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Atriz acredita em amor à primeira vista, mas não sonha com casamento

Rio - Letícia Persiles, 32 anos, tem o dom de encantar. Seja pelos olhos verdes que já foram emprestados a Capitu — na minissérie homônima que marcou a sua estreia na TV em 2008 —, pela delicadeza dos traços do seu rosto, pela força da pintura que carrega no braço ou até mesmo pelo mistério, intencional ou não, que vez ou outra deixa no ar.

Letícia Persiles acredita em amor à primeira vista, mas não sonha com casamento
Maíra Coelho / Agência O Dia
Letícia Persiles acredita em amor à primeira vista, mas não sonha com casamento

A intérprete da Anita, de ‘Além do Tempo’, é do tipo que divide sua intimidade com moderação. Mãe de Ariel, de seis anos — fruto da união com o diretor Luiz Fernando Carvalho — e casada com o ator e diretor Michel Bercovitch, a atriz e cantora deixa escapar que, assim como a sua personagem na novela das 18h, é uma mulher apaixonada. “Sou romântica. Mas o romantismo é uma coisa inerente ao humano, não só à mulher. Acho possível perceber o amor no primeiro encontro. Isso acontece! Já aconteceu comigo de bater o olho e falar: ‘É essa pessoa’”, diz.

Despertar amor à primeira vista é para os sedutores. No caso de Letícia, ela seduz pelo seu jeito de menina, a fala mansa e o sorriso que entrega uma certa timidez. Já a ingênua Anita, da novela das 18h, é vítima de um sedutor incorrigível: Roberto (Rômulo Estrela), um nobre falido que quer se casar com Bianca (Flora Diegues), uma moça rica. No capítulo de amanhã, a empregada da Condessa Vitória (Irene Ravache) tem sua primeira noite de amor com quem imagina ser um príncipe encantado. “Anita vive um amor idealizado, não enxerga quem o Roberto realmente é. Ela sonha viver um grande amor, não com a posição social que viria com o casamento. Todo mundo quer viver um grande amor”, acredita.

Se Anita cria o seu conto de fadas particular, Letícia recorre à história do Barba Azul, escrita por Charles Perrault e que fala sobre um nobre violento e sua esposa curiosa, para tentar explicar por que cair na lábia dos sedutores não é exclusividade das mocinhas do século 19. “Já não enxerguei uma situação que estava na minha cara. Todo mundo passa por isso na vida. Não tem como escapar, mas não acho que o homem sedutor exerça um fascínio maior nas mulheres. Mas existe, sim, na vida da mulher esse momento do encantamento por esse homem”, comenta.

Letícia Persiles
Maíra Coelho / Agência O Dia
Letícia Persiles


A Anita, de ‘Além do Tempo’, vive exatamente esse momento. E não é julgada por sua intérprete. “É muito comum as mulheres, principalmente jovens, caírem nesse golpe do homem sedutor. Diante de um homem com essa característica, o amor é cego. Não gosto de generalizar e dizer que homens são assim. Na verdade, podemos confiar em algumas pessoas e não podemos confiar em outras. Só o convívio é que vai dizer se dá para confiar ou não”, analisa.

É o dia a dia de uma relação que inspira Letícia, não o casamento. “Ainda existe uma valorização, socialmente falando, do casamento, mas eu sou totalmente contra. Nunca sonhei com casamento, nunca me imaginei vestida de noiva. Não estou dizendo que eu nunca vou fazer, pode ser que um dia isso aconteça, mas nunca sonhei. Pelo contrário. Desde pequena, eu dizia que nunca iria me casar na igreja. Eu acho que a instituição do casamento simboliza muito a submissão da mulher”, observa, complementando: “Sou a favor do amor, da união, só não sou a favor da instituição do casamento. Gosto da ideia de duas pessoas se amarem e se unirem, mas duas pessoas, não importa se é um homem e uma mulher, duas mulheres ou dois homens.” Oficializar a união também não faz parte dos planos da atriz.

“Eu não vejo muito sentido no papel passado, mas entendo que muitas pessoas queiram estabelecer uma formalidade. Para mim, não penso em nenhum dos formatos, nem civil, nem religioso”, frisa. A fuga de Letícia aos padrões tradicionais não acontece em um aspecto, a maternidade.

“Gosto de estar presente na vida do meu filho”, afirma. Não é à toa que a intérprete da Anita da novela das 18h demorou a voltar ao trabalho após dar à luz Ariel. “Eu acho um absurdo a licença-maternidade ser de quatro meses. Meu filho mamou até dois anos e meio, e eu só voltei a trabalhar mesmo depois que ele parou de amamentar. Antes disso, fiz alguns shows. Mas novela não dava para fazer”, conta a também cantora, que lançou o CD ‘As Cartas de Amor e Saudade’ em 2013.

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