Tamanho do texto

Filme nacional simula falso documentário para contar a vida de um sujeito que viveu 110 anos e viajou no tempo para que pudesse contar essa história

O que aconteceria se um documentarista pudesse viajar no tempo e colher depoimentos no calor dos acontecimentos? É esse o exercício de imaginação que propõe "Bio", escrito e dirigido por Carlos Gerbase, e que estreia nos cinemas neste final de semana.

Leia também: Shazam é o o sonho de super-herói de toda criança, diz Zachary Levi

a atriz Maria Fernanda Cândido
Divulgação
Maria Fernanda Cândido em cena de Bio

O protagonista do filme, que não aparece e não é nomeado, viveu 110 anos e colheu depoimentos de diversas pessoas que compartilharam em algum momento de sua companhia ou rotina. "Bio" , portanto, organiza um falso documentário sobre essa figura ficcional com a premissa de apresentar um comentário sobre a complexidade humana.

A ideia é muito boa e o roteiro de Gerbase é inventivo, mas a execução é um tanto capenga. São quase duas horas de filme e 39 atores que assumem as personas, de mãe, pai, filha, neta, pupilo, amante, professor, entre outros. 

Marco Ricca , Maitê Proença, Maria Fernanda Cândido, Werner Schünemann, Rosanne Mulholland, Tainá Müller e Sheron Menezzes são alguns dos principais nomes do elenco. 

O documentário começa em 1959 com entrevistas com o pai e a mãe do protagonista e o ginecologista da segunda e termina em 2070 com descendentes do protagonista falando sobre o próprio documentário. Durante essa viagem, transformações sociais, tecnológicas e culturais se dão e são expressadas por meio desses depoimentos.

Leia também: Intensidade de Joaquin Phoenix é maior destaque do 1º trailer de "Coringa"

O ator Marco Ricca
Divulgação
Marco Ricca em cena de Bio

O esgarçamento da ideia, que talvez rendesse um bom curta-metragem, torna a experiência repetitiva e tediosa. Não ajuda o fato de Carlos Garbese , responsável pelos bons "Tolerância" (2000) e "Sal de Prata" (2005), intuir o desinteresse de seu espectador e optar por explicar em demasiado seu filme.

"Bio" vale pela proposta curiosa e por representar uma experiência cênica rara no audiovisual brasileiro, mas não é um filme que satisfaça intectual ou emocionalmente quem se predispuser a assiti-lo.