Minissérie clássica que revelou astros como Malu Mader volta à TV

O Canal Viva , da TV por assinatura, está completando um ano de existência no mês de maio. Para comemorar, foi programado um pacote de clássicos da TV Globo, que serão exibidos ao longo do mês. Entre eles está “ Anos Dourados ” – no ar de segunda a sexta, às 23h, com reprise às 4h30 da manhã, até o dia 27/05.

Malu Mader e Felipe Camargo em
Divulgação/Viva
Malu Mader e Felipe Camargo em "Anos Dourados"


Exibida originalmente em maio de 1986, há exatos 25 anos, a minissérie foi um marco da teledramaturgia brasileira. Foi a primeira experiência do autor Gilberto Braga no mundo das minisséries, e contou com a direção brilhante de Roberto Talma , além de consagrar jovens atores que, naquele momento, tinham pouca ou nenhuma experiência na TV, como Felipe Camargo , Malu Mader , Isabela Garcia, Taumaturgo Ferreira e Antônio Calloni .

A trama se desenrola no Rio de Janeiro entre novembro de 1956 e o final de 1959, os chamados “anos dourados” do Brasil. No bairro da Tijuca, zona norte carioca, acontecem duas histórias de amor proibido: a normalista Lurdinha (Malu) apaixona-se por Marcos (Felipe), aluno do Colégio Militar e filho de pais desquitados. Enquanto isso, a mãe dele, Glória ( Betty Faria ), se envolve com o aviador Major Dornelles ( José de Abreu ), um homem casado.

A partir desses romances impossíveis – a família de Lurdinha não aceita Marcos, por ele ser filho de desquitados; e Dornelles não tem coragem de se separar da esposa para ficar com Glória – , o autor teceu um retrato perfeito da sociedade carioca da época, criando um excelente painel histórico.

Todos os preconceitos, a repressão sexual, a hipocrisia, os tabus e proibições daquela fase aparecem na história, denunciando o absurdo da sociedade por trás de toda a beleza e magia dos bailes da época.

E já que o assunto é o período histórico, a reconstituição de época é um show à parte. A cenografia, os figurinos e a direção de arte atingiram a tônica certa, num raro momento da TV brasileira.

Um grande trunfo é também a atuação do elenco. Interpretações primorosas, com destaque para Betty Faria, José de Abreu, Lúcia Alves e Nívea Maria .

Ainda, vale mencionar todas as cenas com Yara Amaral (1936-1988), grande atriz brasileira, especialista em interpretar mães neuróticas e insanas. No papel de Celeste, mãe de Lurdinha, ela se superou, apresentando uma atuação impressionante e inesquecível.

Além de Yara, a reprise da série também mata as saudades de grandes atores já falecidos e que fazem falta em nossa TV atualmente: Milton Moraes, José Lewgoy, Tânia Scher, Paulo Villaça, Jece Valadão e Cláudio Corrêa e Castro .

No núcleo jovem, o frescor das atuações de Malu Mader e Felipe Camargo convive com a irreverência dos personagens de Isabela Garcia e Taumaturgo Ferreira . Entre tantas cenas antológicas, vale lembrar a conversa sobre sexo entre Urubu (Taumaturgo) e Lurdinha (Malu); e o momento em que Rosemary (Isabela) e Marcos (Felipe) tentam fazer sexo, mas desistem.

Tudo isso chega às telas apoiado no brilhante roteiro de Gilberto Braga . Mesmo 25 anos após ir ao ar, e falando sobre um período ocorrido há mais de 50 anos, o texto da minissérie continua atual e certeiro. Como afirmou o ator Cláudio Corrêa e Castro (1928-2005), que interpreta o pai de Lurdinha, no DVD sobre a série lançado em 2003: “Nas óperas, existem diversas cenas e músicas, até que surge o grande momento: uma ária. ‘Anos Dourados’ foi uma ária, um dos momentos mais perfeitos da TV”.

Confira imagens da minissérie na galeria a seguir.

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