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De volta à televisão após três anos, atriz conta ao iG como foi a preparação para interpretar a médica Rebeca de "Amor à Vida" - que representa na ficção o conflito entre judeus e palestinos - e diz como concilia a profissão com seus papéis de mãe e mulher: "Rebolando muito"


No retorno à TV depois de participar de "Malhação" em 2010, Paula Braun encara um papel delicado, o de retratar o conflito entre judeus e palestinos na pele da médica Rebeca, em “ Amor à Vida ”. Em entrevista ao iG , a atriz contou que teve ajuda da família do marido, o ator Mateus Solano , para compor a personagem. “Conversei com minha sogra, que é judia, alguns amigos, e com Mateus. Frequento o shabat (missa da sexta-feira, dia do descanso), ao jantar do pessach (Páscoa judaica) vou todos os anos, e fui pela primeira vez ao yom Kipur (dia do perdão). Já a parte médica foi workshop, um resgate do filme ‘Amanhã Nunca Mais’, que fiz com Lázaro Ramos, e muita série de televisão, como ‘Greys Anatomy’, ‘ER’ e ‘House’”.

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Paula Braun
Divulgação/Sérgio Baia
Paula Braun

Na trama, o conflito é contado atráves da história de amor entre Rebeca e o palestino Pérsio, interpretado por Mouhamed Harfouch . Sem esconder a preocupação, Paula conta dos cuidados que toma com o papel. “Tenho que representar com cuidado para que ninguém saia ofendido, nenhum dos lados. Penso muito em como dizer cada frase de cunho político ou religioso sem dar a conotação errada. Tem que ser sutil, não dá pra pintar com tintas muito fortes. É difícil!”, disse ela, que completa aprovando a paixão dos médicos. “Acredito que acima de qualquer crença, ou ‘lado’, essa é uma história de amor, de como ela ultrapassa barreiras e é mais forte que a razão. E de como amar vale mais a pena do que qualquer discussão.”

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Confira o bate-papo com a atriz, que falou dos trabalhos como diretora e escritora, de como concilia a carreira profissional com o papel de mãe e mulher, e da admiração pelo marido, o vilão Félix da novela. “Mateus é um excelente ator, merece todo o sucesso e reconhecimento porque é muito sincero e dedicado. Ele trabalha com muito amor.”

iG: Sente-se parecida com Rebeca, de "Amor à Vida", em algum aspecto?
Paula Braun: Acho que o ímpeto de ir atrás da profissão é a principal semelhança entre nós. Minha mãe nunca se opôs a minha carreira, mas foi difícil sair do conforto de Blumenau (SC) e me atirar em São Paulo com 17 anos, sem sombra nenhuma de dúvida de que queria ser atriz. Todo mundo que batalha por um desejo ou sonho é guerreiro.

As pessoas se acham no direito de decidir quem deve namorar quem, gostar de qual comida, vestir que numeração... Respeito virou artigo raro na sociedade e nas relações modernas e cada vez mais o homem mata suas vontades para seguir um padrão”

iG: Você acredita que o amor pode superar uma questão tão séria como o conflito entre judeus e palestinos ou acha que isso só é coisa de novelas e filmes?
Paula Braun: Claro, acredito sim! A arte imita a vida. É difícil, não dá pra falar que é fácil, você ter que ir contra tudo o que aprendeu a vida inteira, passar por cima de coisas que acredita, de conceitos dos familiares, mas amor é amor, quando acontece de verdade não tem para ninguém. Você move montanhas se for preciso para ficar com quem ama. É mais forte que a razão.

iG: Você conhece alguma história de amor que venceu barreiras?
Paula Braun: Conversei com algumas pessoas que passaram por histórias parecidas. Inclusive uma senhora judia que namorou escondido da família durante sete anos porque o namorado era goy (não judeu). Acabaram assumindo, o pai dela foi contra, mas depois de um tempo acabou aceitando. Grande parte das pessoas teima em não aceitar que a riqueza do ser humano está em sermos diferentes. O grande erro é achar que todos devem pensar e viver iguais, gostar das mesmas coisas, acreditar no mesmo Deus. As pessoas se acham no direito de decidir quem deve namorar quem, gostar de qual comida, vestir que numeração... Respeito virou artigo raro na sociedade e nas relações modernas e cada vez mais o homem mata suas próprias vontades e personalidade para seguir um padrão.

Paula Braun e seu colega de cena Mouhamed Harfouch
Divulgação/TV Globo
Paula Braun e seu colega de cena Mouhamed Harfouch


iG: Seu primeiro trabalho foi aos 13 anos, e além de atriz, você é uma diretora respeitada. Incomoda o rótulo de mulher do Mateus Solano?
Paula Braun:  Acho normal as pessoas me associarem ao Mateus, ele é um ator muito popular que atingiu um sucesso enorme junto ao grande público. Para mim é um orgulho ser esposa dele, dividir a vida com ele... Acho que se eu não tivesse minha bagagem de atriz, de produtora, eu me incomodaria. Mas tenho comigo que todas as coisas foram conquistadas por mim, uma trajetória de muito trabalho, então eu não me importo. Nada na minha profissão veio fácil. Tive que ralar muito.

iG: Uma de suas primeiras grandes aparições foi graças a seu bumbum no filme “O Cheiro do Ralo” (2006). Você imaginava que o papel teria tanta repercussão?
Paula Braun: Nunca imaginei que o papel teria toda essa repercussão. O filme tinha baixo orçamento e ainda assim virou sensação na época.

iG: Arrepende-se de ter representado uma personagem que ressaltava o corpo? Paula Braun: De jeito nenhum. Existia um contexto. Não tenho pudor para representar.

A gente não a expõe porque acreditamos que essa é uma escolha de vida que ela ainda não tem capacidade de tomar. É uma criança e merece viver como toda criança”, diz sobre a filha Flora

iG: Acha que em algum momento da carreira terá que escolher entre a direção e a atuação? Tem uma preferência?
Paula Braun: Não sei, de verdade, se algum dia terei que escolher entre uma ou outra coisa. Hoje não imagino parar de atuar.

iG: Como consegue conciliar sua profissão com seus papéis de mulher e mãe de Flora, de dois anos?
Paula Braun: Como toda mulher que opta por trabalhar, casar, ter filhos... ou seja, rebolando muito (risos). Meu trabalho me faz feliz, minha vida também, então tento tirar o máximo de proveito em ambos. Não tenho babá que dorme todo dia, nunca tive, ela dorme quando eu preciso trabalhar (e Mateus tem compromisso), e às vezes, quando saímos. Então, por mais que eu chegue exausta em casa, encontro minha filha cheia de energia e novidades pra contar. O tempo que tenho livre é da minha família, e é a parte mais linda do dia.

iG: Você e o Mateus evitam posar com a Flora. Como lidam com a exposição da família?
Paula Braun: Acho que a gente lida bem. A gente não a expõe porque acreditamos que essa é uma escolha de vida que ela ainda não tem capacidade de tomar. É uma criança e merece viver como toda criança. Eu acredito que a minha vida privada diz respeito só a mim. Por outro lado, entendo a curiosidade das pessoas. Então, tento dosar de uma forma saudável para ambos os lados.

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