O apresentador do "CQC" fala sobre concorrência, dinheiro e do sonho de ser piloto de avião

Marcelo Tas
Luciano Trevisan
Marcelo Tas

Com 27 anos de televisão, o apresentador Marcelo Tas já passou três vezes pela Rede Globo, a maior emissora do País, mas não acredita que isso tenha sido o mais importante em sua carreira de comunicador. “Tem gente que coloca a Globo como um fim. Mas não pode ser assim”.

Apresentador de uma das atrações de maior sucesso da TV brasileira e de maior audiência da Band, o "CQC", Tas diz não ser escravo da audiência e se sente “estimulado e copiado” pelos concorrentes, entre eles os programas “Legendários”, da Record, e “Pânico na TV!”, da Rede TV!.

Ronaldo e os apresentadores Rafinha Bastos, Marco Luque e Marcelo Tas
Reprodução/Twitter
Ronaldo e os apresentadores Rafinha Bastos, Marco Luque e Marcelo Tas
Na primeira atração da temporada 2011, que começou há duas semanas, Tas e sua equipe já começaram bem. Eles conseguiram um dos feitos mais desejados dos últimos tempos: levaram o ex-jogador Ronaldo Nazário para falar sobre seu peso ao vivo na atração, que alcançou 8 pontos no Ibope e a terceira posição no horário, segundo a assessoria de imprensa da emissora.

Em entrevista exclusiva ao iG Gente , o apresentador que ganhou fama nos anos 1980 como o repórter cara-de-pau Ernesto Varela, se mostra confiante e tranquilo em relação as suas escolhas na carreira e na vida pessoal, como ter filhos durante um período tumultuado de trabalho ou quando desistiu de seu sonho em ser piloto de avião.

Confira o bate-papo realizado nos estúdios da emissora...

iG: Como é estar à frente de um programa que é um dos líderes de audiência desde a estreia?
Marcelo Tas: É um pouco esportes radicais sabe? Toda semana tem uma questão diferente para ser resolvida, a gente provoca uma juventude muito crítica, inquieta. É como você fazer academia todo dia, umas oito horas.

iG: Como você lida com a crítica?
Marcelo Tas: É uma coisa que me estimula muito. Mas sei o que devo levar em consideração, entendo quando uma crítica é puramente ofensiva, ou quando ela própria busca querer aparecer mais do que o próprio artista. Já fiquei chateado e decepcionado com algumas pessoas, a gente vive hoje numa velocidade que até jornalistas experientes pisam em casca de banana. Pessoas que eu respeito muito começaram a ficar muito levianas.

Luciano Trevisan
"Já fiquei chateado e decepcionado com algumas pessoas", diz Marcelo Tas sobre crítica

iG: E que aprendizado você traz da longa carreira?
Marcelo Tas: Meu único objetivo na vida é tentar me conhecer melhor. A gente reflete muito pouco sobre o que nós estamos fazendo aqui, porque a nossa vida passa muito rápida e a maior parte do tempo a gente fica só apagando incêndio. E você às vezes perde um pouco o horizonte do que é essa experiência, do que é estar vivo, ou qual é o seu papel em um País tão miserável como o Brasil.

iG: Você já esteve na Globo por três vezes e não ficou. Nunca sentiu receio de sair de lá?
Marcelo Tas: Trabalhei em quase todas as emissoras de televisão. Tem gente que coloca a Globo como um fim. Eu acho uma bela emissora de televisão, mas não pode ser assim. Saí de casa com 15 anos. Fiz engenharia, parei, fui fazer comunicação, fiz teatro, depois saí, depois fui fazer vídeo com Fernando Meirelles , saí de novo, fui para a Globo, saí, fui pra Nova York estudar. Ou seja, sempre abro mão das coisas quando eu busco essa missão de me conhecer ou poder me divertir mais com o que eu faço.

