A emergente carioca conta por que esnobou o programa “Mulheres Ricas” e relata sua nova paixão - as aves que invadem sua varanda

Vera Loyola, 69 anos
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Vera Loyola, 69 anos
Quando Lydia Sayeg , Débora Rodrigues , Val Marchiori , Narcisa Tamborindeguy e Brunete Fraccaroli invadiram a realidade televisiva no programa “ Mulheres Ricas ”, da Band, muita gente se perguntou: “Cadê Vera Loyola?”. A socialite, talvez o maior símbolo da elite emergente carioca dos anos 90, não estava no reality show, mas sentada em uma aconchegante poltrona na sua mansão da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, acompanhando a tudo boquiaberta, ao lado da fiel-escudeira Perepepê, uma cachorrinha pug de 13 anos.

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Acostumada às altas rodas sociais, como as demais participantes, Vera desistiu de entrar no programa dias antes das gravações. “Aquilo é palhaçada, um circo de horrores. Não acredito que uma pessoa fique 24 horas bebendo champanhe sem parar, com roupas longe da realidade. Não é meu perfil de ostentação”, decreta a empresária de 69 anos, dona de variados negócios, entre eles padarias.

Vera não quer mais saber de aparecer. Concedeu esta entrevista ao iG com a condição de que não posaria para fotos. Explica aqui por que escolheu a reclusão em vez de aceitar o convite da Band e escancarar excentricidades privadas na TV. Ela também critica a personagem Tereza Cristina (socialite vivida por Christiane Torloni em “ Fina Estampa ”). “É uma mentira, nunca vi nenhuma mulher agir assim. Se existe, tem que mandar internar. Por muito menos, se você falar um pouco mais alto, os criados vão embora. Está tão difícil conseguir criados bons. Graças a Deus, tenho criados de muitos anos”, diz.

Sempre apegada a animais, a empresária revela sua nova paixão: dar comida a rolinhas, que os pedreiros das obras vizinhas insistem em caçar para fazer churrasquinho. “Elas vêm todo dia de manhã quando abro a porta. Espalho canjiquinha no chão e elas avançam, comem tudo. Minha empregada conta que, quando os passarinhos passam nestas obras da Barra, o pessoal mata e come. Tenho até pavor de pensar num negócio desses, coitadinhas”, diz.

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"Mulheres Ricas": Lydia Sayeg, Débora Rodrigues, Val Marchiori, Narcisa Tamborindeguy e Brunete Fraccaroli

iG: Por que a senhora sumiu da mídia?
VERA LOYOLA:
Os emergentes foram muito invejados há dez, quinze anos. Tive dois sequestros na família, o do meu pai e do meu filho. Agora tenho netos também, preciso tomar cuidado. Meu filho é que pediu para eu não aparecer mais. Mas não se esqueceram de mim. Estava em Miami semana retrasada. As pessoas me viam e falavam: “Ih, essa é a Vera Loyola!”.

Está tão difícil conseguir criados bons. Graças a Deus, tenho criados de muitos anos”

iG: O que achou do programa “Mulheres Ricas”?
VERA LOYOLA:
Olha, minhas entrevistas sempre foram de coração, sinceras. Agora não seria diferente... Então não se assuste. Aquele programa é palhaçada, um circo de horrores. Não acredito que uma pessoa possa ficar 24 horas bebendo champanhe sem parar, com aquelas roupas sem nexo, longe da realidade.

iG: Foi chamada para participar do programa?
VERA LOYOLA
: Fui convidada, entrevistada para ser escolhida. Passei por várias etapas. Quando acabou a seleção da última entrevista, vi que era uma baixaria. Cheguei em casa e telefonei ao diretor. Falei que não precisava entrar na seleção, porque não iria participar de forma alguma. Não era o meu perfil de ostentação.

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iG: Não?
VERA LOYOLA:
Emergente é sinônimo de ostentação. Mas nunca fiz ostentação neste sentido. Minha ostentação era para mostrar que é possível chegar lá através do trabalho. Não sou de viver de aparências. Se tiver que fazer um comentário de determinada pessoa, faço. Não sou boazinha para estas coisas. A verdade dói, mas tem que ser dita.

Vera Loyola em chá beneficente no Rio, no final do ano passado
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Vera Loyola em chá beneficente no Rio, no final do ano passado

iG: O que há de errado com as participantes do “Mulheres Ricas”?
VERA LOYOLA:
Só tive coragem de assistir à estreia ( risos ). Vi um pedaço outro dia, achando que poderia ter melhorado. É tudo tão sem fundamento, ninguém aprende nada vendo aquelas cenas. Ali não estão retratados os cenários, tanto paulistano quanto carioca, da sociedade atual.

iG: Por quê?
VERA LOYOLA:
Ali estão desfrutáveis, não as mulheres, mas as personagens. Não são pessoas de categoria, acostumadas àquela vida. Quem falaria uma coisa como “Os pobres que me perdoem... Que horror ser pobre...”? Isso é uma ofensa. Pobre sempre vai existir. Não pode é ter miserável.

