Afastada das novelas desde 2004, a musa da TV dos anos 1980 diz que redescobriu o amor e a paixão por atuar após a morte do marido

Mayara Magri:
André Giorgi
Mayara Magri: "'As Pontes de Madison' mexe muito com as emoções, mas quantos pares românticos eu já tive na vida? Eu nunca tinha namorado um ator"
Mayara Magri surpreende ao dizer que tem 49 anos. Parece que o tempo passou mais lentamente para a atriz que conserva as mesmas feições da época em que estourou na TV na novela “A Gata Comeu”. E lá se vão mais de 25 anos. O sorriso largo de menina que se abre constantemente manteve-se ao longo dos anos, mas certamente ganhou mais brilho nos últimos meses. Mayara voltou a se apaixonar: por um novo homem e pela profissão. Dois tipos de amor que pensou que nunca mais sentiria.

Claro que eu errei, todo mundo erra", sobre o caso com Herval Rossano quando era casado com Nivea Maria

Com a morte do ex-marido 29 anos mais velho, o diretor Herval Rossano , em 2007, a atriz ficou mais reservada e quase abandonou a profissão. “Chega uma hora em que você acredita que nada mais vai aparecer na sua vida. Pensava: ‘acho que já trabalhei muito, acho que já amei, não vou mais viver isso’. De repente, a vida muda tudo”, diz ela. 

O que desviou o rumo de Mayara foi um convite da diretora Regina Galdino para estrelar a peça “As Pontes de Madison”. O espetáculo a fez redescobrir a paixão de subir ao palco e reencontrar o ator Flávio Galvão , seu parceiro em cena e também na vida real. "Foram duas coisas avassaladoras”, diz a atriz, em sua ampla casa em São Paulo recheada de memórias. Foi lá que ela se casou com Herval, em 2005, e também onde o diretor morreu, em decorrência de problemas cardíacos. Mas uma nova aquisição na decoração conta um novo capítulo de sua história. Em uma das paredes, a atriz pendurou uma enorme foto do beijo que ela e Flávio dão em cena. Confira o bate-papo com Mayara.

André Giorgi
"Eu dei sorte, só fiz personagens marcantes na televisão", diz a atriz

iG: Como começou o namoro com o Flávio Galvão?
Mayara Magri : Em 1984, a gente fez uma novela, a minha primeira na Globo, “Amor com Amor se Paga”, mas não lembramos um do outro. Aí passou toda uma vida e eu fui chamada para fazer "As Pontes de Madison" e não sabia quem seria o ator. O produtor me liga e diz que fechou com o Flávio Galvão. Eu falei ok, a gente não tinha relação nenhuma. Essa peça mexe muito com as emoções, mas quantos pares românticos eu já tive na vida? Eu nunca tinha namorado um ator. São coisas que acontecem, são encontros. Começamos a ensaiar, mas eu não percebia nada. A gente estreou, e na segunda cidade ele começou a demonstrar alguma coisa e eu também, aconteceu. Ele estava em processo de separação e começamos a namorar.

Quantos pares românticos eu já tive na vida? Eu nunca tinha namorado um ator"

iG: Como vocês lidam com essa convivência intensa, já que estão sempre juntos, viajando com a peça?
Mayara Magri: A nossa profissão só completa a nossa vida. Viajar e trabalhar com ele no fundo está sendo muito melhor do que se eu tivesse fazendo toda essa loucura sozinha com alguém me esperando em casa. Teve semana que a gente fez três cidades, dormia em três hotéis diferentes. É muito estressante, mas é o que gostamos de fazer. Temos uma química no palco, mesmo antes de a gente começar a namorar. São coisas que acontecem sem explicação.

Claudio Augusto
"Em 1984, a gente fez uma novela, a minha primeira na Globo, 'Amor com Amor se Paga', mas não lembramos um do outro', conta, sobre o namoardo, o ator Flávio Galvão

iG: Sua última novela foi “A Escrava Isaura”, em 2004, na Record. Sente saudades da televisão?
Mayara Magri: Sim e não. Tenho saudade dos colegas, do dia-a-dia. Mas também não tenho saudade do dia-a-dia, você fica internada sete meses, vivendo só aquilo. Se aparecer (oportunidade de novela) para mim ou para o Flávio, acho que compromete a peça. Não que a gente não queira diversificar o trabalho, mas vamos ter que pensar o que fazer. Para o ator, a coisa mais bacana é a resposta do público e no teatro você tem ali na hora. No teatro você não pode falar hoje eu não vou, na televisão ainda dá. Teatro é ali na hora, com dor, com o que tiver de ser, mas é o que faz a grandeza do ator, ele está lá inteiro.

Não tenho que me desculpar por nada do que fiz na minha vida"

iG: O público te cobra para você estar na televisão?
Mayara Magri: O tempo todo. Ontem estava com o pessoal da peça num dessas casas de pamonha na estrada e virou um burburinho que parecia que eu estava numa novela. Comecei a posar para fotos e dar autógrafo, foi um alvoroço que não dá para explicar. Não é todo dia, mas ontem aconteceu. E eu estava saindo quando uma senhora gritou: ‘eu quero te ver de biquíni na próxima novela’. Eu dei sorte, só fiz personagens marcantes na televisão.

