Colecionando vilões em sua carreira, ator se surpreende com momento de reconhecimento popular por sua participação na “Dança dos Famosos”

Odilon Wagner, 57 anos
Isabela Kassow
Odilon Wagner, 57 anos

“Chegou o John Travolta!”. Um funcionário da produção do programa do Domingão do Faustão anuncia assim a chegada de Odilon Wagner . Aos 57 anos, tendo quatro décadas de carreira, ele agora finalmente se sente popular. “No dia seguinte ao que foi apresentado o elenco, fiquei impressionado como as pessoas buzinavam nas ruas para mim. Os porteiros dos prédios me cumprimentando, motoristas de ônibus chamando pelo meu nome. Não acreditava que poderia ser tão popular de uma hora para outra”, conta Odilon.

Além de ator, ele desempenha outra função, principalmente no período eleitoral. O de consultor em comunicação para políticos aprenderem a falar em público. Em entrevista ao iG , antes do ensaio no qual aprenderia os passos de lambada , Odilon fala da sua superação física e até dos discursos da presidenta Dilma. “Ela tem um tom muito professoral. Falta alegria nela, exatamente o que sobrava no Lula”, analisa.

iG: É seu momento mais popular na carreira?
ODILON WAGNER
: Sem dúvida alguma. É diferente, tem um apelo popular muito mais forte. Quando faço novela, as pessoas olham de longe, alguns se ariscam a dar um aceno ou um sorrisinho. Agora, dançando na TV, elas buzinam, acenam, chamam... É muito bacana!

iG: Como era sua relação com a dança?
ODILON WAGNER
: O mais próximo da dança que cheguei foi estudar música quando tinha uns 20 anos. Estudei flauta transversal e partituras para piano. Mas não consegui conciliar com a carreira de ator. Além disso fiz dois musicais, ‘Capital Federal’ e ‘O Homem de la Mancha’. Eram coreografias comuns, nada perto do que venho fazendo agora. 

Não existe ritmo fácil. Para o meu estilo de corpo, forró, lambada e disco são dificílimos, porque precisam de molejo
Isabela Kassow
Não existe ritmo fácil. Para o meu estilo de corpo, forró, lambada e disco são dificílimos, porque precisam de molejo

i G: O que te atrapalha mais: a idade ou a altura?
ODILON WAGNER:
Todos os grandes bailarinos do mundo são nanicos. A pessoa mais alta tem a tendência de ser mais desengonçada. Então preciso suprir este movimento, sem parecer ridículo. E tenho 57 anos. Isso atrapalha ainda mais, claro!

iG: Como?
ODILON WAGNER:
Estou à base de anti-inflamatório, relaxante muscular profundo, fazendo fisioterapia. As pernas e quadris, a lombar, os joelhos... Tudo dói. Estou há um ano sem jogar tênis, porque tive uma lesão grave no quadril . Faço fisioterapia há oito meses. Se não fosse por esta fisioterapia não conseguiria estar aqui hoje. Com a dança, faço agora sessões duas vezes por semana para o médico colocar minhas juntas de novo no lugar. Saio daqui quebrado.

Saiba qual é a opinião de Roberta Appratti, sua professora de dança

iG: Seu próximo desafio é a lambada. Qual é o grau de dificuldade desta dança?
ODILON WAGNER:
O mais perto que cheguei de uma lambada foi uma lombada ( risos ). A lambada tem esta coisa da sensualidade em um ritmo muito rápido. Não para um minuto sequer. Exige mais fisicamente do que qualquer outro ritmo já apresentado. Tem umas acrobacias ousadas para animar o público, além do tradicional coxa com coxa.

