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Internautas dizem que ficariam "chocados" com beijo gay na TV

Final de "Ti-ti-ti" não mostrou beijo de Julinho e Thales; Confira a polêmica e uma retrospectiva dos personagens gays das novelas

Lufe Steffen, especial para o iG |

TV Globo
Thales (Armando Babaioff) e Julinho (André Arteche): sem beijo
Mais uma vez uma parcela do público de TV ficou a ver navios. O final da novela "Ti-ti-ti", exibido pela Globo na sexta-feira (18), mostrou os personagens Julinho (André Arteche) e Thales (Armando Babaioff) em um final feliz - mas sem trocarem nenhum beijo na boca. O que até então era discutido como uma possibilidade nas redes sociais.

A história se repete desde que o mundo das novelas mostrou o primeiro casal gay mais abertamente, em "A Próxima Vítima" (1995), de Sílvio de Abreu. O casal Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes) acabou sendo bem-aceito pelo público, mas não teve beijo no fim. Vale lembrar que o ator André Gonçalves chegou a ser agredido por um homem em um banheiro de uma boate carioca, na época, por estar fazendo um personagem gay na TV.

Outras tentativas foram feitas, até chegarmos ao anti-clímax de "América" (2005), dez anos depois. A autora Glória Perez confirmou que escreveu a cena do beijo final entre Júnior ( Bruno Gagliasso ) e Zeca (Erom Cordeiro), mas o trecho não foi ao ar, frustrando muita gente.

TV Globo/Renato Rocha Miranda
Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) em "América": beijo gravado, mas censurado antes de ir ao ar


Desta vez, com "Ti-ti-ti", já se esperava que não fosse existir o beijo, considerando que a novela era exibida às 19h, ao contrário de "A Próxima Vítima" e "América" - no horário das 20h ou 21h. Ainda assim, o iG Gente perguntou aos leitores se eles queriam ver esse beijo. O resultado está AQUI

Para surpresa geral, o público das novelas continua bastante conservador. O resultado da nossa enquete mostra que a maioria (43%) disse que não gostaria de ver o beijo gay, pois se sentiria "chocado". Em segundo lugar (27%), a resposta foi positiva, de que está na hora da TV retratar essa realidade.

Com isso, reforça-se a repressão à comunidade gay. O beijo, coroando o final feliz dos personagens, é um símbolo do amor eterno, representado nos folhetins. Esse beijo é uma marca para os personagens heterossexuais, mas é negado aos personagens gays - simbolicamente, eles seriam então privados desse final feliz definitivo.

Em carta endereçada à ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - e divulgada à imprensa, em fevereiro deste ano, o diretor da Central Globo de Comunicação, Luís Erlanger, explicou o porquê do veto ao beijo gay na TV. Segundo a carta, a Globo já exibiu beijo gay em duas ocasiões: em "Mulheres Apaixonadas" (ver Galeria a seguir) e na minissérie "Queridos Amigos".

Mas essas duas cenas em questão não são válidas, já que, na primeira, o beijo ocorreu durante a representação do espetáculo "Romeu e Julieta". Rafaela (Paula Picarelli) estava vestida de homem, interpretando Romeu. Clara ( Alinne Moraes ) fazia Julieta. O beijo das duas era encenado dentro da peça, e acabava reproduzindo o beijo entre um homem e uma mulher. No segundo exemplo, Beni (Guilherme Weber) roubava um selinho de um amigo heterossexual, que rejeitava o beijo. Ou seja, nenhuma das duas ocasiões mostrou o beijo clássico, genuíno, entre dois personagens gays, no contexto de "final feliz" que é oferecido aos personagens heterossexuais.

TV Globo / Gianne Carvalho
Rafaela (Paula Picarelli) e Clara (Alinne Moraes) em "Mulheres Apaixonadas": beijo disfarçado no final


Na carta, a Globo afirma: "a teledramaturgia – diferentemente das questões éticas e sociais – não é o ambiente adequado para levantar bandeiras de comportamento moral no campo da sexualidade, baseada na individualidade. Televisão é o espaço do coletivo. Sabemos o importante papel que a transgressão e o 'politicamente incorreto' podem muitas vezes exercer com relação ao desenvolvimento humano e a evolução da sociedade. Obras clássicas da literatura, do cinema, do teatro e tantas outras manifestações artísticas já demonstraram isto. Porém, a (livre) sensibilidade artística é a única medida possível para 'dosar' ou delinear a ousadia criativa, o que vale para toda e qualquer situação ou tema. Esse desafio torna-se ainda mais difícil quando se trata de respeitar uma audiência não-segmentada, múltipla em suas expectativas e preferências".

João Miguel Júnior/Divulgação Globo
Rodrigo (Carlos Casagrande) e Tiago (Sérgio Abreu) em "Paraíso Tropical"
Em outro momento, a carta diz: "No nosso entendimento, a causa é a diversidade e o respeito às diferenças, e não propriamente a homossexualidade ou a heterossexualidade, ou quaisquer outras formas de orientação individual. Estas, não cabe promover. Cabe, sim, combater a intolerância, o preconceito e a discriminação contra elas, o que temos estimulado cotidianamente inclusive por meio de campanhas".

Com esse texto, a emissora demonstra sua preocupação em não "chocar" ou "comprar briga" com uma parcela do público de novelas, que, conservadora, rejeitaria o beijo gay. Mas será que essa rejeição realmente seria uma reação da maioria?

Enquanto fica a dúvida, o fato é que "Ti-ti-ti" terminou sem beijo gay, e a expectativa agora cai sobre "Insensato Coração", no ar às 21h. A novela traz seis personagens gays, sendo um deles, uma provável lésbica (interpretada por Cristiana Oliveira). Os outros são: Roni (Leonardo Miggiorin), Eduardo (Rodrigo Andrade), Nelson (Edson Fieschi), Hugo (Marcos Damigo) e Xicão (Wendel Bendelack). Com tantos representantes da classe, a possibilidade de um beijo no final aumenta.

Confira a seguir uma retrospectiva dos personagens gays na TV e seus não-beijos.


 

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