Tamanho do texto

"Presságios de um Crime", que estreia nesta quinta-feira (25), marca a estreia de Afonso Poyart em Hollywood. Em entrevista ao iG, ele falou sobre a experiência e revela querer mais

É sempre uma grande comemoração quando um brasileiro vinga em Hollywood. Foi assim, em diferentes escalas, com Sônia Braga , Fernando Meirelles , Rodrigo Santoro , Alice Braga , Walter Salles e Wagner Moura . O talentoso Afonso Poyart talvez não capitalize tanto na celebridade, mas seu talento já o colocou por cima logo no início da carreira.

O diretor brasileiro Afonso Poyart nos sets de
Divulgação
O diretor brasileiro Afonso Poyart nos sets de "Presságios de um Crime"

Uma das principais estreias desta quinta-feira (25) nos cinemas brasileiros, “Presságios de um Crime”, marca a estreia desse paulista de Santos em Hollywood. O filme é estrelado por astros como Anthony Hopkins , Colin Farrell , Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish .

Em conversa com o iG , o diretor falou dessa experiência de debutar em Hollywood logo em seu segundo longa-metragem. “O ‘2 Coelhos’ foi na unha. Produzimos da maneira que conseguimos. Não foi fácil tirar o filme do papel. Ninguém queria produzir”, revela o cineasta egresso da publicidade. “A gente levou o filme para Sundance e lá um cara, que hoje é meu manager nos Estados Unidos, me abordou e disse: ‘ cara, você tem que vir para os EUA! Vamos fazer filme!’”.

O Colin (Farrell) é um cara disponível pra caramba. Muito legal. Adorei trabalhar com ele"

Poyart não compartilha dessa visão de que Hollywood é refratária aos estrangeiros. “Eles tem muito interesse em talento internacional”. Mesmo assim, compreensivelmente, sentiu-se como quem pisa em ovos quando surgiu o convite para dirigir “Presságios de um Crime”. “Quando eu entrei no projeto, já havia muitos rewritres (versões do roteiro) e o Tony (Anthony Hopkins). Eu não sabia o quanto eu podia mexer”.

Em “2 Coelhos”, ele dirigira Alessandra Negrini e Caco Ciocler e agora assumiria um filme estrelado pelo icônico intérprete de Hannibal Lecter . “Eu acho que ele está muito bem no filme”, avalia Poyart quando lembrado pela reportagem que Hopkins não protagonizava um filme há algum tempo. O último, sob pesada maquiagem, fora “Hitchcock” (2012). “Ele sabe que é um filme importante para a carreira dele. Tem um material dramático forte para ele trabalhar. Outro dia ele me ligou, gostou bastante do resultado e eu fiquei feliz com isso”.

Afonso Poyart e Caco Ciocler em locação do filme
Divulgação
Afonso Poyart e Caco Ciocler em locação do filme "2 Coelhos": talento e perspicácia

Mas no começo, Poyart e o astro se estranharam. “O Hopkins foi difícil no início. Ele é um cara muito mais experiente do que eu. Sabe? Era aquela coisa de astro mesmo... Ele questionava tudo e tinha umas rusgas com os produtores também”, revela Poyart. “Aos poucos a gente foi se acertando. A gente, inclusive, está na mesma agência (de representação em Hollywood). Mas foi um processo complexo”.

O filme dentro do filme

“Presságios de um Crime” é um thriller policial. Uma história de detetive temperada com elementos de paranormalidade. O personagem de Hopkins, John Clancy , é acionado pelos investigadores vividos por Morgan e Cornish quando estes se encontram empacados em um caso de serial killer. A estrutura do filme logo se apressa em criar uma polarização entre o assassino, vivido por Farrell, e o personagem de Hopkins e é na natureza desse conflito que Poyart faz o seu filme. “Essa é a grande temática”, observa o cineasta. “Como thriller policial ele não é inovador. Isso já foi feito antes. Meu olhar estava muito mais ligado nesse subtexto e à história de redenção do personagem de Hopkins”.  Para Poyart, a questão moral levantada pelo terceiro ato, realmente polêmica, é o aspecto que distingue seu filme. “Para mim, sempre foi um drama, mas a formatação comercial é de um thriller criminal”.

Anthony Hopkins em cena de
Divulgação
Anthony Hopkins em cena de "Presságios de um Crime": relação tumultuada

Poyart, que diz que “a metodologia de fazer cinema industrial” não o seduz, gostou tanto da experiência de fazer filme americano que já está lendo roteiros para definir qual será o próximo projeto. Certo é que será nos EUA. Antes, virá o lançamento da cinebiografia do lutador de MMA José Aldo . A ideia era lançar o filme em janeiro, mas a derrota de Aldo para o irlandês Connor McGregor no UFC 194 fez a distribuidora desistir da ideia de acelerar o lançamento. Foi um alívio para Poyart. “O filme ainda não está pronto”. O lançamento agora está previsto para o fim de maio.

Antes, porém, as energias estão focadas no lançamento de “Presságios de um Crime” no Brasil. “Estou orgulhoso do filme. Feliz com essa vivência”, admite Poyart que exalta a experiência de trabalhar com atores do primeiro time de Hollywood. “São atores que demandam que você chegue chegando. Eles vão te questionar mesmo, mas isso é muito bom para a qualidade do seu trabalho”.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.