Comunicado da emissora anuncia projeto de reestruturação

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Segundo comunicado oficial enviado pela TV Cultura nesta segunda-feira (7), 150 pessoas foram demitidas da emissora. O desligamento dos funcionários deve-se a um projeto de reestruturação do canal, que quer investir em novos programas, ainda que com os custos reduzidos.

"A decisão foi baseada nas propostas feitas pelos gestores de cada uma das áreas envolvidas", diz o comunicado. A assessoria da Cultura disse ainda ao iG que as demissões ocorreram em áreas diversas. Programas como "Roda Viva", "Vitrine" e "Metropólis", no entanto, continuam com suas equipes intactas.

O presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad , já tenta há algum tempo reduzir o número de funcionários e colocar as contas da TV Cultura em dia. A dívida trabalhista da emissóra, que enfrenta processos indenizatórios de ex-funcionários já chega perto de R$ 160 milhões.

"Tinham muitos funcionários encostados, é uma empresa gigantesca, de 1,8 mil funcionários. Há tantas pessoas que muitas não têm nem funções. Isso acontece porque várias conseguiram voltar para a TV através de ações movidas na Justiça", explica um produtor que não quis se identificar.

Nos corredores da emissora, o clima é de tensão, mas também de muita dúvida. "Os funcionários da TV ficam sabendo do que está acontecendo pela imprensa", disse um funcionário ao iG. "Algumas demissões não foram confirmadas, estamos aguardando um comunicado até o final da tarde", completou.

Em agosto de 2010, a assessoria de imprensa da TV Cultura chegou a dizer que a empresa "não pretende fazer demissões em massa". Na época, correu nas redes sociais a notícia de que 80% do quadro de funcionários seria dispensado. "Esta história está sendo prolongada desde aquela época", disse uma fonte. Segundo a mesma pessoa, os funcionários comentam que "as damissões só não aconteceram antes por causa das eleições", disse.

A ideia de João Sayad, que assumiu a presidência do grupo em junho, é terceirizar a maioria dos programas da TV com produtoras independentes e até comprar no mercado internacional. "Peguei o Metropólis, um programa importante que está há 23 anos no ar, mas que estava virando um "agendão". Estou tentando agilizar o ritmo e as pessoas aqui estão mudando de acordo com a própria vontade", diz Cadão Volpato , que reassumiu o posto de apresentador e diretor do prigrama recentemente.

"Queremos ransformar o programa em um talk show mesmo. Em quatro meses de trabalho já entrevistei 180 pessoas. O Sayad está fazendo um ótimo trabalho. Ele entende muito de Economia e viu que enxugar os quadros era absolutamente necessário", continua Volpato, que não teve pessoas da equipe demitidas.

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