Solteiro há apenas três semanas, ator também admite ao iG erros na vida pessoal, mas diz que está evoluindo como ser humano

Marcelo Serrado vai deixar a Record depois de 6 anos. O ator decidiu não renovar seu contrato com a emissora e ainda não confirma, mas sua volta para a TV Globo é dada como certa. Serrado, inclusive, já estaria reservado para a próxima novela das 21h, “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, em papel de grande destaque. “A tendência é fazer um trabalho bem legal aí pela frente”, desconversa com um enorme sorriso no rosto.

E as mudanças não param por aí como ele mesmo conta em entrevista especial que concedeu ao iG no dia do seu aniversário. Solteiro há três semanas, Marcelo conta que desacelerou, diminuiu a voltagem da própria vida e, com o auxílio da terapia, passou a admitir seus erros. Diz que descobriu a pólvora da vida: “O outro não é o seu cerne. É seu complemento”.

Nos cinemas com o recém-lançado longa-metragem “Malu de Bicicleta”, pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Ator do Festival de Paulínia 2010, Marcelo quer ver muita gente no cinema: “É um filme que fala de amor, dor, separação e, principalmente, da alegria que é encontrar alguém especial na sua vida”.

Marcelo Serrado posa com a Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo
Léo Ramos
Marcelo Serrado posa com a Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo

iG: Seu contrato com a Record termina agora no mês de abril. Você vai mesmo para a Globo?
Marcelo Serrado: Ainda não sei se vou para a Globo. A questão é: não fico mais na Record. Não vou renovar meu contrato com eles.

iG: Há boatos de que você estaria reservado para a próxima novela das 21h, “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva. O que você tem a dizer sobre isso?
Marcelo Serrado: Eu vou falar quando tiver uma coisa concreta. Mas o caminho, a tendência é fazer um trabalho bem legal daqui pra frente.

iG: Você foi um dos primeiros atores a ser contratado pela Record. Que tipo de regalias você teve com isso?
Marcelo Serrado: Regalias eu tive poucas, mas a Record foi muito importante para mim. Só tenho a falar bem deles. Me deram personagens incríveis, de grande sucesso. Tive sorte de pegar novelas que batiam todos os recordes. É uma emissora que veio para ficar e, de uma certa maneira, contribuí para isso.

iG: Você foi feliz na Record?
Marcelo Serrado: Saio com a alma lavada. Me sinto pleno. Tenho um carinho enorme por eles. As portas estão abertas. Comparo com uma relação homem/mulher. Se é uma coisa saudável, é bom para os dois. Foi uma troca. Eu fui bom para a Record e eles foram bons pra mim.

iG: Você pode dizer que foi infeliz na Globo?
Marcelo Serrado: Eu não diria infeliz. A Globo tem muitos atores no casting. Às vezes, certos profissionais de grande talento não têm a oportunidade de fazer bons trabalhos. E essa situação não é uma questão pessoal. É da vida, do acaso.

iG: Em que posição como ator você está agora ?
Marcelo Serrado: Acho que estou num patamar muito tranquilo onde posso escolher e seguir meu caminho.

Serrado comemora as boas críticas de
Leo Ramos
Serrado comemora as boas críticas de "Malu de Bicicleta"

iG: E a vida pessoal? Você terminou um relacionamento de dois anos com a atriz Ana Ferraz e sofreu bastante com isso.
Marcelo Serrado: Acho que na vida o mais importante é eu me dar bem com a Rafaela (Mandelli), mãe da minha filha. O relacionamento com a Ana foi conturbado, difícil, duro. Eu sofri. Ela sofreu. O mais importante depois disso, no entanto, foi evoluir. Fui fazer análise, me tratar porque eu não queria repetir erros. Mas estou evoluindo como ser humano. Isso é o que importa.

iG: Foi a primeira vez que você fez análise?
Marcelo Serrado: Já fazia antes, mas a análise passou a ser mais contundente na minha vida para poder me entender melhor.

iG: O que você quer dizer com se entender melhor?
Marcelo Serrado: Ajudou a me conhecer melhor para poder ter uma relação estável com alguém.

