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Nos bastidores de "Chaplin", ator fala sobre seu début nos musicais, o fim de seu contrato com a Rede Globo e o convite para protagonizar um bíblico: "Não chegamos a um acordo"

“É fascinante, quase um exército”. Essa é a visão de Marcello Antony sobre “Chaplin, o Musical”, no qual faz o papel de Sydney, irmão e agente do precursor e grande estrela do cinema mudo, representado nos palcos por Jarbas Homem de Mello .

A preparação para o espetáculo exigiu muito do elenco. “Há sempre um fisioterapeuta disponível para atender os atores. Vira e mexe tem alguém estourado”, conta ele ao iG Gente , pouco antes de entrar em cena no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo.

Marcello Antony e Jarbas Homem de Mello interpretam Sydney e Charles em 'Chaplin, o Musical'
Divulgação
Marcello Antony e Jarbas Homem de Mello interpretam Sydney e Charles em 'Chaplin, o Musical'


Antony considera este seu début em musicais. Ele já havia trabalhado em outros no início da carreira, mas o profissionalismo elevou a qualidade dos profissionais, que atingiram outro patamar. “Esse aqui é nível Broadway.”

Foi um casamento ótimo. A direção acertou em cheio ao focar nessa dupla"

Ele não é marinheiro de primeira viagem. Cantar já fez parte de seu currículo, mas a aptidão pela música ficou adormecida por um tempo. “Tenho intimidade com o canto. Cantei logo na minha estreia no teatro, em "As Bodas de Fígado", mas era um músculo que estava sem usar. Precisei ativar essa memória.”

 A relação de Sydney e Charles é o fio condutor da montagem. Eles têm quatro anos de diferença, assim como Jarbas e Antony. “Foi um casamento ótimo. A direção acertou em cheio ao focar nessa dupla, deu muito certo.” Para quem não sabe, Sydney foi um dos responsáveis pelo sucesso de Chaplin. “Ele que ficava por trás, fechando os contratos, até para o Charlie poder alçar esse voo artístico”, explica.

Não chegamos em um acordo financeiro. A Record não tem cacife para me bancar”

Além do teatro, Antony também estará presente no cinema com o longa “Pequeno Segredo”, dirigido por  David Schürmann , que será lançado ano que vem. Já na TV, seu contrato com a Rede Globo chegou ao fim em junho e não foi renovado. “São coisas que fogem do meu controle, tenho que esperar me chamarem”, afirma.

Um convite apareceu. Logo depois de seu desligamento da emissora que o projetou, a Record o chamou para protagonizar a novela bíblica “Josué e a Terra Prometida”.  “Mas não chegamos a um acordo financeiro. A Record não tem cacife para me bancar”, dispara. Sobre a notícia de que havia pedido R$ 100 mil para a emissora do bispo Edir Macedo , aqui vai a resposta:  “Eu pedi um dinheiro que a Record não tem para me dar. E se bancassem, eu estaria dentro do projeto, porque é legal.”

É o mercado. O movimento é esse, de não ter vínculo com ninguém. É um direito deles, afinal é uma empresa"

E ele conclui: “Depois fui descobrir que foi a própria Record que divulgou essa informação. E então entendi que eles fizeram isso com segundas intenções. Para quando forem contratar o protagonista, ele pedir um valor abaixo do que eu queria.” Sobre não fazer mais parte do elenco fixo da Globo, Antony parece bem centrado e pondera: “É o mercado. O movimento é esse, de não ter vínculo com ninguém. É um direito deles, afinal é uma empresa. Parafraseando o Boni, quanto mais a Globo gastava, mais ela enriquecia.” Outros tempos.



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