Vera Loyola, sempre de bom humor
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Vera Loyola, sempre de bom humor
iG: O que falta aos novos ricos do País?
VERA LOYOLA:
Está faltando sinceridade. Ninguém aparece para contar a verdade, para mostrar mensagens boas.

iG: A senhora bebe muito champanhe ao longo do dia?
VERA LOYOLA:
Não como o programa mostra! Bebo, saio para festas com meu marido. Bem acompanhada, bebo para brindar, gosto e sou apreciadora de uísque, caipirinha, cerveja, champanhe. Tudo dentro de um limite. Só no réveillon que a gente ultrapassa. Mas não acordo tomando champanhe!

iG: Já mentiu a idade?
VERA LOYOLA:
Nunca. Sabe por quê? Vou fazer 69 anos. Para minha idade, estou ótima. Sou uma senhora que tem alegria de viver, sou magra, ando na moda, faço ginástica e minhas amigas têm entre 47 e 57 anos. Minha genética é boa. Só coloco meus retoques, o botox e preenchimentos normais. Só fica inchadinho no começo...

iG: A senhora é tida como uma personagem da Barra da Tijuca. Gosta de como a novela “Fina Estampa” retrata o bairro?
VERA LOYOLA:
Não, a novela se perdeu. Aguinaldo (Silva) diz que foi a vários pontos da Barra e viu mulheres iguais à personagem da Christiane Torloni. É uma mentira, nunca vi nenhuma mulher agir assim. Se existir, tem que mandar internar. Por muito menos, se você falar um pouco mais alto, os criados vão embora. Está tão difícil conseguir criados bons. Graças a Deus, tenho criados de muitos anos...

iG: Arrepende-se de ter doado uma coleira da sua cadela para o programa “Fome Zero”, em 2003?
VERA LOYOLA:
Não me arrependo nem de ter votado no Lula. Aquilo foi o seguinte: minha cachorrinha ganhou do seu padrinho, que era joalheiro, uma corrente de ouro. Fiz um leilão e arrecadei uns vinte e poucos mil para o “Fome Zero”. Foi uma quantia pequena, só para estimular mais doações. Gosto dos animais... Adoro minha cachorrinha, a Perepepê. Há pouco estava fazendo curativo nela.

Elas (rolinhas) vêm todo dia de manhã. Espalho canjiquinha no chão e elas comem tudo ”

iG: Perepepê se machucou?
VERA LOYOLA:
É uma pug, está velhinha, com problemas de tireoide, diabética, ceguinha... Depois das três da manhã vou dormir com ela no outro quarto para não acordar o pai ( seu marido Pelino Bastos, de 67 anos, com quem está casada há 33 ). Converso com ela sempre: “Olha, filhinha. Mamãe te ama muito. Mas no dia que você não estiver se sentindo bem, a mamãe não se importa que você vá para o céu”.

iG: Tem outros cães?
VERA LOYOLA
: Não. Mas tenho dois gatos, Boneca e Bruno. Tenho uma varanda que era do quarto da minha filha, que dá para umas árvores, estou criando aqueles passarinhos, como é mesmo o nome...? Aquilo que o pessoal come... Tenho até pavor de pensar num negócio desses. Eles comem os bichinhos! É... rolinhas! Elas vêm todo dia de manhã, quando abro a porta. Chega a ter cinquenta. Espalho canjiquinha no chão e elas avançam, comem tudo.

Vera e o marido, Pelino, em um evento da Veuve Clicquot, em fevereiro
Divulgação
Vera e o marido, Pelino, em um evento da Veuve Clicquot, em fevereiro
iG: Quem come rolinhas?
VERA LOYOLA:
Minha empregada é quem disse. Depois que viu que elas estão gordinhas, disse que quando elas passam nestas obras aqui da Barra, e o que não falta são obras, o pessoal caça, mata e come. Eles gostam de rolinhas, coitadinhas. O pessoal das obras faz churrasco com elas... Estão enormes de gordas, umas graças. A ordem que dei aos meus empregados é: “quando não tiver canjiquinha no chão, tem que vir colocar comida para elas”.

iG: Devem fazer muita sujeira e barulho.
VERA LOYOLA:
Só fazem barulho na hora da revoada, se batem um nos outros, fica muita pena pelo chão. A vida dos bichos é sensacional. Tem uns machos que abrem as asas e não deixam os outros machos se aproximarem, ficam só cercados pelas fêmeas. Fico observando como eles vivem ( risos ). Conviver com animal é ótimo.

iG: É?
VERA LOYOLA:
Isso tudo faz a gente viver. É uma terapia. Estou no computador vendo bobagens, atravessando para o outro lado do mundo, lendo as colunas sociais, vendo moda, recebo mensagens no Facebook, e sempre de olho nas rolinhas. É bom para ocupar a cabeça.

iG: Além das rolinhas, com o que mais a senhora ocupa seu tempo?
VERA LOYOLA:
Estou no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas. O tempo passou, não almejo mais a televisão. Estava muito exposta na mídia. Fui terceira capa do New York Times, assunto em vários jornais da Europa. Uma coisa bárbara. Estava gostando. Mas não cuido mais das padarias. Quem administra os negócios são meus filhos. Estou de pernas para o ar.

Vera, em evento no Rio, ao lado do sósia de Charlie Chaplin
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Vera, em evento no Rio, ao lado do sósia de Charlie Chaplin

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