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Em entrevista exclusiva ao iG, a atriz falou sobre beleza, seus 50 anos de carreira e disse o que pensa sobre a Lei Rouanet

A atriz Françoise Forton tem motivos de sobra para comemorar. Com 58 anos de vida, ela está comemorando 50 anos de carreira, com vários sucessos na TV, no cinema e no teatro. Em entrevista exclusiva ao iG , ela falou sobre sua trajetória, os atuais padrões de beleza, e claro, sobre arte.

Françoise Forton
Reprodução/Divulgação
Françoise Forton

Ela comentou a recente polêmica sobre a biografia da cantora Claudia Leitte , que conseguiu financiamento de R$ 356 mil por meio da Lei Rouanet. Depois de diversas críticas, a cantora acabou abandonando o projeto. “Eu acho que a gente precisa tomar muito cuidado com o que pode ou deve ser feito com a Lei Rouanet”, declara Françoise.

“Não tenho nada contra a Claudia Leitte, mas acho que tem coisas culturais que devem ser feitas, nosso cartão postal é a cultura. O jovem precisa da cultura para saber a sua história, isso precisa da Lei Rouanet. Outras coisas podem acontecer de outra forma”, continua.

Comemoração

Para coroar sua longa carreira, a atriz estreou o espetáculo “Estúpido Cupido”, que já teve uma temporada no Rio e estreia em São Paulo no dia 27 deste mês. A peça ficará em cartaz durante um mês na capital paulista.

A obra é baseada na telenovela “Estúpido Cupido” (1976), de autoria de Mário Prata , na qual a própria Françoise interpretava a protagonista Tetê, que sonhava em se tornar Miss Brasil. O espetáculo, no entanto, apenas flerta com o texto original, trazendo novos dramas e um enredo original, que é encenado em forma de musical.

Na peça, Tetê vai a uma reunião com antigos colegas e acaba reencontrando uma antiga paixão, Teddy ( Luciano Szafir ). Porém, para sua surpresa, ele vem acompanhado da namorada Danielly ( Carla Diaz ), de apenas 21 anos, gerando um conflito entre o passado e o presente.

Françoise Forton em cena do espetáculo
iG São Paulo
Françoise Forton em cena do espetáculo "Estúpido Cupido"

Françoise revela que não desejava representar a personagem original, que foi sua primeira protagonista na TV: “Não queria fazer de forma alguma. Eu achava que eu não tinha corpo para miss, eu achava que eu ia viver de teatro. Estava um pouco assustada”. No entanto, ela diz que ficou feliz com o trabalho e que fez vários amigos.

Para viver a nova versão de Tetê, Françoise conta que se inspirou nos tempos atuais e que partiu do princípio de que hoje o mundo se move muito rapidamente. “Hoje a vida, e os sentimentos talvez, são muito rápidos. Se fala: 'Nossa, a internet está lenta'. Não tinha internet, graças a Deus tem internet. Os sentimentos estão assim, você se apaixona e pode deixar de se apaixonar em dois dias. Acho que ela [Tetê] virou esta mulher, ela vai se decepcionando, ela vai achando que tudo é isso e aí ela fala: ‘Ué, então o que sobrou?’”.

Padrões de beleza

Françoise Forton foi uma das participantes da
Carol Caminha/TV Globo
Françoise Forton foi uma das participantes da "Dança dos Famosos" de 2015

Cheia de disposição, Françoise afirma que os 50 anos de profissão não têm peso nenhum sobre ela, que além de cantar e dançar na peça, ainda participou da "Dança dos Famosos" no ano passado. “De cabeça, de vontade, eu continuo na mesma dinâmica. Estou em um momento muito bacana, muito feliz, estou gravando um seriado para a Fox que é uma comédia. Queria muito vir para São Paulo com a peça, então ter essa possibilidade me deixou muito elétrica. Eu acho importante que isso [a carreira] tenha existido, acho que eu continuo fazendo essa história. Meu maior prêmio foi ter podido atingir as pessoas da minha idade que se identificaram com a possibilidade de uma pessoa ter ido lá e feito isso”, relata.

“Estúpido Cupido” fala sobre os conflitos entre o passado e presente. Dentro dessa dinâmica, existe o debate sobre os novos padrões de beleza e estética. Para a atriz, é preciso ser cauteloso: “Eu acho que temos muito essa questão de ser muito magrinha, de ser muito modelo. Isso é um pouco preocupante e veio muito à tona entre os jovens. Acho que a pessoa tem que se aceitar, seja a idade que for”.

Ao falar sobre plásticas, Françoise é categórica: “Acho uma loucura, chega uma hora que a pessoa perde a identidade. Acho que sim: 'Vamos ser vaidosos, vamos ficar bem, mas não perder a identidade e virar um ser que não é nada'. Eu acho muito bonito quando a pessoa envelhece, conta uma história. Não precisa virar outro ser”.

Confira uma prévia do espetáculo "Estúpido Cupido": 


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