Relembre os mortos-vivos das novelas

Marcela de “Fina Estampa” é a nova representante dos personagens que fingem morrer na ficção e voltam para a trama

Lufe Steffen, especial para o iG |

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Suzana Pires como Marcela, a jornalista abelhuda de "Fina Estampa"


Em “Fina Estampa”, a vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni) já tentou matar diversas vezes a jornalista Marcela Coutinho (Suzana Pires). Essa trama da novela bem poderia ter o subtítulo de “Duro de Matar”. Marcela parece ter sete vidas, e sempre reaparece. Desta vez, após seu enterro, ela voltou a circular, mas afirmando ser Joana Coutinho, irmã gêmea da falecida. Estará dizendo a verdade? Ou tudo não passa de armação para se vingar de Tereza Cristina?

Enquanto esse conflito se desenrola na novela das 21h da Gllobo, o horário vespertino apresenta enredo semelhante. A reprise de “Mulheres de Areia” no “Vale a Pena Ver de Novo” mostra o duelo entre as gêmeas Ruth e Raquel (Gloria Pires). Raquel, dada como morta em um acidente de barco, está viva e volta, disfarçada e usando uma peruca, para infernizar a vida da irmã Ruth. O motivo: Ruth assumiu o lugar de Raquel como esposa do mocinho Marcos Assunção (Guilherme Fontes).

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E na pele de Joana, suposta irmã gêmea da morta Marcela Coutinho

Mais gêmeas

A primeira versão de “Mulheres de Areia”, em 1973, já utilizava a ideia. As gêmeas Ruth e Raquel (Eva Wilma) sofrem um acidente de barco. A malvada Raquel desaparece no mar. A mocinha Ruth acaba se passando pela irmã má, para se aproximar do homem que ama. Mas Raquel não morreu, e retorna para espanto de todos.

Outra novela sobre irmãs gêmeas trouxe uma sequência parecida. Em “Paraíso Tropical” (2007), a perversa Taís (Alessandra Negrini) tenta matar a bondosa Paula (papel também de Alessandra), e joga a irmã no mar. O objetivo era afogar a gêmea boa. Mas Paula é resgatada das águas, e algum tempo depois reaparece, surpreendendo Taís.

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Glória Pires como Ruth e Raquel, as gêmeas de "Mulheres de Areia" (1993), atualmente em reprise na Globo

Vítimas

Mocinhas sofredoras também usam a mesma estratégia para se livrarem de seus algozes. No clássico “Selva de Pedra” (1972), a heroína Simone (Regina Duarte) sofre um acidente de carro, enquanto estava sendo perseguida pelo vilão Miro (Carlos Vereza), que pretendia matá-la. A polícia encontra um corpo carbonizado. Simone é considerada morta. Mas o que ninguém sabia é que ela carregava no veículo uma passageira: sua empregada, a verdadeira vítima do desastre.

Tempos depois, Simone reaparece sob a identidade de Rosana Reis, irmã da “morta”, disposta a se vingar de seus inimigos. A farsa acaba sendo descoberta. No remake da novela, em 1986, a trama seguiu pelo mesmo caminho, e a nova Simone (Fernanda Torres) usou o mesmo truque.

Em “Marisol” (2002), novela mexicana que ganhou versão no SBT, a personagem título (Bárbara Paz) é uma moça pobre e sofredora que acaba se tornando herdeira de uma grande fortuna familiar. Seus inimigos planejam o assassinato da heroína. Quando tudo parece resolvido, ela retorna – agora na pele de Verônica – para combater os vilões e retomar seu lugar.

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Pereirinha (José Mayer), o primeiro morto vivo de "Fina Estampa"

Acidentes

Voltando a “Fina Estampa”, Marcela não é a primeira morta-viva da trama. Pereirinha (José Mayer) já marcou presença no início da novela. Para todos, o personagem tinha morrido havia cerca de 15 anos, quando seu barco desapareceu no mar. Mas na verdade ele estava vivo, e retornou para a família, exatamente quando sua “viúva” Griselda (Lília Cabral) ficou milionária.

Outros acidentes, mas de carro, também fizeram falsas vítimas. Em “Passione” (2010), a vilã Clara (Mariana Ximenes) passou por um desastre do tipo, no último capítulo. A polícia considerou Clara como morta. Mas ela terminou bem viva, trabalhando em uma clínica sofisticada em um país exótico.

Na mesma novela, Totó (Tony Ramos) já havia simulado a própria morte, para enganar a mesma Clara, que pensou ter assassinado o italiano milionário.

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Clara (Mariana Ximenes) e Totó (Tony Ramos) em "Passione": ambos simularam as próprias mortes, em momentos diferentes

Também escrita por Sílvio de Abreu, “Belíssima” (2005) recorreu ao mesmo entrecho. A grande vilã Bia Falcão (Fernanda Montenegro) explodiu dentro de um carro. Mas tudo não passou de uma armação da empresária, que simulou a própria morte e depois voltou.

