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Atriz, de bem com a vida e com a Record, se prepara para viver rainha em "A Terra Prometida" com direito a dança com cobra. Juliana revela ansiedade pela reação que público terá a Kalési

Juliana Silveira está feliz! A atriz de 35 anos, mãe de Bento , de quatro anos, está prestes a estrear novela nova na Record e, cheia de projetos, comemora a boa fase sem arrependimentos. Nem mesmo por ter dito não à Globo em 2007 – “É muito difícil você prever o que vai ser a Globo daqui a, sei lá, seis, sete anos”. A atriz conversou com a reportagem do iG sobre seu futuro na Record – “sou do tipo que veste, sim, a camisa” – a carreira, o futuro da televisão e os projetos paralelos que tenta colocar no mundo.

Juliana Silveira em foto postada em seu Instagram: 2016 promete ser bom
Reprodução/Instagram
Juliana Silveira em foto postada em seu Instagram: 2016 promete ser bom

Ex-Angelicat, Juliana Silveira conseguiu brilhar na Globo, na Bandeirantes e na Record. Como a neonazista Priscila de “Vitória” fez sua primeira antagonista, uma vilã totalmente fora da curva da teledramaturgia brasileira.  “A maldade (na novela) é sempre vingança ou derivada do fato de que a mulher quer um cara que não é seu. “Celebridade” (de Gilberto Braga ) é um clássico. A Cláudia Abreu desejava tudo o que a Malu (Mader) tinha. Essa vilã (a Priscila) não tinha nada disso. Ela acreditava na causa. No neonazismo. Foi assustador construir essa personagem”, disse a atriz.

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Durante papo com o iG foram muitas as reflexões sobre o universo em que habita. Inteligente, articulada e bem-humorada, Juliana falou de insegurança com convicção. Consciente de seus limites e de seus desejos, não fugiu de nenhuma pergunta e não se furtou ao direito da autocrítica.  A seguir, os melhores momentos da conversa com Juliana Silveira.

A cobra vai dançar

“Eu queria muito ter a experiência de fazer novela bíblica”, confessa a católica Juliana. A atriz será a rainha Kalési em “A Terra Prometida” . Para viver a rainha de Jericó, personagem que não é citada na bíblia, ela está aprendendo a dançar e, entre risos, admite preocupação com fato de que terá que dançar com uma cobra. “Ela é uma vilã clássica”, revela. “Mas ainda não me reuni com o Avancini ( Alexandre Avancin i, que vai dirigir a novela) para discutir a caracterização”.

Apesar do medo de ter que dançar com uma cobra, Juliana é toda entusiasmo com a personagem que já entende ser uma das mais excêntricas de sua carreira.

A atriz como Priscila, a primeira vilã de sua carreira em
Reprodução/Record
A atriz como Priscila, a primeira vilã de sua carreira em "Vitória"


“A Terra Prometida” também levará a atriz ao cinema. “Agora aqui é um combo. Você faz a novela e ganha um filme”, brinca a atriz. “É um momento empolgante para o ator, porque é uma forma nova de produzir conteúdo. Eles foram muito corajosos e foram muito pioneiros também. Pegaram uma estrada. Eu, como atriz da casa, fiquei com vontade de participar. Mas ainda não assinei contrato”, revela.

A empolgação da atriz se faz sentir até pelas brincadeiras que ela já se permite fazer. “E também dá para ler como uma homenagem à rainha dos dragões de ‘Game of Thrones’ , né? Minha personagem preferida”, se diverte a atriz ao comparar Kalési com Khaleesi , personagem defendida pela atriz Emily Clarke na série da HBO.

De bem com a Record

Depois de “Floribella” parecia que Juliana Silveira não alcançaria outro sucesso tão ostensivo. Contudo, “ Chamas da Vida” , seu primeiro protagonismo na Record, firmou-se como o maior sucesso de audiência da emissora. Status que só perdeu agora para “Os Dez Mandamentos” . Esse começo iluminado ajudou a pavimentar um caminho tranquilo e regozijante para a atriz na emissora.

