
A cobertura eleitoral da CNN Brasil mostrou que jornalismo ao vivo também pode ter ritmo. Sem abrir mão da informação, a emissora apostou em dinamismo, comentaristas com perfis diferentes, análises que se complementavam e uma condução capaz de acompanhar a velocidade da apuração enquanto as câmeras corriam integrando três estúdios. Havia grandeza e energia na apresentação, troca constante entre os profissionais e uma sensação de que os acontecimentos estavam sendo perseguidos em tempo real, não apenas narrados.
Na GloboNews, a impressão foi a oposta. A cobertura caminhou como um longo chá da tarde que atravessou a noite entre amigas. O excesso de uma condução robótica e estática, fria e gélida, transformou a transmissão em algo excessivamente engessado. Enquanto a CNN encostava o dedo nos telões, Dualibi fazia uma maratona de acessos ao seu notebook, enquanto Sadi solicitava números dos estados como quem pede para uma amiga abrir uma sacola de presente pra ver o que tem dentro.
O ambiente, também nção correspondeu. Enquanto a CNN trazia uma estética quente e empírica, a Globo News parecia fazer a contagem dos votos numa sala branca de hospital, sem cores, sem brilho, sem nada. As entradas seguiam um roteiro quase mecânico, a interação entre os jornalistas parecia calculada ao milímetro e a espontaneidade, elemento indispensável em uma cobertura eleitoral, dando lugar a uma solenidade que, em muitos momentos, esfriou a experiência de quem acompanhava a apuração. Natuza Nery, por exemplo, hora parecia estar presente, hora parecia ter se ausentado. Estava e não estava ao mesmo tempo no recinto.
Na Tv aberta, César Tralli, escalado para um dos momentos mais importantes da cobertura, acabou como nem começoo. Sua condução foi marcada por um sorriso constante e uma 'cara de pão doce', daquelas que o público todo enxergava o objetivo: não transparecer aquela figura absolutamente nervosa da sabatina anterior. Não funcionou e Renata ficou altamenta sobrecarregada, como alguém que precisa de férias após aplicar sozinho todo vestibular.
No fim da noite, a comparação entre as duas emissoras revelou mais do que estilos diferentes de fazer televisão. Revelou que, em tempos de informação instantânea, não basta ter credibilidade: é preciso também ter ritmo, presença e capacidade de envolver o público. A CNN entendeu que uma cobertura eleitoral precisa acompanhar a velocidade da notícia.
A GloboNews, ao insistir em um formato excessivamente de 'comadres', deu a impressão de assistir aos acontecimentos jutno ao público em busca de informação, quando o telespectador esperava do canal, justamente, o ponto da informação.
Não há meias palavras: enquanto um agiu com a notícia, o outro fez uma apuração de chá da tarde. Ocorre que a sensação foi que ninguém resolveu ir ao chá da tarde, quando apenas três amigas compareceram. É preciso rever isso para o segundo turno. Os índices de audiência responderam sem titubear.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG