Tamanho do texto

Com quase 1 bilhão de visualizações em seus vídeos, as irmãs conversaram com o iG durante passagem pelo Brasil

“Olá! Eu sou a Christina . Eu sou a Katherine . Eu sou a Lisa . Eu sou a Amy . Eu sou a Lauren . Eu sou a Dani. E nós somos Cimorelli !”. A introdução por ordem de idade, repetida aos gritos pelo fãs que se aglomeraram no Cine Joia, em São Paulo, para assistir ao sexteto, se tornou marca registrada de um fenômeno da internet difícil de ser comparado. 

Lauren, Amy, Katherine, Christina, Dani e Lisa Cimorelli
Divulgação
Lauren, Amy, Katherine, Christina, Dani e Lisa Cimorelli




Seus dois canais no YouTube - um "amador", em que começaram, e um "oficial", da Vevo - somam 950 milhões de visualizações e mais de 4 milhões de inscritos. Além das visualizações, as meninas ainda colecionam 6 EPs, dois reality shows e convites para participar dos principais concursos de calouros dos Estados Unidos: o "The X Factor" e o "America's Got Talent", ambos rejeitados.

Às vésperas de lançar seu primeiro álbum, as irmãs Cimorelli passaram pela América do Sul em turnê por cinco cidades e conversaram com o iG Gente em São Paulo, um dia antes de sua apresentação na capital paulista.

Assista ao cover de "Hello", de Adele

"Eu não sabia o que esperar em relação aos fãs, mas fiquei muito surpresa e feliz em ver tanta gente em todos os lugares", diz Christina, a mais velha do grupo aos 25 anos. "Eles correram atrás do nosso carro, colocaram os celulares pela janela. Foi muito insano. Foi insano de verdade."

Já Danielle (ou só Dani), a mais nova, com 17 anos, não pareceu tão impressionada com a recepção. "Eu não fiquei surpresa de verdade porque no Twitter, no Youtube ou em qualquer rede social os brasileiros são completamente insanos. Então estava animada esperando por isso”, conta.

O sucesso do grupo não é provado apenas por números ou mobilização de fãs. Por três anos consecutivos, o Cimorelli foi indicado ao "Teen Choice Awards", maior premiação voltada para adolescentes dos Estados Unidos na categoria "Estrela de internet", chegando a levar o prêmio em 2013.

Mas o que pode parecer prestígio para alguns, para elas foi um gostinho de um mundo no qual não fazem questão de viver. "Eu não gosto deles [Teen Choice Awards]. Eles não nos chamaram para subir no palco quando ganhamos e foram muito grosseiros. Eu é que não volto lá", dispara Christina. "Premiações não são muito divertidas", continua Amy. Lisa concorda com as irmãs e afirma: "Elas são muito chatas e as pessoas não são muito legais".

Ainda na contramão do que estrelas em ascensão provavelmente almejariam para suas carreiras, as meninas do Cimorelli também preferem passar longes de concursos de calouros como o "The X Factor" ou "America’s Got Talent", que costumam dar boa visibilidade até para aqueles que não vencem.

"Sabia que eles já nos mandaram e-mail pedindo para participar da competição?", começam. "E nós só ficamos tipo 'de jeito nenhum'. Nós não vamos subir naquele palco e ser julgadas por juízes, de jeito nenhum! A ideia de subir em um palco para juízes falarem que você é um lixo parece um pesadelo."

Mas enquanto recusam o status de popstars, as Cimorelli reconhecem e agradecem o posto de “estrelas de internet”, construído ao longo de 8 anos postando vídeos de covers e músicas originais no YouTube.

Assista a um dos primeiros vídeos postados pelas meninas do Cimorelli

O início

Seu primeiro cover com a formação atual - no começo, Dani tinha apenas oito anos e não participava do grupo - passa os três milhões de visualizações, marca batida com tranquilidade em vídeos mais recentes, chegando a 45 milhões com um cover de "Cups", do filme "A Escolha Perfeita".

A ideia inicial de postar vídeos no YouTube veio de Katherine, a segunda mais velha, e as irmãs se tornaram um dos primeiros canais de covers de músicas no site, que tinha apenas três anos de existência quando elas começaram.

O sucesso online, apesar de parecer limitado, é suficiente para elas. Mesmo sem o status de "estrelas reais", as meninas são reconhecidas por onde passam, fazem turnês mundiais e garantem estar conseguindo cumprir seu principal objetivo.

"O que nós precisamos fazer é levar mensagens positivas para garotas por aí, só isso. Nós não precisamos ser super famosas de um jeito específico, só passar a mensagem que queremos. E faremos o que for preciso para isso. Mas se isso envolve sermos apenas “estrelas de internet”, então não estamos nem aí.”

Cimorelli lançam seu primeiro álbum
Reprodução
Cimorelli lançam seu primeiro álbum "Up At Night" em 20 de Maio

“No início nós ligávamos para o “mundo real”", continua Christina. "É como se existisse a mídia online e a mídia comum, como a TV, os reality shows. E no começo nós ligávamos muito para isso e como poderíamos chegar lá. Mas, pra começo de conversa, boa parte da 'mídia comum' nem gostava da gente. Muita gente que conhecemos nunca gostou de nós".

"Antes só as rádios definiam as músicas que iriam tocar, você não encontrava música em lugar nenhum. A não ser que você entrasse em alguma lojinha de discos por aí, você não tinha como encontrar música além do rádio. Mas agora você pode colocar sua música no YouTube e qualquer um pode encontrar", continua a mais velha.

"Depois de um tempo nós só falamos “quer saber? Não vamos mais fazer isso, é só idiota” e paramos de tentar fazer com que a mídia gostasse da gente. Nós não precisamos disso e temos que fazer o que nos faz feliz", completa.

Álbum

Estrelas “reais” ou não, as irmãs começam 2016 dando um passo a mais na carreira: depois de 6 EPs, seu primeiro CD está com lançamento marcado para 20 de maio. Depois de anos brigando com uma gravadora para conseguirem lançar um trabalho autoral, elas conseguiram sair do contrato em que estavam e hoje têm sua própria gravadora, bancando todo o processo de gravação, produção e distribuição do próprio bolso.

"Hearts on Fire" é a primeira música liberada do álbum "Up At Night"

"Nós estamos tentando lançar um álbum há anos. Sempre foi nosso maior objetivo e poderíamos ter lançado com a gravadora. Nós gravamos umas 50 músicas, mas ninguém na equipe deles e nem na nossa achou que aquele era o estilo certo pra gente”, diz Christina. "A gente ainda não tinha achado o nosso som. Tinham algumas músicas boas, mas que não se completavam e só não estava funcionando", completa Lisa.

"Nós estávamos presas à gravadora, ao nosso contrato e não podíamos lançar nada. Eles tinham uma visão para a gente e nós tínhamos outra, então eventualmente saímos de lá. E agora sim pudemos fazer nosso álbum do nosso jeito. E apesar de estarmos pagando tudo e termos que fazer tudo sozinhas, agora temos liberdade e o controle de tudo”, finaliza a mais velha.

    Leia tudo sobre: youtube
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.