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Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica afirma desconhecer Wagner Moraes, que fez o procedimento estético na finalista do Musa do Brasil Raquel Santos

O médico Wagner Moraes  , marido de Ângela Bismarchi , foi proibido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) de realizar operações após a morte da modelo Raquel Santos , na última segunda-feira (11). A finalista do concurso Musa do Brasil se submeteu a um procedimento estético de preenchimento do bigode chinês (linhas de expressão que vão do nariz ao canto da boca) com ele e não resistiu.

Raquel Santos, finalista Musa do Brasil
Reprodução/Instagram
Raquel Santos, finalista Musa do Brasil


"Repudiamos veementemente a atuação de médicos não especialistas em cirurgia plástica, que por falta de formação especifica, colocam em risco a segurança e a vida de seus pacientes conquanto descumprem indiscriminadamente os ditames legais", diz o comunicado. 

A entidade afirma que o Moraes não era credenciado nem titulado para realizar cirurgias estéticas. "Médicos como o doutor W. M., que se denominam 'cirurgião plástico' sem nunca ter sido titulado para tal, ludibriam seus pacientes, abusando de sua boa-fé e criminalizam o exercício da profissão", afirma a SBCP.

O velório da modelo foi interrompido  na tarde de terça-feira (12) e o enterro, até então marcado para as 16h, foi suspenso. De acordo com Eduardo Graboski , representante do Musa do Brasil, o corpo foi levado ao IML para uma autópsia mais detalhada, pois a causa da morte no atestado de óbito não batia com as declarações dadas por Wagner Moraes.

O corpo foi liberado  somente na tarde de quarta-feira (13) para o enterro, que aconteceu no Cemitério Parque da Paz, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Leia o comunicado na íntegra:

"É com grande pesar que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica tomou conhecimento, nesta terça-feira (12/01), sobre a morte da modelo R. S., por parada cardíaca, depois de ser submetida a procedimento de cirurgia plástica pelo doutor W. M., desconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, única a titular especialistas no país. 

Raquel Santos, finalista Musa do Brasil
Reprodução/Instagram
Raquel Santos, finalista Musa do Brasil

Solidarizamo-nos com a família enlutada neste momento tão triste quanto inesperado.

Também repudiamos veementemente a atuação de médicos não especialistas em cirurgia plástica, que por falta de formação especifica, colocam em risco a segurança e a vida de seus pacientes conquanto descumprem indiscriminadamente os ditames legais.

Médicos como o doutor W. M., que se denominam "cirurgião plástico" sem nunca ter sido titulado para tal, ludibriam seus pacientes, abusando de sua boa-fé e criminalizam o exercício da profissão à guisa do que preconiza a Comissão Mista de Especialidades formada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina e Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Saúde, únicos a regulamentar o reconhecimento do médico especialista, como acomoda o Decreto da Presidência da República 8.516/15 (www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Decreto/D8516.htm).

Raquel Santos morreu na madrugada de terça (12) após procedimento estético
Divulgação
Raquel Santos morreu na madrugada de terça (12) após procedimento estético

É preciso que o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, Conselho Federal de Medicina investiguem duramente o caso para apurar a relação entre o procedimento ocorrido na clínica e a morte de R. S., assim como é imprescindível fiscalizar a utilização irregular da titulação de "Cirurgião Plástico", feita pelo mesmo doutor e por outros profissionais na tentativa de transmitir uma imagem de formação, perícia e competência que não possuem.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, luta e continuará lutando exaustivamente, para garantir transparência e segurança, para os pacientes brasileiros que necessitam de serviços médicos de qualidade comprovada, cumprindo todos os expedientes possíveis para evitar eventos trágicos como este e combater com pulso firme o exercício ilegal por profissionais não habilitados e sem formação científica. É necessário que os órgãos legalmente investidos de poderes para fiscalização da Medicina no país, promovam ações imediatas e efetivas, para evitar que mais vidas sejam ceifadas, devido ao exercício da cirurgia plástica por médicos não especialistas".

O iG entrou em contato com Wagner Moraes e aguarda o retorno para comentar o caso e aguarda sua posição.


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