“A Record foi importante na minha vida porque foi onde eu tive meu filho e eles foram muito generosos comigo” conta Juliana. “Sabe? Me deram um ano para ficar com meu filho, sem qualquer cobrança. Eu dei sorte dentro da emissora”. A atriz vai além e, em um meio que está constantemente sob fogo cerrado pelo tratamento dispensado à mulher, elogia a maneira  da Record trabalhar. “A Record tem um respeito muito grande com as mulheres. Aqui não tem essa coisa ‘vamos emagrecer que mulher tem que ficar gata e TV engorda’. Eu posso afirmar isso”.

Juliana se revela empolgada com essa leva de produções bíblicas da emissora e com o reflexo que vai gerar no cinema. “O que me deixa feliz é de estar numa situação que eu não tenho controle. É muito mais louco do que o que eu passei com ‘Floribella”. Para ela, as denúncias de que pastores pedem para que fiéis da igreja Universal comprem ingressos para o filme “Os Dez Mandamentos” não é o fim do mundo. “E os padres não vendem CDs?”, provoca. “Não é nada como se alguém tivesse com o revólver na cabeça do sujeito o obrigando a comprar o ingresso”.

A atriz faz uma selfie com as amigas Antônia Fontenelle e Ticiane Pinheiro
Reprodução/Instagram
A atriz faz uma selfie com as amigas Antônia Fontenelle e Ticiane Pinheiro


Globo já não é mais a mesma

“Para mim a Globo é muito os anos 80, os novelistas que estão lá. O Gilberto (Braga), que eu adoro. Eu acompanho, claro. Tenho amigos lá. Mas não sei”, revela quando indagada se gostaria de voltar eventualmente para a emissora. “Eu teria vontade de fazer um produto para o Netflix. Um filme para internet, por exemplo”.

Para Juliana, o artista talvez vislumbre no futuro a necessidade de se produzir. “A internet é um buraco negro e ninguém sabe exatamente como vai ser o futuro da televisão. Gente, quando eu fiz ‘Floribella’ não tinha previsão em contrato para exibição no Netflix. E hoje a novela tá lá”, expõe de maneira direta como a distribuição de conteúdo audiovisual está em franca evolução.

“A TV do padrão Globo eu não sei como vai ser. É um custo muito alto e a audiência já não é mais a mesma. Não dá pra fazer mais esse tipo de plano: ‘meu sonho é voltar para a Globo e continuar minha trajetória que eu parei lá no início dos anos 2000’. Pode ser que sim. Pode ser que não. É um momento delicado para prever esse futuro”.

“Sigo o fluxo da vida”

A atriz, fotografada na semana passada, em um shopping do Rio de Janeiro
AgNews
A atriz, fotografada na semana passada, em um shopping do Rio de Janeiro

Juliana reitera que não há arrependimentos. “Não me arrependo de absolutamente nada. Fico feliz de ter trabalhado em todas as emissoras”. Juliana credita seu jeito de encarar a carreira ao fato de ser pisciana. “No outro dia vi ‘Laços de Família’ no Viva, ‘Floribella’ no Netflix e estava terminando uma neonazista que era minha primeira vilã. Sou uma alma que vai seguindo o fluxo da vida”.

Crise dos 35

Não há arrependimentos, mas o futuro é mais incerto do que muitos imaginam. “Artistas não gostam de falar de dinheiro, mas tem que se organizar” cobra a atriz. “Será que não vai ter mais contrato longo com emissora? Quando eu sonhava em ser atriz esse sonho era formatado do seguinte jeito: ‘Que eu ia ser importante, fundamental no elenco da emissora x’. Esse era o caminho de uma atriz de televisão. Mas isso vai continuar assim? Como é que vai ser no futuro?”, provoca a atriz que classifica isso como uma possível “crise dos 35 anos”.

Juliana, que tem um filme pronto, que rodou em esquema de guerrilha com amigos, mas que ainda não sabe em que plataforma distribui-lo, pensa em voltar a cantar no futuro e admite que tinha problemas de disciplina para consolidar a carreira paralela no passado.  “Eu tinha 20 anos, queria beber, sair e isso não combina muito bem com a disciplina que eu tinha que ter. Mas penso nisso mais para o futuro”.

Autodidata, se aventura pelas redes sociais (“adoro Instagram”) e curte o filhão antes de voltar para o ar e enxotar de vez qualquer rastro de crise.

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