Roberta Nuñez

Grifes favoritas dos famosos vão além do luxo e da ostentação

Renan Bastos, referência no mercado de luxo, explica por que relógios de grife podem ser usados como garantia de crédito

Renan Bastos explica por que algumas peças de luxo podem representar mais do que status no pulso.
Foto: Acervo Pessoal / Divulgação
Renan Bastos explica por que algumas peças de luxo podem representar mais do que status no pulso.

Nos pulsos de jogadores, cantores, influenciadores e outras celebridades, relógios de luxo costumam chamar atenção pelos valores e pela exclusividade. Rolex, Patek Philippe e Audemars Piguet, no entanto, podem representar mais do que símbolos de status: determinadas peças também são aceitas como garantia em operações de crédito.

Nos Estados Unidos, empresas especializadas já trabalham com esse modelo. No Brasil, a Caixa Econômica Federal também prevê relógios de marcas reconhecidas entre os bens que podem passar por avaliação em operações de penhor.

Mas o que faz uma peça associada ao universo dos famosos ganhar valor também fora do pulso?

Ser caro não é suficiente
Segundo Renan Bastos , especialista no mercado internacional de relógios de luxo e CEO da RC Crown, um dos principais fatores é a liquidez. Ou seja, a possibilidade de encontrar compradores para determinada referência com relativa facilidade.

“Quanto mais fácil é saber quanto determinada referência está sendo negociada e quantos compradores existem para ela, mais simples fica estimar sua liquidez”, explica.

Modelos como Rolex Daytona, Submariner e GMT-Master II, além de determinadas referências do Patek Philippe Nautilus e do Audemars Piguet Royal Oak, possuem mercados secundários internacionais ativos.

Nessas operações, fatores como estado de conservação, originalidade, documentação e procura pelo modelo também podem interferir na avaliação.

Do objeto de desejo ao patrimônio
A lógica é relativamente simples: a peça passa por avaliação e fica sob custódia durante o período do crédito. Depois da quitação, retorna ao proprietário. Caso a dívida não seja paga, existe a possibilidade de o relógio ser vendido.

Isso não significa, porém, que qualquer relógio caro tenha o mesmo potencial.

Para Renan, o valor de etiqueta não basta para transformar uma peça em um bem de alta liquidez. É necessário existir demanda real e referências de preço que permitam estimar quanto o mercado está disposto a pagar.

Assim, algumas das grifes que se tornaram símbolos de desejo e ostentação no universo das celebridades também ganharam outra dimensão: determinadas peças podem representar um patrimônio capaz de ser convertido temporariamente em crédito.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG