Confira trajetória da atriz e suas várias faces e fases

Regina Duarte como Clô Hayalla em
TV Globo
Regina Duarte como Clô Hayalla em "O Astro"


Regina Duarte está no ar há 46 anos. Desde sua estreia em novelas, em "A Deusa Vencida" (TV Excelsior, 1965), Regina se manteve em atividade na TV, com raros intervalos. E atualmente está de volta em dose dupla: como a Clô Hayalla de "O Astro" (no ar às 23h na Globo), e na reprise de "Roque Santeiro" (1985) no Canal Viva, onde encarna a Viúva Porcina, talvez sua mais famosa personagem - e vale lembrar que o próprio Viva acaba de reprisar "Vale Tudo" (1988), outro grande "hit" de Regina.

Ao longo dessa carreira, Regina viveu várias fases, cada uma marcada por um tipo de personagem. Relembre agora todas essas etapas da atriz.

Regina Duarte, Tarcísio Meira, Edson França e Glória Menezes em
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Regina Duarte, Tarcísio Meira, Edson França e Glória Menezes em "A Deusa Vencida", de 1965

A Namoradinha do Brasil

Logo no início, Regina se especializou em interpretar mocinhas românticas e sonhadoras. Honestas e puras, elas representavam o ideal de amor perfeito, simbolizado na figura da jovem com ares interioranos, de valores tradicionais - e essa imagem caiu como uma luva para o Brasil do final dos anos 60 e início dos 70.

Regina com Cláudio Marzo em
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Regina com Cláudio Marzo em "Véu de Noiva", de 1969

Apesar de sua estreia em novelas ter sido encarnando uma garota um pouco maquiavélica - a Malu de "A Deusa Vencida" -, na sequência Regina se encontrou fazendo a tal mocinha romântica. Na Globo, ela estreava em 1969, como a heroína Andréa de "Véu de Noiva".

Seguiram-se a caipira Ritinha de "Irmãos Coragem" (1970), a encantadora Patrícia de "Minha Doce Namorada" (1971), a dramática Simone Marques de "Selva de Pedra" (1972), a romântica Cecília de "Carinhoso" (1973), e a brejeira Bárbara de "Fogo Sobre Terra" (1974).

A atriz ao lado de Francisco Cuoco e Dina Sfat em
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A atriz ao lado de Francisco Cuoco e Dina Sfat em "Selva de Pedra", de 1972

Em todas essas tramas, as personagens de Regina reforçavam a imagem da mocinha preferida do país. E foi nessa fase que ela recebeu o apelido de "Namoradinha do Brasil".

A mulher divorciada e liberada

Mas Regina se cansou do rótulo, e decidiu mudar sua imagem. Em circunstâncias semelhantes à atual fase da cantora Sandy - que acaba de causar polêmica ao falar sobre sexo em entrevista à revista "Playboy" , além de ter sido garota propaganda da cerveja Devassa, fugindo da imagem de menina comportada que sempre a caracterizou -, Regina Duarte passou a se rebelar contra a fama de "namoradinha", e se afastou da TV durante três anos.

Regina como a aeromoça Cecília de
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Regina como a aeromoça Cecília de "Carinhoso", em 1973

Nesse período, ela se abrigou no teatro, onde estrelou uma peça polêmica que marcou época: "Reveillon" (1975). Ela ainda faria "O Santo Inquérito", de Dias Gomes , na temporada de 1978.

De volta à TV, a atriz fazia o papel título de "Nina" (1977), novela das 22h - a primeira da atriz nessa faixa. Nina era uma professora de um rígido colégio na São Paulo dos anos 20, que entrava em atritos com a moral conservadora da época. A novela não teve sucesso, mas Regina não desistiu de alterar sua imagem.

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Em "Nina", Regina encarnou uma professora da década de 20

Conseguiu, finalmente, com o seriado "Malu Mulher" (1979 e 1980). Ali, Regina era Malu, socióloga que se divorciava do marido machista ( Dennis Carvalho ), e passava a criar sozinha a filha adolescente ( Narjara Tureta ). O seriado abordou todos os temas relevantes da época: aborto, divórcio, masturbação, homossexualidade feminina, orgasmo, machismo e feminismo, agressão contra as mulheres, pressão familiar...

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Com o seriado "Malu Mulher", Regina conseguiu afastar o rótulo de Namoradinha do Brasil

Na pele de Malu, Regina enfim se livrou do rótulo de "Namoradinha do Brasil", e migrou para outra fase: a da mulher independente, sexualmente liberada, que vai à luta para sobreviver no mercado de trabalho dominado pelos homens.

Essa faceta renderia ainda outro seriado: "Joana" (1984 e 1985), exibido na TV Manchete e no SBT. Ali, Regina era uma jornalista investigativa que se envolvia em questões políticas e até criminais.

Mas a fase de mulher moderna estava se encerrando, e começava uma nova etapa para a atriz: a das mulheres fortes, poderosas, um tanto extravagantes, quase "bregas", mas irresistíveis.

Regina contracena com Narjara Tureta em
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Regina contracena com Narjara Tureta em "Malu Mulher"

As perigosas peruas

A primeira da lista é Luana Camará, de "Sétimo Sentido" (1982). Luana vivia em Casablanca, e retornava ao Brasil por questões financeiras. Mas ela tinha um segredo: era paranormal, e costumava "receber" o espírito de Priscilla Capricce, atriz italiana já falecida.

Regina com Francisco Cuoco, no casamento cigano de
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Regina com Francisco Cuoco, no casamento cigano de "Sétimo Sentido" (1982)

A exótica novela de Janete Clair foi longe e atingiu o auge durante o casamento entre Priscilla - no corpo de Luana - e Tião Bento ( Francisco Cuoco ), em um ritual cigano.

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Depois dessa extravagância, Regina viveu a famosa Viúva Porcina, em "Roque Santeiro". E virou mania no país inteiro: lançou moda com seus enormes brincos, lenços, laçarotes e turbantes. O look Porcina dominou o Brasil em 1985 , e fez de Regina - novamente - uma estrela nacional.

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Vieram na sequência a Raquel de "Vale Tudo" e a Maria do Carmo de "Rainha da Sucata" (1990). Ambas tinham parentescos entre si e com a própria Porcina - gostavam de gritar, eram consideradas "cafonas" e vinham de origem humilde. Mas conseguiam enriquecer às custas de trabalho: Raquel erguia um império no ramo alimentício, e Maria do Carmo era uma empresária da indústria automobilística, tendo se iniciado vendendo sucata.

Leia também: As Peruas do Mal na TV brasileira

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As Helenas

Após essa fase marcante, Regina migrou para uma nova etapa: as Helenas de Manoel Carlos . A atriz estrelou três novelas do autor, e em cada uma foi uma Helena diferente: "História de Amor" (1995), "Por Amor" (1997) e "Páginas da Vida" (2006).

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Embora tenha feito outros trabalhos nesse período, a atriz ficou marcada mesmo pela trinca de Helenas, e seus dilemas familiares e afetivos. A primeira enfrenta a gravidez da filha adolescente ( Carla Marins ). A segunda faz uma troca de bebês: o seu próprio filho pelo bebê morto de sua filha ( Gabriela Duarte ). E a terceira decide adotar uma menina portadora da Síndrome de Down.

Além de contracenar com sua filha na vida real - Gabriela Duarte - em "Por Amor", Regina também trabalhou com Gabriela na minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999). Ambas interpretavam a pioneira compositora brasileira.

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Fase atual

E quando a carreira de Regina parecia estar caminhando para uma incógnita, a atriz retorna como a Clô do remake de "O Astro". No papel que foi de Tereza Raquel na primeira versão da novela, Regina vem roubando a cena com sua criação.

Exagerada e quase histérica, muitas vezes beirando a caricatura, a atriz faz dessas características seus grandes trunfos. Algumas cenas de Clô fazem lembrar os grandes momentos da Viúva Porcina, de Raquel Accioli e de Maria do Carmo - e ao mesmo tempo mostram uma personagem nova, com um elemento que não havia nas personagens anteriores: a amargura e a solidão.

"O Astro" já está na metade de sua trajetória - a novela terá 64 capítulos. Em breve Clô se despede, e resta aguardar a próxima investida de Regina Duarte. Uma das atrizes mais populares do Brasil, e que conseguiu sobreviver a todos os rótulos que recebeu.

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