Veja o que mudou e o que ficou igual nos términos da novela em 1986 e em 2011

Murilo Benício, Claudia Raia e Alexandre Borges em
TV Globo
Murilo Benício, Claudia Raia e Alexandre Borges em "Ti-ti-ti" (2010/11)


"Ti-ti-ti" chegou ao fim nessa sexta-feira (18) como um dos maiores sucessos dos últimos tempos na faixa das 19h na TV Globo. Provando que, neste caso, valeu a pena realizar um remake. E não foi um remake apenas de uma, mas de duas novelas.

"Ti-ti-ti" (2010/2011) misturou duas novelas escritas por Cassiano Gabus Mendes (1929-1993): "Plumas e Paetês" (80/81) e "Ti-ti-ti" (85/86). Algumas tramas básicas dessas novelas serviram de espinha dorsal para a atualização feita por Maria Adelaide Amaral - que já havia atualizado Cassiano em 1997, ao realizar o remake de "Anjo Mau", original de 1976.

E como acontece em nove entre dez remakes de novelas, os desfechos acabam sendo modificados, pelo menos em parte. No final de "Ti-ti-ti", muita coisa saiu diferente das versões anteriores.

Em
Reprodução e TV Globo
Em "Plumas e Paetês"(80/81), Marcela (Elizabeth Savalla) morre diante de Edgar (Cláudio Marzo). Em "Ti-ti-ti"(2010/11), o casal (Ísis Valverde e Caio Castro) fica junto


A principal trama de "Plumas e Paetês" foi um exemplo. Na versão original, Marcela ( Elizabeth Savalla ) sofria um acidente de carro e acabava morrendo no último capítulo, punida por ter enganado a família de Edgar ( Cláudio Marzo ), além de fugir de seu antigo namorado, Renato ( José Wilker ). Ao final, Edgar ficava com o bebê de Marcela e Renato, e Renato terminava ao lado de Amanda ( Maria Cláudia ).

Na versão moderna, Marcela ( Ísis Valverde ) cativou os telespectadores desde o início, tornando sua morte intolerável para o público. Assim, ela sofreu o mesmo acidente de carro, ficou entre a vida e a morte, mas sobreviveu para terminar feliz ao lado de Edgar ( Caio Castro ), com o casal criando o bebê de Marcela e Renato.

Em
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Em "Plumas...", Amanda (Maria Cláudia) ficou com Renato (José Wilker). Em "Ti-ti-ti", Renato (Guilherme Winter) teve outro par no final: Isabel (Débora Falabella)


Renato ( Guilherme Winter ), por sua vez, terminou com Isabel ( Débora Falabella , que entrou na trama nas últimas semanas). E Amanda ( Thayla Ayala ), nesta versão, chegou a se envolver com Edgar, mas terminou mesmo ao lado de Armandinho ( Alexandre Slaviero ).

Com relação a "Ti-ti-ti", algumas coisas também mudaram, como o casal jovem central, Luti e Val. No final exibido em 86, Luti ( Cássio Gabus Mendes ) e Val ( Malu Mader ), terminavam juntos, depois de passarem a novela às turras. Desta vez, a novela surpreendeu: Luti ( Humberto Carrão ) ficou com Camila ( Maria Helena Chira ), e Val ( Juliana Paiva ) foi para a Europa estudar moda. No avião, encontrou-se com Érico ( Sidney Sampaio ), e tudo indica que um novo romance começou.

Na versão de 85, Luti (Cássio Gabus Mendes) e Val (Malu Mader) terminavam juntos. Desta vez, Luti (Humberto Carrão) preferiu ficar com Camila (Maria Helena Chira)
Reprodução
Na versão de 85, Luti (Cássio Gabus Mendes) e Val (Malu Mader) terminavam juntos. Desta vez, Luti (Humberto Carrão) preferiu ficar com Camila (Maria Helena Chira)


E até o protagonista Victor Valentim entrou na dança. Na novela original, Ariclenes/Victor ( Luiz Gustavo ) reatava com a ex-esposa Suzana ( Marieta Severo ), seu eterno amor. Em 2011, tudo mudou: Suzana ( Malu Mader ) ficou com o autor de novelas Fernando Flores, que surgiu no último minuto (uma participação especial de Fábio Assunção ).

