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Em cartaz com "Amores Urbanos", atriz traça um panorama de sua vida profissional, fala sobre a chegada dos 50 anos e relembra como era trabalhar com o ex-marido, o diretor Ricardo Waddington: "A cobrança era muito maior"

Imagine aceitar o convite para uma peça de teatro sem o texto finalizado. Foi assim que Helena Ranaldi topou fazer “Amores Urbanos”, um espetáculo diferenciado. Afinal, são três autores, três diretores e três personagens diferentes. “Cada um com a sua história e como pano de fundo, o amor, a solidão e a tecnologia atuante nas relações”, sintetiza ela, em conversa com o iG Gente , sobre a montagem em cartaz no MuBE, em São Paulo.

Helena Ranaldi: 'O amor é muito importante, nada vai substituir as necessidades de afeto que temos'
Divulgação
Helena Ranaldi: 'O amor é muito importante, nada vai substituir as necessidades de afeto que temos'


O primeiro texto é de Marcelo Rubens Paiva e relata o dia a dia de dois casais que são vizinhos, vivenciam problemas diferentes, mas que se desentendem por questões parecidas. O segundo foi escrito por Clóvis Torres  trata de assuntos familiares. Uma mãe que se relacionou por dez anos virtualmente com seus filhos, que quando resolveram visitá-la, ela já havia morrido.  Mario Bortolotto encerra o espetáculo traçando um panorama entre grupos de apoio para pessoas sentimentalmente bem resolvidas. Em questão, o vazio de ser só e a busca incessante por um par.

Estou muito feliz, pessoal e profissionalmente realizada. Conhecendo pessoas novas e fazendo o que gosto

Helena vê os dois lados da moeda quando o assunto é tecnologia. Ela enxerga como agente facilidador o Skype, por exemplo, que permite trazer o companheiro que mora longe para perto, participar de sua rotina e ver tudo o que ele está fazendo. E ela faz o contraponto: “Às vezes casais vivem juntos e estão separados. Nesse caso, a internet pode atrapalhar. Mas o amor é muito importante, nada vai substituir as necessidades de afeto que temos.”

'Amores Urbanos' conta com Clóvis Torres, Helena Ranaldi, Daíse Amaral e Juan Alba no elenco; direção de Clarisse Abujamra, Mario Bortolotto e Marcelo Rubens Paiva
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'Amores Urbanos' conta com Clóvis Torres, Helena Ranaldi, Daíse Amaral e Juan Alba no elenco; direção de Clarisse Abujamra, Mario Bortolotto e Marcelo Rubens Paiva


Esta é a terceira peça de Helena só neste ano. Depois de encenar “Amor perverso” e “A Fantástica Casa de Bonecas”, a atriz deixa sua base no Rio de Janeiro e se aventura pela primeira vez com um elenco paulistano. “É um ano atípico, dedicado exclusivamente ao teatro. Mas estou muito feliz, pessoal e profissionalmente realizada. Estou perto da minha família, que mora na capital paulista, conhecendo pessoas novas e fazendo o que eu gosto.”

Acho maluco as pessoas pensarem que envelhecer é antinatural. Por quê? Que valor é esse?"

O início da carreira se deu na companhia teatral de Antunes Filho . De lá para cá, muita água rolou. Depois de passar pela extinta TV Manchete, fez uma série de novelas na TV Globo e acumula dez peças em seu currículo. Em seus planos, Helena pretende fazer uma investida maior nas telonas. “Gostaria de estar mais presente no cinema.”

O tempo parece não passar para ela. E o segredo de sua jovialidade, ela entrega: “Além de levar uma vida saudável, eu acho que tem a ver com o espírito. Sei viver. Já passei por fases dificeis, mas entendo que faz parte, a vida é ciclica, e isso não me deixa cair.” A chegada dos 50 anos tampouco a abala. "É simplesmente biológico, nada vai mudar. Acho maluco as pessoas pensarem que envelhecer é antinatural. Por quê? Que valor é esse? Gosto de pensar como na Europa, onde as pessoas mais velhas são respeitadas e admiradas.”

Não vejo nenhuma diferença, já namorei pessoas mais velhas, mais novas, e tudo é uma questão de conexão”

Em relação a cirurgias plásticas, Helena não vê problema em fazer intervenções estéticas. Mas é contra a banalização. “Acho que faria, sim, alguma pequena correção, nada muito agressivo. Agora quando o único valor da vida é esse, passa a ser doentio. Vejo jovens que abusam.” Em um relacionamento com o ator Daniel Alvim , a atriz olha para trás e percebe que seus últimos companheiros têm algo em comum: eram todos mais jovens do que ela. “Não é uma preferência, são encontros. Não vejo nenhuma diferença, já namorei pessoas mais velhas, mais novas, e tudo é uma questão de conexão.”

Ainda sobre as relações afetivas, ela acredita que encontrar um par no mundo das artes facilita para os dois lados. “Namorar gente do meio artístico é mais fácil. Nossa vida foge um pouco do padrão e nem todo mundo entende isso. Temos que viajar com peça, nos ausentar, e quando se trabalha com a mesma coisa, tudo acontece naturalmente. A cabeça é mais parecida.”

Tinha que corresponder como atriz para eu mesma me sentir tranquila e bem. Mas a cobrança é muito maior. E me perguntava: ‘Será que ele me quer pela minha capacidade?’”

Helena é mãe de Pedro Waddington , de 17 anos, de seu primeiro casamento com o diretor Ricardo Waddington . Enquanto estavam juntos, Helena trabalhou ao lado do então marido. Quando era dirigida por ele, diz que se sentia mais exigida. “Tinha que corresponder como atriz para eu mesma me sentir tranquila e bem. Fui muito feliz, os resultados sempre foram positivos. Mas a cobrança é muito maior. E me perguntava: ‘Será que ele me quer pela minha capacidade?’”. Com o tempo, essa insegurança foi se diluindo e Helena ganhou mais confiança. De suas relações passadas, não guarda mágoas.  “Saber colocar um ponto final é a chave. O amor continua, só que é diferente.”


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