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Nos anos 90, a Globo deu continuidade a sua vasta produção de novelas, mantendo a liderança e incluindo cada vez mais temas sociais nas tramas

Novelas da Globo têm seus críticos, mas não há como negar o enorme poder que elas possuem de mexer com o imaginário e até mesmo com o cotidiano de muitos brasileiros. Diversas tramas da emissora carioca encantaram, tiraram o fôlego e mexeram com o público, marcando época e tomando um lugar na história do País. O autor Aguinaldo Silva, responsável por diversas obras de sucesso na teledramaturgia, já declarou em mais de uma ocasião que, no futuro, se quiserem conhecer a história do Brasil, não procurarão os livros, mas sim as telenovelas.

Novelas da Globo fizeram sucesso e incluiram cada vez mais temas sociais nas tramas
Montagem/Reprodução/Memória Globo/TV Globo
Novelas da Globo fizeram sucesso e incluiram cada vez mais temas sociais nas tramas

Nos anos 70 e 80, as novelas brasileiras passaram por uma série de transformações . Nos anos 90, agora com um formato mais consolidado, os folhetins começaram a incluir cada vez mais em suas histórias temas de relevância social e buscaram se aproximar ainda mais da sociedade brasileira da época. Relembre algumas das novelas da Globo mais importantes e emocionantes desse período:

Rainha da sucata (1990)

Tony Ramos e Regina Duarte em cena de
Nelson di Rago/TV Globo
Tony Ramos e Regina Duarte em cena de "Rainha da Sucata"

Estreia de Silvio de Abreu – hoje diretor de teledramaturgia da Globo – no horário nobre , “Rainha da Sucata” trouxe o humor para a novela mais assistida da emissora após os frequentes sucessos do autor às 19h. Apesar de ter ido bem na audiência, a trama teve o azar de estrear na época em que a novela " Pantanal ", da extinta TV Manchete, estava no auge de seu sucesso. No entanto, o folhetim teve a sorte de nunca competir diretamente com “Pantanal” nas batalhas por audiência.

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A novela contou a saga de Maria do Carmo ( Regina Duarte ), a “Rainha da Sucata”, que se tornou rica com seu ferro-velho e com sua casa de shows, a Sucata, localizada em um prédio na Avenida Paulista, em São Paulo. Ela sempre sentiu mágoa de Edu ( Tony Ramos ), por quem foi apaixonada quando jovem e que a humilhou. Sabendo dos problemas financeiros do rapaz, ela se aproxima dele e os dois se casam – uma vez que ele se sente atraído pela fortuna dela – mas ela enfrenta a ira de Laurinha ( Glória Menezes ), madrasta do rapaz que era secretamente apaixonada por ele e que fez de tudo para destruir sua rival.

A trama exibiu uma das cenas mais antológicas da teledramaturgia nacional: quando Laurinha se mata, atirando-se do alto de um prédio, e arma para que pareça na realidade ter se tratado de um assassinato orquestrado por Maria do Carmo. A atriz Aracy Balabanian também brilhou na pele da irreverente dona Armênia, sua personagem mais marcante até hoje. A repercussão foi tanta, que mais tarde o autor trouxe a personagem de volta em sua novela seguinte, “Deus Nos Acuda” (1992).

A novela também estreou na época que a diva do pop Mariah Carey surgia na cena musical e o seu hit “Vision of Love” foi incluído na trilha sonora da trama.

Mulheres de Areia (1993)

Glória Pires em
Reprodução/TV Globo
Glória Pires em "Mulheres de Areia"

Baseada na novela de sucesso da TV Tupi protagonizada por Eva Wilma em 1973, a Globo produziu uma nova versão da saga das gêmeas Ruth e Raquel, dessa vez com Glória Pires interpretando as gêmeas mais famosas não só das novelas da Globo, mas das novelas brasileira.

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Na trama, Ruth e Raquel se envolviam com o mesmo homem, Marcos ( Guilherme Fontes ). Ruth é verdadeiramente apaixonada por Marcos e Raquel só tem interesse em se aproveitar da fortuna do moço, sendo que ela e a irmã são de uma família muito humilde. Raquel acaba conseguindo se casar com Marcos, mas sofre um acidente no mar e é dada como morta. Ruth então assume a identidade da irmã gêmea para ficar ao lado do homem que ama. Porém, Raquel sobreviveu e faz de tudo para se vingar daquela que tomou o seu lugar.

Um dos grandes destaques da novela foi o personagem Tonho da Lua, interpretado por Marcos Frota , que tinha problemas mentais e sofria com as maldades de Raquel. O personagem se tornou o mais memorável de Marcos Frota. Glória Pires também deu um show de interpretação com suas Ruth e Raquel.

A Viagem (1994)

Antonio Fagundes e Christiane Torloni em
Reprodução/TV Globo
Antonio Fagundes e Christiane Torloni em "A Viagem"

Outro remake de uma trama clássica de Ivani Ribeiro exibida pela Tupi, “A Viagem” fez um sucesso estrondoso e é até hoje uma das novelas da Globo das 19h de maior repercussão. Da mesma forma que em “Mulheres de Areia”, a protagonista Diná foi interpretada pela atriz Eva Wilma. Na nova versão, quem defendeu (muito bem) a personagem foi Christiane Torloni .

