da história foi Mick Jagger. O vocalista e suas danças sempre foram a alma do grupo, mas foi sua voz que colocou os britânicos num patamar mais elevado. Para Steven Van Zandt , Jagger mudou para sempre a história do rock. "A aceitação da voz dele no rádio mudou o rock. Ele abriu as portas para todo mundo, e de repente Eric Burdon e Van Morrison não soavam tão estranhos mais", escreveu o cantor americano em uma edição comemorativa da revista "Rolling Stone".

A banda não mudou só a música, mas também a cultura e a sociedade nos últimos 50 anos. Na segunda metade do século XX, os Rolling Stones se posicionaram contra a Guerra do Vietnã , influenciaram jovens a deixar os cabelos compridos e estimularam a liberdade. Talvez quem vá aos shows no Brasil nos próximos dias não compactue com essa total liberdade e até aceite que o Ultraje a Rigor abra uma das apresentações, mas o sexo e as drogas foram parte de toda a carreira da banda – e os músicos nunca fizeram a menor questão de esconder isso.

Hoje, com 54 anos de estrada, os Rolling Stones vivem um momento completamente diferente de sua carreira. A banda não lança nenhum disco inédito desde "A Bigger Bang", de 2005, e agora vive excursionando para celebrar seu legado na música, matar as saudades de quem cresceu tentando imitar as danças de Mick Jagger e mostrar a quem nunca teve a chance de ver a banda ao vivo de onde vêm as influências de boa parte das bandas de rock contemporâneas.

Rolling Stones no Brasil
São Paulo
Quando: 24 e 27 de fevereiro, às 21h
Onde: Estádio do Morumbi (Praça Roberto Gomes Pedrosa, 1 – Morumbi)
Quanto: de R$ 130 a R$ 900

Porto Alegre
Quando: 2 de março
Onde: Estádio Beira-Rio (Av. Padre Cacique, 891 - Praia de Belas)
Quanto: de R$ 175 a R$ 900

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