Na versão anterior, Ari (Luiz Gustavo) ficou com Suzana (Marieta Severo). Desta vez, o personagem (Murilo Benício) optou por Marta (Dira Paes)
Reprodução/TV Globo
Na versão anterior, Ari (Luiz Gustavo) ficou com Suzana (Marieta Severo). Desta vez, o personagem (Murilo Benício) optou por Marta (Dira Paes)


E Ari ( Murilo Benício ) declarou-se para Marta ( Dira Paes ), seu braço direito - na versão original, a amargurada Marta ( Aracy Balabanian ) se envolveu com Ari ao longo da novela, mas terminou sozinha.

Pedro e Gabi: o casal teve final feliz nas duas versões - Paulo Castelli & Myriam Rios, Marco Pigossi & Carolina Oliveira
Reprodução/TV Globo
Pedro e Gabi: o casal teve final feliz nas duas versões - Paulo Castelli & Myriam Rios, Marco Pigossi & Carolina Oliveira


Mas nem tudo fugiu à regra. Três casais se repetiram nas duas versões: Pedro e Gabi, Chico e Nicole, Jacques e Clotilde. Pedro ( Marco Pigossi ) terminou pedindo perdão de joelhos para Gabi ( Carolina Oliveira ), e retomando o casamento com ela. Na versão anterior, isso também acontecia, mas bem antes do final. Pedro ( Paulo Castelli ) também ficou de joelhos diante de Gabi ( Myriam Rios ), e salvou o casamento dos dois, alguns meses antes do término da história.

Chico e Nicole acertam os ponteiros na versão anterior (José de Abreu e Lúcia Alves) e também na atual (Rodrigo Lopez e Elizângela)
Reprodução/TV Globo
Chico e Nicole acertam os ponteiros na versão anterior (José de Abreu e Lúcia Alves) e também na atual (Rodrigo Lopez e Elizângela)


O divertido casal Chico e Nicole (interpretado por José de Abreu e Lúcia Alves nos anos 80) manteve a tradição e terminou junto na versão atual ( Rodrigo Lopez e Elizângela ). E Jacques Leclair/André Spina ( Reginaldo Faria na primeira versão, Alexandre Borges na segunda) finalmente sossegou o facho ao lado de Clotilde ( Tânia Alves em 85, Juliana Alves em 2010).

O casal Jacques Leclair e Clotilde: juntos em 86 (Tânia Alves e Reginaldo Faria) e em 2011 (Juliana Alves e Alexandre Borges)
Reprodução/TV Globo
O casal Jacques Leclair e Clotilde: juntos em 86 (Tânia Alves e Reginaldo Faria) e em 2011 (Juliana Alves e Alexandre Borges)


E Jacqueline? A personagem original, interpretada por Sandra Bréa, era uma mulher chique e discreta, apaixonada por Jacques Leclair, mas que termina ao lado de Adriano ( Adriano Reys ). Na versão atual, Adriano ( Rafael Zulu ) é gay e terminou sozinho.

E Jacqueline, que roubou a novela inteira para si graças ao fantástico desempenho de Claudia Raia , desde o início foi uma personagem irreverente e debochada. Portanto, teve um final à altura: montou uma banda feminina, a Boletim de Ocorrência, ao lado de outras mulheres à beira de um ataque de nervos: Teresa ( Drica Moraes ), Gigi ( Maria Zilda ) e a Divina Magda ( Vera Zimmermann , que reviveu a personagem Magda, que ela mesma interpretou em "Meu Bem Meu Mal" - 90/91 -, também de Cassiano Gabus Mendes ).

Mas Jacqueline também ganhou uma sociedade com os estilistas Victor Valentim e Jacques Leclair, e os três terminaram sócios. Na versão original, Victor e Jacques apareciam envelhecidos, décadas depois, se estapeando em uma espécie de asilo.

As Jacquelines: Sandra Bréa em 1985, que terminou com Adriano (Adriano Reys). A versão de Cláudia Raia foi irreverente e ela acabou em uma banda feminina
Reprodução
As Jacquelines: Sandra Bréa em 1985, que terminou com Adriano (Adriano Reys). A versão de Cláudia Raia foi irreverente e ela acabou em uma banda feminina






Diante desse panorama, reforça-se a tradição de modificar os finais dos remakes, uma prática influenciada pelos novos tempos, a superação do velho esquema bem x mal, a mudança da mentalidade do público, e a tentativa de surpreender os espectadores, evitando repetir os mesmos desfechos. Resta saber se isso acontecerá nos próximos remakes que a Globo prepara: "O Astro" e "Guerra dos Sexos". Vamos aguardar.

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