Tamanho do texto

Maria Fernanda Cândido é narradora do novo quadro do "Fantástico", dirigido por Luiz Fernando Carvalho. A ausência de diálogos de Luiza, Alessandra Maestrini e Cintia Dicker em “Correio Feminino” exigiu delas uma preparação corporal dobrada


Luiz Fernando Carvalho alimenta há anos uma vontade enorme de se encontrar, de alguma forma, com a obra de Clarice Lispector . O diretor, que é conhecido por trabalhos com linguagens ousadas na TV, como “Capitu” e “Afinal, O Que Querem As Mulheres?”, acabou cruzando os caminhos com o “Fantástico” e tirou da gaveta um pequeno projeto que estava guardado há cinco anos. “Correio Feminino”, uma adaptação inspirada nas crônicas femininas que a escritora produzia sob o pseudômino de Helen Palmer, começa sua saga de oito episódios a partir do dia 27 de outubro no dominical da Globo.

Curta a fanpage do iG Gente no Facebook e receba as últimas notícias dos famosos

“Eu não tinha um formato para esse projeto. Não era uma série, nem uma minissérie. Seria um interprograma? O convite do ‘Fantástico’ formatou a ideia. E já há, indiretamente, uma conversa sobre a possibilidade de criação de uma segunda temporada. Clarice tem material para isso, sem dúvida”, contou o diretor em coletiva de imprensa realizada nessa terça-feira (8), no Rio de Janeiro.

Para dar rosto às mulheres que escutam os conselhos de Helen Palmer via rádio, Luiz escolheu duas modelos: a ruiva Cintia Dicker e a veterana Luiza Brunet . Fechando o time estão Alessandra Maestrini e Maria Fernanda Cândido , que narra todos os episódios com os textos de Helen Palmer - as outras três apenas representam as ações. “Eu sempre imaginei que ela falava para três mulheres de diferentes gerações. Temos aqui a mulher jovem lolita, a jovem mulher e a mulher madura, cada uma com suas questões”, disse Luiz.

Elenco e diretores na coletiva de imprensa de 'Correio Feminino', nova série do Fantástico
Divulgação/TV Globo
Elenco e diretores na coletiva de imprensa de 'Correio Feminino', nova série do Fantástico


Como Clarice e seus pseudôminos eram figurinha certa nos jornais “Correio da Manhã”, “Comício” e “Diário da Noite” nas décadas de 1950 e 1960, o figurino e o formato visual de “Correio Feminino” seguem o mesmo estilo. Luiz Fernando encontrou inspiração em propagandas de revista da época. “Era tudo bem clean graficamente, com ausência de cenário, com um despojamento no uso da cor. Isso nos inspirou. É, também, uma homenagem ao design e propaganda”, afirmou.

A preparação foi rápida. Foram 15 dias de pré-produção e uma semana de gravação. A ausência de fala de Luiza, Alessandra e Cintia exigiu uma preparação corporal dobrada. Por isso, as meninas tiveram aulas de balé clássico e fizeram ensaios em conjunto.Para Maria Fernanda, que empresta a voz e a silhueta, mas “esconde” o rosto sempre tão aclamado por sua beleza, elogiou o processo. “Foi tudo feito em conjunto. Essa foi a riqueza do negócio. Eu tive contato com o universo das três. E a Helen Palmer também precisou ser criada como todas as outras. Ela é a personagem da personagem”, falou.

Nos episódios, também é possível ver as meninas se “despindo” da vaidade em certos momentos. Luiza, que vive a mulher madura, lida com a questão das rugas e do envelhecimento. Na vida real, ela afirmou que essa é uma questão que não lhe tira o sono. “Envelhecer não é fácil, mas essa é uma das funções da série. Eu não tenho nenhum problema com isso, acho que rugas fazem parte da vida. Eu aceitei o convite do Luiz, porque acho que iria me trazer autoconfiança e segurança para me despir da beleza e mostrar uma mulher verdadeira”, declarou.

Já Alessandra mostra as dobrinhas na barriga. “A jovem mulher é uma eterna apaixonada pela vida e está sempre tentando se encaixar. Ou seja, ela é desencaixada. Assim sou eu. Sempre fui exigente comigo mesma, mas aprendi a ser menos para curtir mais”, falou a atriz, sobre a entrega. “Acredite: nós terminamos as gravações nos sentindo mais bonitas e tranquilas em sermos nós mesmas”, finalizou a atriz.