Imagino que bolero, valsa e tango devem ser mais fáceis pelo meu porte físico
Isabela Kassow
Imagino que bolero, valsa e tango devem ser mais fáceis pelo meu porte físico

iG: Você ainda atua como consultor de comunicação para políticos em época de eleição?
ODILON WAGNER:
Trabalho sim. Agora há pouco estava no estacionamento quando o prefeito de Recife me ligou para falar sobre isso. Ele vai buscar a reeleição... Isso começou lá nos anos 80, quando eu era amigo de alguns políticos. Tudo começou de forma desproposital. E foi crescendo. Hoje faço treinamento em comunicação para empresas e políticos, em áreas diversas.

Leia também: Bastidores do ensaio de Odilon aprendendo lambada

iG: Por que um político te procura?
ODILON WAGNER:
Cada um tem algo especifico para melhorar. A maioria deles tem facilidade muito grande em falar em público. Mas o caso mais detectável é o de ser prolixo demais nos discursos, se perdendo sem passar um foco na mensagem. Para alguns é foco, para outros é tique nervoso, outros tem vícios de linguagem, o medo de falar em público...

iG: Há políticos que temem falar em público?
ODILON WAGNER:
Medo de falar em público é o segundo maior medo da humanidade, só perde para o medo da morte. Isso em pesquisas no mundo inteiro. O que deixa uma pessoa apavorada é deixá-la na frente de um palco. Já trabalhei com juízes, desembargadores e advogados que sabem tudo sobre a lei, mas não conseguiam ser concisos na hora de organizar um pensamento. É a visão publicitária que lhes faltavam na hora da decisão.

iG: Quais são as principais dicas neste caso?
ODILON WAGNER:
Tem que saber o tempo que você vai ter, o que pode se jogar fora do discurso e para quem você está falando. O ideal é ter em mente que você precisar passar a mensagem como quem escreve para outdoor. É bater o olho e saber do que se trata. Ninguém fica parado na frente de um outdoor para ler um texto. Você passa por ele e já sabe do que se trata.

iG: E dá certo? Quais suas últimas vitórias nas urnas?
ODILON WAGNER:
Fiz a campanha do governador do Amazonas (Omar Aziz), da governadora do Rio Grande do Norte (Rosalba Ciarlini) e do de Minas Gerais (Antonio Anastasia). Fui vitorioso nas três.

Tudo pela dança: “Interrompi o processo de direção da peça ‘Como ter sexo com a mesma pessoa a vida inteira”, que vai estrear em São Paulo mais para o fim do ano’”
Isabela Kassow
Tudo pela dança: “Interrompi o processo de direção da peça ‘Como ter sexo com a mesma pessoa a vida inteira”, que vai estrear em São Paulo mais para o fim do ano’”

iG: Como avalia os discursos da presidenta Dilma?
ODILON WAGNER:
A Dilma melhorou muito desde quando era ministra para cá. Teve um trabalho muito bom de “mídia training”. Mas sinto que falta paixão no que ela diz. Toda vez que você se comunica com alguém, é importante que coloque energia suficiente para animar quem ouve. Ela tem um tom muito professoral. Falta alegria nela, exatamente o que sobrava no Lula.

iG: Você vem de uma ligação com a esquerda, mas trabalhou recentemente com políticos de direita. Não é contraditório?
ODILON WAGNER:
Não me incomoda, porque este trabalho não tem visão politica. Não trabalho com a política, mas com a conquista pessoal. É como o trabalho de um psicólogo. O terapeuta não pode julgar o analisado. Agora, é evidente que me dou ao direto de dizer não a pessoas com as quais não concordo. Seja selo histórico passado delas, seja pela vida nebulosa que mantêm.

iG: Para quem já disse não?
ODILON WAGNER:
É deselegante citar o nome delas.

iG: Receitaria aulas de dança para os políticos?
ODILON WAGNER:
Receitaria uma dança a qualquer pessoa. Todo mundo deveria ter esta experiência na vida, é deslumbrante. Equilibrar o prazer com a movimentação é um uma alegria indescritível.

Isabela Kassow
"Falta alegria no discurso da Dilma", analisa o ator, que também é consultor em comunicação

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