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Britânica venceu o Globo de Ouro e o Bafta, mas deve ver atriz de "A Garota Dinamarquesa" triunfar no Oscar

A categoria de atriz coadjuvante no Oscar está cercada de muita polêmica. Duas das concorrentes, inclusive a favorita Alicia Vikander , são protagonistas de seus filmes que tiveram a candidatura para a categoria empurrada por produtores que vislumbravam maiores chances de indicação –e vitória – dessa maneira. A manobra colou e trabalhos coadjuvantes de verdade deixaram de ser reconhecidos pelo Oscar.

Da esquerda para a direita: Alicia Vikander, Rachel McAdams, Rooney Mara, Kate Winslet e Jennifer Jason Leigh
Montagem/Reprodução
Da esquerda para a direita: Alicia Vikander, Rachel McAdams, Rooney Mara, Kate Winslet e Jennifer Jason Leigh

De toda forma, Alicia Vikander e Rooney Mara estão excelentes e merecem o afago da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

A primeira, sueca que aconteceu em Hollywood no ano de 2015, é a favorita absoluta por “A Garota Dinamarquesa”. Vikander  domina todas as cenas com uma personagem que se revela um ser humano incrível ao apoiar a decisão do marido de mudar de sexo. A força e a fragilidade da personagem são condensadas pela atriz em uma atuação cheia de detalhes.

Já Rooney Mara divide a cena com Cate Blanchett em “Carol”. Apesar de ter ganho o prêmio de melhor atriz em Cannes, os produtores acharam por bem em submetê-la na categoria de coadjuvante para não correr o risco de uma das atrizes ficar de fora do Oscar. Deu certo e as duas foram indicadas. Mas Mara é tão protagonista quanto Blanchett. É ela quem constrói a figura romântica de Carol (Blanchett) que a audiência conhece.

É a segunda indicação de Rooney Mara que já disputara o Oscar por “Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres” (2011).

Mara é todo arrebatamento. Inocente, curiosa e sem amarras, a atriz faz com que sua Therese seja a justificação para o público da exposição que Carol subitamente resolve viver no filme que emoldura uma história de amor lésbico nos EUA dos anos 50.

Jennifer Jason Leigh , que foi resgatada do ostracismo que vivia por Quentin Tarantino, está nauseante de boa em “Os Oito Odiados” e seria a favorita se Vikander não estivesse na categoria. A atriz realça a brutalidade da sua personagem, uma criminosa que tenta se livrar da forca na lábia e no achaque, com imaginação e histeria. Uma atuação digna de um filme de Tarantino.

A excelente Kate Winslet está de volta pela sétima vez à disputa precedida pelas vitórias no Globo de Ouro e no Bafta. Por “Steve Jobs”, a inglesa aparece pela terceira vez na categoria. Já concorrera aqui por “Razão e Sensibilidade” (1996) e “Iris” (2001).

Ela venceu o Oscar de melhor atriz por “O Leitor” em 2009.

A sueca Alicia Vikander deve ganhar o Oscar por
Divulgação
A sueca Alicia Vikander deve ganhar o Oscar por "A Garota Dinamarquesa"

Por último há Rachel McAdams , por “Spotlight – Segredos Revelados”, a atriz com desempenho mais modesto entre as indicadas. Adams, que despontou como uma das meninas malvadas do filme homônimo estrelado por Lindsay Lohan , foi lapidando sua carreira com papéis mais sérios e acabou nomeada aqui pela força do elenco e pela correção de sua interpretação.

Apesar de Winslet rivalizar em número de prêmios satélites do Oscar com Vikander, parece improvável que “Steve Jobs” renda o segundo Oscar à britânica. Primeiro porque ela já esteve muito melhor do que no filme de Danny Boyle ; segundo porque a categoria tem o histórico de prestigiar jovens atrizes.  Ou seja, Vikander tem os deuses do Oscar jogando a seu favor.

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