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Aliando inteligência, humor e ousadia, o programa se diferencia de tudo que há na televisão no momento pela capacidade de se posicionar politicamente sem deixar de divertir a audiência com esquetes que beiram o brilhantismo

O terceiro episódio da terceira temporada do “Tá no Ar: A TV na TV” será exibido nesta terça-feira (2) na Globo depois do “Big Brother Brasil” . O programa de Marcelo Adnet e Marcius Melhem é um oásis de criatividade e liberdade na engessada televisão brasileira. Além de ser o programa da TV aberta que melhor repercute na internet, “Tá no Ar” se distingue pela inteligência com que satiriza a TV e o brasileiro.

A seguir, o iG Gente lista cinco razões que garantem ao humorístico o posto de melhor programa da televisão brasileira atual.

Marcelo Adnet interpreta João Kleber na Globo
Reprodução/TV Globo
Marcelo Adnet interpreta João Kleber na Globo

 Sátira refinada

O programa de Marcelo Adnet e Marcius Melhem é uma sátira, mas o que garante seu sucesso e longevidade não é a proposta de satirizar em si – programas como o “Pânico na Band” já fazem isso há mais tempo, mas o refinamento dessa sátira. O cuidado com o texto, com o desenho dos personagens criados e com os quadros que vão ao ar chamam a atenção em “Tá no Ar”.

Esse despojamento na articulação de sátiras que atingem tanto a Globo quanto suas concorrentes, garantem frescor ao programa que surge mais altivo e original a cada nova edição.

Humor inteligente

A ideia do programa não é só fazer graça. Não é apenas viabilizar um humor ousado. Por isso as comparações com “TV Pirata” e “Casseta e Planeta: Urgente!” não dão conta de traduzir o que é o “Tá no Ar”. Aqui o foco é a televisão brasileira, mas a apropriação da televisão é apenas um pretexto para criticar o Brasil – e o brasileiro – de cabo a rabo. Uma proposição de humor inteligente que não revela seus objetivos tão facilmente.

Mr.Catra apareceu no
Divulgação/TV Globo
Mr.Catra apareceu no "Tá no Ar" satirizando a polêmica vasectomia que não fez...

Posicionamento político raro na televisão

Por trás de toda a festa com as sátiras e paródias que o programa leva ao ar, está um posicionamento político forte do programa. Do tipo que o humor nacional não costuma mais praticar nesses tempos de correção política. Um exemplo disso foi o quadro “Quarteto fanático” exibido na estreia da terceira temporada há duas semanas. Uma crítica nada sutil à censura de caráter religioso que impera em determinados segmentos da sociedade brasileira.

Como uma metralhadora giratória, o programa não poupa lados, ângulos e partidos, mas não deixa de se posicionar em relação a diversos temas que ocupam a agenda da sociedade e da mídia.

Reprodução
"Tá No Ar" faz paródia de "Quarteto Fantástico" e critica a "família tradicional brasileira" com o "Quarteto Fanático"

Ousadia

Muita gente ainda se surpreende com o fato de “Tá no Ar” ainda está no ar na Globo. O programa goza de uma liberdade incomum para os padrões da emissora com sátiras descaradas de programas e personalidades de emissoras concorrentes, críticas ferozes à própria Globo, paródias de anunciantes tradicionais da emissora e, em essência, tira sarro do conteúdo produzido na televisão brasileira.

Essa ousadia, bancada pela Globo sem qualquer tipo de censura, ajuda a fazer de “Tá no Ar”, um dos programas mais irreverentes e contundentes da televisão contemporânea.

Formato inovador

O frenesi com que o programa de cerca de meia hora se desenvolve assusta alguns, afugente outros e pode até provocar vertigem nos mais desavisados. A linguagem rápida do “Tá no Ar” entrega a proposta multimídia da criação de Marcelo Adnet e Marcius Melhem, um oásis de criatividade que pegou geral na internet.

O formato inovador do programa vai desde o zapping constante da programação às versões de músicas de sucesso que tem como objetivo satirizar e criticar aspectos culturais de nossa sociedade.

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