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Famosa por papel em "House", atriz está na nova série da HBO produzida por Mick Jagger e Martin Scorsese

Olivia Wilde está de volta à TV em " Vinyl ", série que estreou na HBO Brasil no último domingo (14). Mas sua participação na produção foi ameaçada logo nas primeiras cenas – pelo menos para a atriz.

Olivia Wilde interpreta Devon, a esposa do protagonista Richie Finestra (Bobby Cannavale) em
Divulgação/HBO
Olivia Wilde interpreta Devon, a esposa do protagonista Richie Finestra (Bobby Cannavale) em "Vinyl"

Logo na gravação do piloto, a intérprete de Devon Finestra resolveu improvisar em uma cena e deu uma cusparada inesperada em Bobby Cannavale , que vive o protagonista Richie Finestra. "O Marty [ Martin Scorsese , diretor da série] gritou “corta”, e ficou aquele silêncio insuportável. Eu achei que ia ser demitida", confessou. Mas a reação do cineasta foi a melhor possível. "Ele saiu de trás do monitor e disse: 'agora ela é alguém'", continuou.

Ambientada na Nova York da década de 1970, a nova aposta da HBO também é produzida por Mick Jagger remonta a história do rock nos Estados Unidos e mostra como eram as relações entre bandas e gravadoras. "Eu não sabia nada sobre o funcionamento da indústria da música. Eu não tinha a menor ideia dos subornos nem de como as gravadoras prejudicavam os artistas", explicou a atriz, famosa por participar de "House".

Na entrevista abaixo, Olivia Wilde fala sobre as gravações de "Vinyl" e o trabalho com Mick Jagger. "Eu fico cheia de medo quando ele está por perto", admitiu.

iG: A Devon é uma personagem fantástica – o que mais a atraiu para interpretá-la?
Olivia Wilde:  Ela é realmente uma colaboração entre mim, o Terry, o Bobby e o Marty [Terry Winter, Bobby Cannavale e Martin Scorsese], porque ela não ficou como começou. Quando eu li o roteiro eu achei ótimo, mas pensei que podíamos fazer algo mais com ela. E nós acrescentamos pequenos elementos ao piloto – não havia muito tempo, mas nós acrescentamos algumas coisas – e como a série foi em frente todo mundo queria ter certeza de que a Devon seria tão fascinante quanto todos nós achávamos que ela deveria ser.

iG: Qual foi a cena mais marcante da Devon?
Olivia Wilde:  No piloto, quando ele [Richie Finestra] desrespeita uma promessa que fez a Devon. Eu sabia que tínhamos que mostrar que a Devon estava furiosa de verdade. Eu não contei para ninguém que eu ia cuspir nele, e na hora em que aconteceu a cena acabou. O Marty gritou “corta”, e ficou aquele silêncio insuportável. Eu achei que ia ser demitida. Teria sido muito fácil me cortar naquele momento, nós tínhamos acabado de começar. Mas aí o Marty saiu de trás do monitor e disse: “agora ela é alguém”. Eu fiquei arrepiada porque nesse tipo de set você pode ter uma ideia e todo mundo vai apoiar, pelo menos até experimentar. E continuou assim a temporada toda.

iG: O que você sabia sobre a Nova York dos anos 70?
Olivia Wilde:  Algo superficial. Eu achava que conhecia a música muito bem, eu achava que sabia muito sobre a história do rock, mas depois descobri que não sabia nada. E eu não sabia nada sobre o funcionamento da indústria da música. Eu não tinha a menor ideia dos subornos nem de como as gravadoras prejudicavam os artistas. É parecido com muita coisa que acontece nesse setor hoje, mas muita coisa era controlada pelos DJs. Você vê como as pessoas tiravam vantagem disso – para mim, a história do Lester no piloto é a mais devastadora.

i G: O Mick Jagger foi útil para mostrar como as coisas realmente eram?
Olivia Wilde:  Foi. Eu acho que é por isso que a série é tão verdadeira, porque eles não eram só os três produtores, dois deles foram grandes responsáveis por aquela cultura. É ótimo ter essa contribuição porque assim você pode dizer: será que nós estamos no caminho certo, estamos sendo honestos? Como tanto o Terry como o Marty cresceram em Nova York naquela época, foi genial ouvi-los dizendo “eu me lembro daquela época em que eu vivi naquele beco e costumavam aparecer corpos ali e…”. Isso nos ajudou a manter a autenticidade.

iG: É difícil ficar relaxada ao lado de Mick Jagger?
Olivia WIlde:  Eu fico cheia de medo quando ele está por perto. Às vezes, eu tento virar as costas e não dizer nada. Tudo que ele criou sempre foi muito importante para mim. Quando eu tinha 12 anos eu era obcecada pelos Rolling Stones, e aprendi sobre o blues com os Rolling Stones. Eu acho que as pessoas vão aprender muito com a série. É o que eu sempre digo: eu adoro a série não só porque é sexy, bem escrita e intensa, mas porque o que você aprende é fascinante. Eu me lembro de ver “Mad Men” e ficar muito interessada pelo negócio da publicidade, pelos acordos e pelos conceitos. Aconteceu a mesma coisa com “Família Soprano”, em que eu aprendi muito sobre a máfia.

A atriz ficou famosa por participar da série
Divulgação/HBO
A atriz ficou famosa por participar da série "House"

iG: Uma das coisas realmente interessantes é que de modo geral a Nova York do início dos anos 70 ficou marcada pela ideia de abandono e decadência. Mas ao mesmo tempo havia essa energia incrível. Você acha que talvez as duas coisas só pudessem ter acontecido juntas?
Olivia Wilde:  Eu acho que as coisas estão conectadas. Da grande miséria vem a grande arte. Quando as pessoas não têm dinheiro, os artistas podem viver lá e tocar. Agora o West Village não pode ser usado como o West Village da época porque não se parece mais com ele. Nós filmamos muito no Brooklyn. Mas as ruas do West Village que nós mostramos são no North Harlem.

iG: Quanto o figurino ajuda na composição do personagem? 
Olivia WIlde: Para todo mundo as roupas eram muito importantes. Para os homens, usar aqueles saltos mudava completamente a energia. Todos tinham uma altivez que eu acho que vinha do sapato. Eu tinha uma energia dos anos 70, mas eu estava sem dúvida influenciada pela série.