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Aos 59 anos, repórter da Record diz como descobriu a Síndrome de Machado-Joseph e a maneira que lida com a doença degenerativa

Arnaldo Duran, jornalista que passou por SBT,  Globo e há dez anos está na Record, contou a Gugu Liberato como vive com a Síndrome de Machado-Joseph, doença degenerativa hereditária que ataca o sistema nervoso e que, no mês passado, matou o ator  Guilherme Karan.

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Arnaldo Duran fala da doença degenerativa
Divulgação/Record
Arnaldo Duran fala da doença degenerativa


"Chorei muito na morte dele", confessa o jornalista de 59 anos, que descobriu ser portador da Síndrome de Machado-Joseph no ano passado. "Eu caí em casa e me levaram para o hospital. O médico desconfiou de eu cair tanto e falou com vários especialistas em neurologia. Fiquei internado uma semana". Arnaldo Duran já desconfiava que poderia estar com a doença. "Eu já sabia pelo meu histórico familiar: minha mãe, avó e tias, depois de uma certa idade, perderam a força nas pernas", explicou

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Arnaldo Duran diz qual foi sua reação ao receber o diagnóstico. "Chorei não por mim, mas por não ter compreendido minha avó, mãe e tias. Até então eu achava que elas faziam isso para chamar a atenção, por necessidade de carinho. Passei uma noite inteira sentado no sofá chorando. Eu tinha muito medo do sofrimento, de ficar entrevado sem condição nenhuma de falar".

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O passo seguinte foi contar para a família que é portador da Síndrome de Machado-Joseph. "Eu não tinha coragem de contar, mas meus dois filhos precisavam saber que também estavam sujeitos". Ele é pai de Graciele e Arnaldo.

Até agora, a diferença que Arnaldo Duran tem sentido é na fala. "A minha voz muda se fico emocionado. Dá aquele nó na garganta, não sai o som e, às vezes, troco palavras. Então preciso me concentrar, não posso deixar que a emoção tome conta de mim".

O jornalista sabe o que o espera, mas não pensa em se entregar à Síndrome de Machado-Joseph. "A vida segue normalmente, vou trabalhar até quando Deus quiser. Não tenho mais medo, tenho certeza que vou longe ainda. Enquanto eu tiver capacidade de falar e não me arrastar, eu vou trabalhar", garantiu Arnaldo Duran.

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