Na capa da
Divulgação
Na capa da "Playboy", em 1986, no casamento com Herval Rossano, em 2005, como a mimada Babi, de "A Gata Comeu" (1985), e na novela "Helena" (1987)

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iG: A Globo sempre foi o auge para um ator na TV. Por que deixou a emissora?
Mayara Magri : Eu estava em "A Gata Comeu" (1985), que foi uma novela de muito sucesso, e fui chamada para fazer “Dona Beija” na Manchete. Era jovem, queria desbravar o mundo, tanto que a gente desbravou, não foi fácil. Gravávamos num lugar horrível, num calor horrível, sem ar condicionado, mas até hoje sou reconhecida na América Latina inteira por causa dessa novela. Então foi uma coisa de apostar. Depois de “Dona Beija”, eu voltei para a Globo para fazer “O Salvador da Pátria” (1989). Passei por todas as emissoras.


iG: EM 2009, você deu uma entrevista para o programa da Márcia Goldschmidt em que chorou no ar e pediu desculpas para a atriz Nivea Maria, ex-mulher do Herval Rossano. Como lidou com a grande repercussão dessa história?
Mayara Magri: Para falar a verdade, eu não deveria ter ido porque eu sabia que iria chorar. Eu ainda estava fragilizada, fazia dois anos que o Herval tinha morrido , e eles insistiram, me ligavam e eu fui. Se tivesse mais forte, eu não teria me exposto tanto porque eu não sou uma atriz de exposição, sempre fui reservada. Achei que me expus demais, chorei muito, não consegui me controlar. Daí vira capa (de revista), pegam um foto minha chorando e colocam com a frase me desculpando.


Sobre Herval Rossano:
André Giorgi
Sobre Herval Rossano: "Eu não tenho porque pedir desculpas, casos acontecem escondidos. Tivemos um caso em 'A Gata Comeu', eu tinha vinte e poucos anos"


iG: A frase à qual você se refere é o pedido de desculpas a Nivea Maria?
Mayara Magri : Foi assim: ‘Se eu machuquei alguém, no caso ela, que já estava separada do Herval, me desculpa, sinto muito’. Aí vira: ‘Mayara pede desculpas’. Fica chato para mim, nunca conversei com ela, nunca trabalhei com ela. Parece que quero aparecer. Se eu estivesse mais forte, falaria com menos emoção, mais centrada, eu sou uma mulher inteligente. De repente parece que você é uma babaca, uma idiota, que vai a um programa de televisão pedir desculpa. Não fui lá para isso, mesmo. Não tenho que me desculpar por nada do que fiz na minha vida, desde o dia em que eu cheguei a São Paulo aos 17 anos, vinda de Mogi Guaçu (interior de SP). Claro que eu errei, todo mundo erra. Mas um erro a ponto de chorar e pedir perdão? Não.

Pensava: ‘Acho que já trabalhei muito, acho que já amei, não vou mais viver isso’. De repente a vida muda tudo"

iG: Você nunca encontrou com ela em nenhuma ocasião de trabalho?
Mayara Magri: Nunca. Só no enterro dele. A gente se cumprimentou e só.

iG: Mas você teve mesmo um caso com o Herval enquanto eles eram casados?
Mayara Magri: Não tenho porque pedir desculpas, casos acontecem escondidos. Tivemos um caso em "A Gata Comeu", eu tinha vinte e poucos anos. Mas a gente só se reencontrou 20 anos depois, eles já tinham se separado, eu tenho o divórcio do Herval, provo que eles se separaram e provo que a gente se reencontrou depois.

iG: Como aconteceu esse reencontro?
Mayara Magri: Ele me procurou um dia, sem mais nem menos, porque tinha visto uma entrevista minha, e disse que precisava muito me ver, falar comigo. Ele já estava doente, estava muito sozinho e aí começamos a nos relacionar de novo. Casamos no civil, fizemos uma festa aqui em casa e em 2007 ele morreu, morreu na nossa cama.

iG: Como superou a perda?
Mayara Magri : Viajei, fui vivendo a minha vida. Tentei namorar um rapaz, fiquei oito meses, mas eu tinha perdido o encanto. Você acredita que nunca mais vai amar, que seu amor era aquele e morreu. Mas a vida continua. Chega uma hora em que você acredita que nada mais vai aparecer na sua vida. Pensava: ‘Acho que já trabalhei muito, acho que já amei, não vou mais viver isso’. De repente a vida muda tudo. Uma vez li uma entrevista do (ator) John Travolta e aquilo me emocionou muito. Ele foi um boom e sumiu, apagou, e quando ele voltou com "Pulp Fiction", ele falou: ‘Você acredita que sua vida acabou, que você não tem mais uma segunda chance e ela te dá uma segunda chance’.

iG: A vida te deu uma segunda chance?
Mayara Magri: Sim, a vida me deu uma segunda chance tanto pessoalmente quanto profissionalmente.

iG: Você nunca teve vontade de ter filhos?
Mayara Magri: Já pensei várias vezes e já desisti várias vezes. Agora, eu acho muito difícil. Adoro crianças, curto muito meus sobrinhos. Mas fazer inseminação artificial é um processo dolorido para a mulher. Talvez possa adotar uma criança se o relacionamento der certo, se a gente se casar, aí pode até ser.

Serviço:

“As Pontes de Madison” em São Paulo
Única apresentação dia 21/10 (sexta-feira) às 21h
Esporte Clube Pinheiros - Auditório CCR (R. Tucumã, 36 )
Ingressos: R$ 35,00 / Convidado de associado: R$ 70,00

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