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Jovem, Jennifer Lawrence já ostenta bagagem de atriz consagrada enquanto Cate Blanchett disputa seu sétimo Oscar

A exemplo do que acontece na corrida pelo Oscar de melhor ator , a categoria de melhor atriz já parece definida. A americana Brie Larson , de 26 anos, deve vencer pelo papel da mãe coragem que faz o possível para amenizar a experiência terrível do filho em um cativeiro no belo “O Quarto de Jack” , que estreia nesta quinta-feira (18) nos cinemas brasileiros.

Da esquerda para a direita: Brie Larson, Saoirse Ronan, Charlotte Rampling, Jennifer Lawrence e Cate Blanchett
Montagem/Reprodução
Da esquerda para a direita: Brie Larson, Saoirse Ronan, Charlotte Rampling, Jennifer Lawrence e Cate Blanchett

Larson foi vitoriosa em praticamente todos os prêmios satélites do Oscar (Globo de Ouro, SAG e Critic´s Choice Awards). A seu favor, joga o fato de que a categoria, em seu retrospecto recente, costuma premiar atrizes jovens. Que o diga Jennifer Lawrence , que aos 25 anos surge pela quarta vez no Oscar – já venceu em 2013 por “O Lado Bom da Vida” – e pela terceira vez na categoria com o filme “Joy – O Nome do Sucesso” .

Além de Lawrence, Cate Blanchett é outra oscarizada na categoria. A australiana que concorre pelo trabalho em “ Carol” já triunfou como atriz coadjuvante por “O Aviador” , em 2005, e como atriz por “Blue Jasmine” , em 2014. Blanchett alcança sua sétima indicação ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Por viver uma imigrante irlandesa nos EUA em “Brooklin” , a americana Saoirse Ronan , de 21 anos, disputa seu segundo Oscar.  Ela concorreu em 2008, quando tinha apenas 13 anos, como coadjuvante pelo filme “Desejo e Reparação” .

Mais velha entre as indicadas, a inglesa Charlotte Rampling conquista aos 70 anos sua primeira nomeação pelo trabalho sutil em “45 Anos” , em que faz uma mulher sombreada pelo fantasma de uma relação passada do marido.

Brie Larson, em cena de
Divulgação
Brie Larson, em cena de "O Quarto de Jack", deve ser eleita a melhor atriz do ano no próximo Oscar

A configuração da categoria, com duas debutantes no Oscar, mantém o histórico da premiação que costuma prestigiar atrizes consagradas, novos talentos e grandes atrizes estrangeiras. A francesa Emmanuelle Riva e a inglesa Helen Mirren são exemplos recentes.

A vitória de Larson, no entanto, começou a ser construída no festival de Toronto, onde o filme “O Quarto de Jack”, a produção mais barata entre as indicadas a melhor filme, sagrou-se vencedor pelo voto do público. A atriz empresta seu talento a uma personagem amável, de coragem absurda e cuja identificação rompe qualquer fronteira.

Jennifer Lawrence, por seu turno, nesses tempos de empoderamento feminino usufruiu de todo o seu star power para entrar na lista com Joy Mangano , uma empreendedora que desafiou os ditames de uma sociedade patriarcal nos EUA dos anos 90 para fazer sucesso. O filme não ajuda e Jennifer deve sua presença aqui à falta de disposição dos acadêmicos de olharem para as atuações do ano com mais imaginação e liberdade.

Ronan é uma grande atriz, mas seu filme é muito discreto. Se Larson não tivesse tanto hype em torno de sua atuação, ela poderia ser uma ameaça real. Mas a indicação deve, sim, fazer maravilhas pelo futuro da atriz.

Saoirse Ronan em cena de
Divulgação
Saoirse Ronan em cena de "Brooklyn": atuação elogiada no festival de Sundance em 2015 teve força para chegar ao Oscar um ano depois

A veterana Rampling poderia até ter ferido suas chances de vitória pela atrapalhada declaração que deu sobre a polêmica de racismo no Oscar , mas suas chances já não eram lá muito animadoras.

Sua atuação pelo que se convenciona chamar de filme de arte é totalmente atípica em prêmios como o Oscar e sua presença na lista é mais um sintoma das mudanças, de estilo e dinâmica, engendradas no interior da academia. Nada que possa resultar em uma surpresa no dia 28 de fevereiro.

Por último, Cate Blanchett está divina em “Carol”. Há de se argumentar que Blanchett está sempre divina e o Oscar bem sabe disso. Justamente por isso, após seu triunfo recente por “Blue Jasmine”, a atriz faz figuração de luxo na categoria. Meryl Streep levou trinta anos para faturar seu terceiro Oscar e é Meryl Streep. Por mais que todos amem Cate Blanchett, para o bem ou para o mal, ela ainda não é Meryl Streep.

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