A trama explorou a doutrina espiritista kardecista e contou a história de Alexandre ( Guilherme Fontes ), um homem amargurado e rebelde que decide assaltar um escritório para quitar uma dívida e ao ser flagrado acaba matando um homem. Alexandre é preso e seu irmão Raul ( Miguel Falabella ), o cunhado Téo ( Maurício Mattar ) e o criminalista Otávio Jordão ( Antonio Fagundes ) se empenham para coloca-lo na cadeia. Só a irmã mais velha de Alexandre, Diná, e a mãe do jovem, Maroca ( Yara Cortes ), o defendem. Alexandre é preso e comete suicídio na prisão. Chegando ao plano espiritual, ele é enviado ao Vale dos Suicidas, e de lá ele começa a influenciar eventos para se vingar de todos que ele acredita que o prejudicaram, exercendo energias negativas sobre pessoas e situações.

De acordo com o site “Memória Globo”, levantamentos mostraram que durante a exibição da novela as vendas de livros sobre espiritismo aumentaram em 50%, por conta da popularidade da trama. “A Viagem” também deu sorte em termos de produção, uma vez que um problema com a novela que entraria em seguida deixou a equipe com apenas 20 dias para produzi-la.

O Rei do Gado (1996)

Patricia Pillar em
Memória Globo/Reprodução
Patricia Pillar em "O Rei do Gado"

Benedito Ruy Barbosa  foi responsável por este emocionante sucesso das 21h, que cativou o público com sua narrativa e seus personagens impactantes.

Durante a Segunda Guerra Mundial, duas famílias rivais de origem italiana se enfrentam no interior de São Paulo. No entanto, apesar da ira de seus pais, Enrico Mezenga e Giovanna Berdinazzi se apaixonam e se casam. Dessa união, nasce Bruno ( Antonio Fagundes ), que com o passar dos anos se torna conhecido como o “rei do gado”, por conta de sua grande criação. A vida de Bruno começa a mudar quando ele conhece Luana ( Patricia Pillar ), uma moça de personalidade forte e com um passado misterioso. Ela é na verdade Marieta, filha perdida do irmão do velho Geremias ( Raul Cortez ), que também é irmão da mãe de Bruno, um homem rancoroso e amargurado. Ele começa a travar um conflito com o sobrinho por conta de uma disputa de terras. Geremias por sua vez é enganado pela golpista Rafaela (Glória Pires), que se faz passar por Marieta com o intuito de roubar a fortuna do fazendeiro.

A novela colocou em pauta uma série de temas que pularam da ficção e repercutiram na vida real. Uma delas foi a questão dos sem-terra, representados principalmente pelos personagens de Jackson Antunes e de Ana Beatriz Nogueira, e a reforma agrária. A questão da violência contra mulheres também foi abordada no núcleo da personagem de Silvia Pfeiffer , que era agredida por Ralf ( Oscar Magrini ). A novela ganhou diversos elogios por conta da direção e imagens caprichadas.

Por amor (1997)

Regina Duarte e Gabriela Duarte em
Nelson di Rago/TV Globo
Regina Duarte e Gabriela Duarte em "Por Amor"

Escrita por Manoel Carlos , esta novela fez parte da saga das “Helenas” – nome que o autor costumava a dar às protagonistas de suas novelas. “Por Amor” correu um risco de rejeição por conta do tema forte que integrava sua trama principal, mas acabou caindo no gosto do público e foi sucesso de audiência.

Helena ( Regina Duarte ) e sua filha Maria Eduarda ( Gabriela Duarte ) são o fio condutor da trama. Helena se apaixona pelo arquiteto Atílio (Antônio Fagundes), enquanto Maria Eduarda é casada com o sedutor Marcelo ( Fábio Assunção ). As duas acabam engravidando e tem seus respectivos filhos na mesma noite. No entanto, uma tragédia acontece e o filho de Eduarda morre pouco depois de nascer. Com medo do sofrimento que a filha terá de passar, Helena decide trocar os bebês, e com a ajuda do médico César ( Marcelo Serrado ), seu filho vivo e saudável troca de lugar com o filho morto de Eduarda. O tempo vai passando, mas Helena e Eduarda ainda sofrem por conta de Branca ( Susana Vieira ) – a mãe inescrupulosa de Marcelo, apaixonada por Atílio – e de Laura ( Vivianne Pasmanter ), jovem cruel e desconcertada que é obcecada por Marcelo.

Regina Duarte viveu pela segunda vez uma Helena do autor Maneco – ela já havia feito outra em “História de Amor” (1995). A novela incluiu diversos temas sociais em suas tramas, tratando de assuntos como preconceito racial e social, alcoolismo e bissexualidade. Manoel Carlos incluiu temas como estes em todas as suas outras novelas da Globo que vieram depois.

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Susana Vieira realizou uma das melhores interpretações de sua carreira e foi um dos grandes destaques do elenco com sua vilã cruel e preconceituosa Branca.

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