Fernando Schiavo, gerente de desenvolvimento de novos negócios do canal, fala sobre o futuro após um ano de sucesso

O Canal Viva, da TV por assinatura, completou um ano de existência em maio. Apesar de ter surgido nesse período, reprisando novelas da globais dos anos 90, como "Quatro por Quatro" (1994) e "Por Amor" (1997), foi somente a partir de outubro de 2010 que passou a investir nas reprises de grandes clássicos - entre eles "Vale Tudo" (1988), que estreou em 4 de outubro de 2010, tornando-se rapidamente o líder de audiência da TV paga no Brasil.

Glória Pires e Carlos Alberto Riccelli em
Divulgação/Viva
Glória Pires e Carlos Alberto Riccelli em "Vale Tudo": líder de audiência da TV paga


A partir dali, estava aberta a porta para que muitas outras pérolas produzidas pela Rede Globo nas décadas de 1980 e 1990 voltassem ao ar. Entre elas, minisséries como "Anos Dourados" (1986) e " Anos Rebeldes " (1992), seriados como " Armação Ilimitada " (1985-88), humorísticos como a "TV Pirata" (1988) e programas inesquecíveis, como o " Cassino do Chacrinha " (1982-88).

Alessandra Negrini no papel-título de
Divulgação/Viva
Alessandra Negrini no papel-título de "Engraçadinha"
O resultado foi visto na audiência. Em maio, o Viva foi o terceiro canal mais visto pelo público feminino com mais de 35 anos. Segundo dados do Ibope, o "Cassino do Chacrinha" atraiu um público total de 3 milhões de espectadores nos quatro domingos em que foi exibido.

Mas será esse interesse pelos clássicos da TV brasileira uma moda passageira ou uma tendência que veio para ficar? Poderão os antigos programas nacionais continuarem sendo consumidos, como acontece com os enlatados americanos? O TCM, também um canal por assinatura, se dedica basicamente às reprises de seriados dos Estados Unidos, como "A Ilha da Fantasia", "Magnum" e "Profissão: Perigo".

Pensando nisso, após um ano no ar, o Viva planeja os próximos passos. iG Gente conversou com Fernando Schiavo , Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios do canal, sobre o futuro e o passado do Viva.

iG: O Viva surgiu em maio de 2010, mas só alguns meses depois passou a investir nas reprises. Como foi tomada essa mudança de rumo?
Fernando Schiavo: Na verdade sempre investimos no mesmo perfil e com reapresentações na nossa grade de programação. O Viva é um canal de reencontros, que mexe com a memória afetiva do telespectador – independente se ele já viu o programa no passado ou se é sua primeira vez. Essa é uma das missões e que ele vem cumprindo com êxito desde sua estreia.

Gabriela Duarte e Carlos Alberto Riccelli em
Divulgação/Viva
Gabriela Duarte e Carlos Alberto Riccelli em "Chiquinha Gonzaga"

iG: O Canal esperava que as reprises fariam tanto sucesso?
Fernando Schiavo: A nossa expectativa em relação ao Viva sempre foi alta, ainda mais por se tratar de um canal especialmente desenvolvido para atender a uma fatia que ainda estava carente de conteúdo na TV por assinatura – as mulheres com mais de 35 anos. Com o passar dos meses, percebemos que o canal é bem aceito entre toda a família. Também nos surpreendemos com a repercussão da programação nas redes sociais, um resultado extremamente positivo e que mostra a expansão por todo tipo de público, principalmente o jovem.

Jô Soares em cena do humorístico
Divulgação/Viva
Jô Soares em cena do humorístico "Viva o Gordo"
iG: Por quê começaram reprisando novelas dos anos 90 (Quatro Por Quatro, Por Amor), e só depois investiram na década de 80 (Vale Tudo, Roque Santeiro)?
Fernando Schiavo: Na verdade, temos três faixas dedicadas às novelas, e com isso, buscamos diversificar os anos, os autores e as temáticas. As novelas da faixa das 0h45 são mais antigas, dos anos 80. As da tarde (15h30 e 16h30) são focadas nos anos 90. A grade do canal é linear e facilita a compreensão de quem nos assiste, que consegue identificar o conteúdo.

iG: Vocês acreditam que exibir coisas mais antigas ainda (da década de 70) seria uma ameaça ao hoje consolidado "padrão Globo de qualidade"?
Fernando Schiavo:
Não, novelas mais antigas são marcos na televisão brasileira. Podem não ter o mesmo acabamento estético das atuais, mas os roteiros, atuações e direções são excelentes. Isso é uma qualidade atemporal e é o que buscamos exibir no Viva.

iG: Qual o saldo desse primeiro ano do Viva e quais os planos para o futuro?
Fernando Schiavo:
Foi um período totalmente positivo. O Viva teve um ótimo desempenho em todas as áreas, tanto em termos de audiência quanto com o mercado publicitário. E isso tudo já no seu primeiro ano de vida. Quanto ao futuro, seguimos investindo em uma programação de alta qualidade, com resgate de clássicos e diversidade de horários. E sempre acompanhando os desejos do nosso público.

Glória Pires na minissérie
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Glória Pires na minissérie "Memorial de Maria Moura"

Novelas exibidas pelo Viva até o momento:
Faixa das 15h30 - Quatro por Quatro (1994) / Vamp (91, no ar)
Faixa das 16h30 - Por Amor (1997) / O Rei do Gado (1996, no ar)
Faixa das 00h45 - Vale Tudo (1988) / Roque Santeiro (1985, estreia em 18 de julho)

Minisséries (faixa das 23h30):
A Casa das Sete Mulheres (2003)
Memorial de Maria Moura (1994)
Chiquinha Gonzaga (1999)
Desejo (1990)
Engraçadinha (1995)
Sex Appeal (1993)
Dona Flor e seus Dois Maridos (1998)
A Muralha (2000)
Anos Dourados (1986)
Anos Rebeldes (1992)
AEIOUrca (1990, estreou em 27 de junho)

Samara Felippo,Mariana Ximenes, Daniela Escobar e Camila Morgado em
Divulgação/Viva
Samara Felippo,Mariana Ximenes, Daniela Escobar e Camila Morgado em "A Casa das Sete Mulheres"






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