Em “Guerra dos Sexos” (1983), Sílvio também apelou para algo do gênero. Por problemas com a censura da época, o autor precisou tirar de circulação a personagem Manuela (Ada Chaseliov). A atormentada mulher sofreu então um acidente de carro. Antes do veículo explodir, porém, ela havia atropelado uma mendiga, e colocou a mulher dentro do veículo. O corpo encontrado foi o da tal mulher.

Meses depois, Manuela voltou, tendo superado seus problemas com alcoolismo e a crise conjugal com o marido Fábio (Herson Capri) - que a essa altura já não tinha nenhum romance com Juliana (Maitê Proença). O namoro entre Fábio e Juliana foi a causa dos problemas com a censura, já que Fábio era um homem casado.

Premeditando a própria morte

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Léo (Gabriel Braga Nunes) fingiu ter morrido para enganar Norma (Glória Pires) em "Insensato Coração"

Mas não foi apenas Bia Falcão de “Belíssima” que simulou a própria morte. Outros personagens ficaram craques no assunto. O maior exemplo é Léo (Gabriel Braga Nunes), de “Insensato Coração” (2011). Ele simulou sua morte no início da trama, para desaparecer e conseguir dar um golpe em Norma (Glória Pires) - golpe que seria a espinha dorsal de toda a novela.

Em “A Favorita” (2008), o clima policial também dominava. Um dos melhores momentos foi o plano de Donatela (Claudia Raia), que trocou de identidade com Diva (Giulia Gam), uma presidiária. Donatela escapou da prisão e Diva botou fogo na cela. Donatela é dada como morta, mas está viva e longe dali, perseguindo a vilã Flora (Patrícia Pillar).

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Nanda (Fernanda Vasconcellos) aparece para a filha Clara (Joana Mocarzel) em "Páginas da Vida"

Equívocos

Existem também os personagens que estão vivos, e retornam inocentemente – sem saber que todos pensam que eles estão mortos. Em “Tieta” (1989), a população de Mangue Seco chora a morte de Tieta (Betty Faria), que foi embora da cidade há anos, e que teria morrido. Mas a personagem reaparece exatamente no momento em que todos os habitantes estão na igreja local, rezando uma missa pela alma da “morta”.

Já em “Roque Santeiro” (1985), o assunto é o tema central de toda a novela. Reza a lenda que Roque (José Wilker) morreu há 17 anos, defendendo a cidadezinha de Asa Branca do ataque de bandidos. Mas Roque não só fugiu da cidade sem lutar com os bandoleiros, como está vivíssimo. E retorna, para desespero dos poderosos do local, que vivem à sombra de sua gloriosa morte. Incluindo a farsante Viúva Porcina (Regina Duarte), aquela “que foi sem nunca ter sido”. Um enredo central genial, que foi um dos maiores trunfos da novela. E que pode ser revisto atualmente – “Roque Santeiro” foi lançada em DVD,e está sendo reprisada pelo Canal Viva.

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Eva Wilma e Christiane Torloni como Diná, nas duas versões de "A Viagem"

Espíritos

Para encerrar, os personagens que morreram sim – mas que, nas novelas, voltam para se comunicar com os vivos, na forma de espíritos. A campeã do gênero foi “A Viagem” (1994), cujo tema era exatamente o espiritismo.

Produzida pela TV Tupi em 1975, ganhou remake da Globo 19 anos depois. Na história, o rebelde Alexandre (Ewerton de Castro na primeira versão, Guilherme Fontes em 1994) comete suicídio. Inconformado com seu destino, passa a atormentar parentes e conhecidos que considera seus inimigos. Alexandre continua aparecendo em cena, mas os outros personagens não enxergam seu espírito.

Na segunda fase da novela, Otávio Jordão (Altair Lima / Antônio Fagundes), o principal inimigo de Alexandre, morre. E logo mais, Diná (Eva Wilma / Christiane Torloni), irmã de Alexandre e apaixonada por Jordão, também morre. Jordão e Diná, no plano espiritual, tentarão modificar a conduta de Alexandre.

Mais recentemente, em “Páginas da Vida” (2006), Nanda (Fernanda Vasconcellos) morria logo no início, após dar à luz os gêmeos Francisco e Clara. Mas Nanda continua aparecendo, como um espírito que tenta ajudar seus filhos, principalmente contra as maldades de Marta (Lília Cabral), mãe de Nanda.

No remake de “O Astro” (2011), fenômeno parecido ocorreu. Salomão Hayalla (Daniel Filho), assassinado, aparecia para seu filho Márcio (Thiago Fragoso), para dar conselhos ao rapaz e garantir que ele iria “salvar a raiz da família”. Um recurso, portanto, que ainda deverá ser usado eternamente nas novelas.

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Márcio (Thiago Fragoso) conversa com o espírito de Salomão (Daniel Filho) em "O Astro"

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