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Falta de trabalho e preconceito fizeram Nando Cunha atuar sem cachê

Ator comandou um painel sobre a presença dos negros no audiovisual durante o Festival de Cinema de Vassouras (RJ)

Foto: Reprodução/Instagram
Nando Cunha participou do Festival de Cinema de Vassouras, no Rio de Janeiro


Nando Cunha precisou trabalhar de graça, sem ganhar nenhum centavo de ajuda de custo, para conseguir quebrar as barreiras do preconceito e a falta de boas oportunidades para negros dentro do audiovisual. E isso aconteceu em um momento em que ele já era conhecido do grande público, com uma lista extensa de trabalhos na linha do humor da Globo.


"Eu tive que entrar no cinema arrombando as portas, porque a gente não consegue fazer isso apenas girando a maçaneta. Precisei pedir por trabalho porque não existiam convites. E quando surgiu, eu aceitei fazer sem ganhar cachê, porque eu queria entrar", disse ele durante o painel Negro no Audiovisual, durante o Festival de Cinema de Vassouras, no Rio de Janeiro.

O trabalho em questão é o curta-metragem Telentrega, no qual interpretou o personagem Elias. O filme foi apresentado no 45º Festival de Gramado e ele acabou premiado como melhor ator. No palco, emocionado, ele fez um discurso implorando para que o mercado desse mais atenção aos atores negros. E deu certo!

Com este prêmio, ele recebeu o convite para atuar no longa O Novelo, lançado em 2021. O filme também foi apresentado no 49º Festival de Gramado, no final do ano passado, e novamente ele faturou o Kikito de melhor ator.

Atualmente, Nando se dedica à gravação do filme Nosso Sonho, que contará a história de vida da dupla Claudinho e Buchecha. Os cantores são interpretados por Lucas Penteado e Juan Paiva, enquanto o veterano viverá o pai de Buchecha, Claudino de Souza, que morreu assassinado em 2010 após uma briga por cigarro.