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Autora da próxima novela das 21h da Globo comenta atual momento do Brasil e fala sobre tolerância

Maria Adelaide Amaral  criticou o fim do Ministério da Cultura, que foi decretado pelo presidente interino Michel Temer, ao participar da coletiva de sua peça "Para Tão Longo Amor", que estreará no próximo dia 20, inaugurando o Teatro Morumbi Shopping, em São Paulo.

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Maria Adelaide Amaral:
Caio Duran / AgNews
Maria Adelaide Amaral: "O amor é nossa salvação"

"Acho um retrocesso. Eu sou totalmente a favor de enxugarem os ministérios, mas a extinção [do Ministério da Cultura] é horrível, é uma péssima intenção. Acho inclusive que o Ministério da Educação já tem problemas demais na área. Evidente que não vai sobrar nada para a Cultura", declarou a escritora, falando também sobre a atual configuração dos ministérios.

"Tem gente boa lá. Tem o  [ José ] Serra , mas o Serra não devia estar onde está. Ele devia estar no Ministério da Saúde, ele foi o melhor ministro da Saúde que já passou por esse País. Ele devia estar na Saúde ou na Educação. Ele seria um grande ministro da Educação".

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Maria Adelaide Amaral
Jair Magri/Divulgação
Maria Adelaide Amaral

A peça de Maria Adelaide tem como protagonistas Leopoldo Pacheco e Regiane Alves , e fala sobre os limites de um amor, tecendo a história do editor Fernando e da poetisa Raquel, mostrando a luta dele em continuar amando-a mesmo ela sendo seu oposto e rejeitá-lo frequentemente, além de parecer se esforçar em se destruir.

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Questionada pelo iG se o amor ainda possui espaço nestes tempos conturbados, onde a intolerância parece ganhar força, a autora responde: "O amor é a nossa salvação. É um absurdo amizades se romperem por causa de política. A gente tem que respeitar as diferenças, e todas as diferenças. Isso é o pressuposto da humanidade. Temos que pensar que vivemos em um democracia, e que o pressuposto da democracia é liberdade de opinião".

Ela também falou sobre tolerância e comparou o período atual com outras décadas: "Nunca coube na minha cabeça alguém discriminar o outro por ser homossexual. Com a graça de Deus eu tive a sorte de ter sido moça nos anos 60, de ter visto o 'Flower Power', a revolução feminista, de ter entrado nos anos 70 e começado a ver os homossexuais serem aceitos, saindo e se assumindo como tal. A tolerância nos anos 70 era muito maior. Claro que tínhamos um inimigo comum, que era a ditadura. Mas, não tinha essa coisa maluca que estamos assistindo hoje".

Ainda sobre o passado, a autora declarou: "Não havia terreno para os Malafaias  e  Bolsonaros da vida, para essa gentalha de quinta categoria, para esse cretino do Constantino que elabora uma lista e ainda publica", diz, referindo-se ao blogueiro que em uma lista sugeria que uma série de artistas fossem boicotados por apoiarem o governo.

Assista à declaração de Maria Adelaide: