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Ator, que começou no circo e aconteceu nos anos 2000, subvertia o tipo galã que vivia nas novelas com um trabalho cada vez mais ousado no cinema

Ele era reservado no trato com a imprensa. Afável e generoso com seus colegas de trabalho, conforme pontuaram variados artistas como Camila Pitanga , Ingrid Guimarães, Caco Ciocler, Nanda Costa, Naura Schneider, entre outros. Indubitavelmente, o traço da personalidade que mais se destacava em Domingos Montagner era sua timidez. Algo que ele canalizava com extrema energia para seu trabalho. Como ator, especializou-se no tipo galã romântico e sedutor, que subverteu completamente em um de seus últimos lançamentos no cinema, o drama  “Vidas Partidas”.

Domingos Montagner desapareceu no Rio São Francisco
Divulgação/TV Globo
Domingos Montagner desapareceu no Rio São Francisco

A reportagem do iG teve a oportunidade de entrevistá-lo duas vezes e de vê-lo interagir com seus colegas nas gravações do filme “Um Namorado para minha Mulher” , que atualmente está nos cinemas. Domingos Montagner , que começou no circo, jamais ostentou aquela famosa e controvertida aura de astro intocável. A morte, aos 54 anos, após desaparecer no rio São Francisco em um intervalo das gravações da novela “Velho Chico” põe fim a uma carreira consistente de um ator que descobriu seu talento tardiamente.

+ Relembre a trajetória de Domingos Montagner, protagonista de "Velho Chico"

O ator Domingos Montagner como o presidente do Brasil em cena de
Divulgação
O ator Domingos Montagner como o presidente do Brasil em cena de "O Brado Retumbante"

O primeiro protagonista na televisão veio no início de 2012 com “O Brado Retumbante”, em que viveu o presidente do Brasil. Foi uma estreia marcante que o levou direto ao eixo central da novela das nove de Glória Perez “Salve Jorge”, exibida no mesmo ano. No teatro, já figurava como uma presença etérea desde 2011.

No cinema, uma paixão que entrou na sua vida no final da década passada, problematizou a persona que rapidamente construiu na televisão.  Somente em 2016 lançou três filmes, “De Onde te Vejo” , “Vidas Partidas” e “O Namorado da Minha Mulher”. Há, ainda, “O Rei das Manhãs” por lançar. Agora postumamente.  O filme, uma biografia do Bozo, era um projeto pelo qual Domingos alimentava grande carinho. Já que se tratava da biografia de um palhaço, talvez o mais famoso do Brasil, figura querida pelo ator.  

“O Corvo (personagem dele em ‘Um Namorado para Minha Mulher’) tem muito dessa arte circense que eu tanto amo. Por isso foi um prazer enorme fazer esse filme”, disse Montagner ao iG . “E tem esse outro filme que eu tô fazendo que é sobre o Bozo que também está sendo uma experiência deliciosa”, completou.

Em 2015, Montagner foi o protagonista de uma espetacular série policial brasileira baseada na obra “Uma Janela em Copacabana”, de Luiz Alfredo Garcia-Roza. “Romance Policial – Espinosa” teria uma segunda temporada no GNT, mas essa ideia provavelmente deve ser afastada.

No programa, ele fazia um delegado linha dura à frente da investigação de uma série de assassinatos de policiais no bairro que é cartão postal do Rio de Janeiro.

Esses trabalhos na TV paga e no cinema revelavam um ator muito mais intuitivo e visceral do que víamos na TV. O que era fascinante, já que não são todos os atores capazes de se divorciar de sua marca registrada quando ingressam no cinema.

Domingos Montagner em cena de
Paprica Fotografia / Divulgação GNT
Domingos Montagner em cena de "Romance Policial - Espinosa"

A morte trágica talvez afete a memória de Domingos Montagner. Mas é seu trabalho, rico, plural e que o tempo mostrará magnético, que o incensam como um dos maiores atores brasileiros de sua geração. Como atestam frequência e circunstância deste ano, o seu último em vida, na TV, no cinema e no teatro.

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