Os concorrentes
Luciano Trevisan
Os concorrentes "estimulam muito" o "CQC"
iG: Mas você tem filhos. Isso não te limitou nem um pouco?
Marcelo Tas: Muito pelo contrário, os filhos só expandem a gente. Isso é outra pista falsa que o pessoal recebe. É claro que tem uma idade para ter filhos principalmente se você é mulher. Não deixe passar dos 30. Isso eu aprendi na prática.

iG Gente: Qual foi a grande conquista que já teve?
Marcelo Tas: A minha grande conquista sem dúvida foi tirar a carteira de motorista. Tirei com 18 anos porque não dava pra tirar antes. Dirijo desde os nove anos. Eu sempre quis ser piloto, fui ser piloto de aviões, dos 15 aos 18 eu estudei para isso, ia ser piloto de caça. Eu ainda tenho tempo, quem sabe...

iG: Os outros programas humorísticos, como "Legendários", "Pânico na TV", incomodam o "CQC" de alguma forma?
Marcelo Tas: Ao contrário, eles nos estimulam muito. Eles já copiaram a gente, eles que se "inspiraram", digamos assim. Mas acho que existe muito mais uma troca. Principalmente o "Pânico", que acho muito criativo, respeito os caras pelo tempo de vida. Gosto demais de algumas coisas, como tem coisas que não são do meu gosto.

iG: Como o que, por exemplo?
Marcelo Tas: Ah, isso até eu falei com eles. Às vezes tem muita agressividade física, você sair batendo nas pessoas na rua e sair correndo, por exemplo. Isso acho que até eles já pararam de fazer um pouco. Ou mesmo a violência pela violência mesmo, colocar as pessoas em situações extremamente radicais ou de medo. Às vezes eles se machucam. Eu entendo que isso atrai a audiência.

iG: Por quê? Acha que é isso que a sociedade quer?
Marcelo Tas: Acho que essa audiência pela violência é a nossa perplexidade diante da vida e da morte. Isso para mim é um suicídio comercial. Para a gente fazer esse programa aqui, são 40 pessoas, sete dias por semana. Seria mais fácil ter todo dia um motoqueiro atropelado, mas a gente prefere não matar o motoqueiro por semana, apesar deles morrerem diariamente na cidade de São Paulo.

iG: Muitos programas da televisão aberta abordam isso.
Marcelo Tas: Mas leva o programa ao esquecimento, à falência, como aconteceu com o "Aqui Agora", como aconteceu com o Ratinho, o homem mais poderoso da televisão e hoje é um arremedo do que ele foi, não tem nenhuma importância hoje, nem comercial.

Nos países civilizados, quando alguém tem dinheiro, as pessoas pensam, 'olha lá um cara bem sucedido, o cara tem dinheiro'
Luciano Trevisan
Nos países civilizados, quando alguém tem dinheiro, as pessoas pensam, 'olha lá um cara bem sucedido, o cara tem dinheiro'

iG: O "CQC" é um dos programas que mais traz dinheiro para a emissora. Você deve estar ganhando mais também. O dinheiro faz diferença na sua vida?
Marcelo Tas: Quando você tem dinheiro, ele é resultado de uma energia que você colocou num trabalho e ele te possibilita depois gastar essa energia com coisas que você decide gastar. Porque até há muito pouco tempo, para muita gente até hoje, o dinheiro significa picaretagem, malandragem, corrupção, e não é assim. Nos países civilizados, quando alguém tem dinheiro, as pessoas pensam, 'olha lá um cara bem-sucedido, o cara tem dinheiro'.

iG: Você participou do filme “Muita Calma Nessa Hora” ao lado de diversos humoristas. Como é sua relação com os“concorrentes”?
Marcelo Tas: Sou amigo do Bruno (Mazzeo) , Pedro Cardoso . O Jô (Soares) é uma figura que me liga e a gente conversa muito por telefone, o Tom Cavalcante também. Dos jovens que estão na parada, o Emílio (Surita) , a Sabrina (Sato) , gosto muito daquele pessoal, o Ceará, o Vesgo. São pessoas que me estimulam, que me respeitam.

iG: Além de ser bom comunicador, você é bom em quê?
Marcelo Tas: A única coisa que faço bem é caipirinha. E olha que eu conheço muita gente que faz caipirinha, mas a minha é melhor (risos).


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