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"Antes o Tempo Não Acaba" teve cinco minutos de aplausos após o fim da sessão. Filme compete na mostra "Panorama"

O Berlinale teve uma programação e debates específicos sobre “Indiginous Cinema”, os filmes com temáticas indígenas. Acredito que tenham acertado em cheio! Neste ano, tem um filme indicado ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro chamado “ O Abraço da Serpente” - que infelizmente não deu tempo de assistir, mas já está na minha lista, mesmo porque o meu próximo projeto também é sobre este universo. 

Cena do filme brasileiro
Divulgação
Cena do filme brasileiro "Antes o Tempo Não Acabava", exibido no festival de Berlim

Optei por assistir “Antes o tempo não acabava”, representante brasileiro na temática indígena que concorre na mostra “Panorama”. O filme mostra uma realidade pouco conhecida para quem mora em São Paulo, nos grandes centros e longe da cultura indígena. Diferentemente de outros longas que apenas mostram o índio no seu ambiente tribal, este fala sobre inclusão de um indígena na sociedade do “ homem branco”.

A temática é muito boa e levanta a questão se os índios realmente gostam do ambiente urbano, já que deixam o estilo de vida e seus costumes para ter uma vida considerada medíocre na cidade. Sinceramente, esta premissa é excelente e precisa ser apresentada para o povo brasileiro e para o mundo. Daqueles filmes que fazem a gente pensar!

Porém, alguns detalhes me incomodaram bastante e tem a ver mais com a estrutura do roteiro e escolhas na direção. Algumas cenas que não adicionavam em quase nada na narrativa deixaram uma parte do segundo ato cansativa. Notei algumas pessoas saindo no meio da sessão, incluindo um crítico de Hollywood que estava ao meu lado.

Por outro lado, a preparação do personagem principal (Anderson) realmente me chamou muito a atenção. Ele conduziu muito bem o personagem e, com certeza, o trabalho da preparadora de elenco Rita Carelli fez diferença no processo. A exibição aconteceu em uma sala bem clássica e enorme ZOO PALAST e que estava lotada. Ao final do filme, pelo menos 5 minutos de aplausos.

E a boa impressão continuou durante um brevíssimo Q&A (Perguntas e Respostas). Estou torcendo para que fechem uma boa distribuição para que as pessoas tenham a oportunidade de conhecer este outro lado – incrível – do indígena.

The Train Station

E, para meu orgulho, ansiedade e alegria, vou falar um pouquinho também sobre a exibição "The Train Station" no BIFF. Certamente foi um dia muito especial na minha vida. Entrei no Babylon Theater e vi que estava lotado, a sala sold out... Isso, claro, me deixou com grandes expectativas para o que ainda estava (e está) por vir.

Cena do filme
Divulgação
Cena do filme "Antes o Tempo Não Acabava" que estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim

Ao meu lado, sentaram-se mais quatro dos 40 diretores que também fazem parte do Collab Feature. Como falei anteriormente, nos conhecemos pela internet, fizemos um filme conversando e trocando informações online e nos encontramos, pessoalmente, em Berlim, após 5 anos de trabalho. Essa noite já era histórica para nosso grupo.

Após a exibição, tivemos um Q&A incrível que durou cerca de 20 minutos. O público ficou bem curioso sobre como fizemos esta ideia maluca funcionar. Este papo se estendeu por mais duas horas em um bar em frente ao cinema. Sim, transformamos as “Perguntas e Respostas” em um happy hour com um público ávido por informações, inovações e muita criatividade. Por mais louco que parece, ainda levamos tudo isso para o hangout. Foi demais ter uma recepção positiva e calorosa, além do contato direto com o público. Coisas que só um Festival assim faz por você...

*Rafael Yoshida será correspondente do iG no Festival de Berlim e irá analisar os filmes e o clima de um dos eventos mais importantes do cinema.

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