iG: Seus relacionamentos nunca foram estáveis?
Marcelo Serrado: O que um ser humano busca no outro é um equilíbrio. Eu também preciso e, quando estamos fora dele, não conseguimos nem nos ver direito, quanto mais ter um relacionamento estável.

iG: Você está solteiro?
Marcelo Serrado: Estou. Namorei por quatro meses com a Roberta Fernandes, que é pedagoga, mas terminamos há três semanas. Ela é muito engraçada. É uma pessoa solar. Foi muito bom viver uma história com ela.

iG: Como era o relacionamento dela com a Catarina, sua filha?
Marcelo Serrado: Ela gosta muito de crianças e elas se deram muito bem. Nos divertimos muito. A Catarina sente saudades dela até hoje.

iG: O que ficou de aprendizado dessa relação?
Marcelo Serrado: Quando nós terminamos, passei a enxergar melhor certos erros que cometi no passado e com ela também. E, na verdade, estou usando isso como aprendizado.

iG: Que tipo de erros?
Marcelo Serrado: Erros que todo ser humano comete.

iG: Você assume seus erros?
Marcelo Serrado: Hoje em dia, sim. Mas não assumia não. (risos)

iG: Voltando ao aprendizado...
Marcelo Serrado: Eu tirei essa lição para minha evolução interior: agora estou pronto para encontrar alguém que eu possa proporcionar calma, estabilidade e equilíbrio e que faça o mesmo por mim. Comecei a ver que nas minhas relações estava criando um próprio boicote a minha felicidade. Descobri com a análise a pólvora da vida: o outro não é seu cerne. É seu complemento.

iG: Então agora você está procurando alguém com essas características?
Marcelo Serrado: Estou na minha, mas senti que, depois desse rompimento, cresci como pessoa. Posso dizer assim: o Marcelo está pronto para encontrar uma pessoa bacana. Eu não vou procurar. Ela vai aparecer.

iG: E na sua carreira? O que você acha que ainda falta?
Marcelo Serrado: Quero fazer mais cinema, mais personagens cômicos. Descobri que tenho uma veia cômica muito interessante. Estou muito focado nisso agora.

iG: Feliz com as boas críticas que “Malu de Bicicleta” vem recebendo?
Marcelo Serrado: Realmente a gente só tem tido críticas boas mesmo. É um filme pequeno, de baixo orçamento. Foi um trabalho que eu gostei muito de fazer. O personagem, um mulherengo, é engraçado e tem uma grande identificação com o público.

iG: Você recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Paulínia de 2010 por “Malu de Bicicleta”. Você escolhe seus projetos profissionais pensando também nos prêmios que eles podem te render?
Marcelo Serrado: Prêmio é uma consequência. Nunca é o foco. O importante é o personagem. E eu sempre vou atrás de bons personagens, bons trabalhos.

iG: Essa não foi a primeira vez que você trabalhou um texto do Marcelo Rubens Paiva. Em 2007, você encenou outro texto de Paiva, “No Retrovisor”, com o Otávio Müller.
Marcelo Serrado: Foi um sucesso retumbante. Ficamos quatro anos em cartaz. Levamos o espetáculo pelo Brasil, para Paris, Portugal. Fizemos uma carreira linda com esse texto no teatro.

iG: Você já tem outros planos para cinema?
Marcelo Serrado: Junto com a Casé Filmes vamos levar para o cinema o “No Retrovisor”. Seremos eu, o Otávio e a Alessandra Negrini. Mas esse é um projeto para o final desse ano.

iG: E no teatro?
Marcelo Serrado: Acabei em janeiro a temporada de “Não existe mulher difícil”, um sucesso. Foi um espetáculo bem engraçado. E tinha muita coisa minha no palco. Escrevi trechos, sempre brincando com a realidade, como os autores de comédia fazem. Estou escrevendo junto com meu amigo Eduardo Borges um novo texto que é muito nessa onda. É uma peça chamada “Dizem que sou louco por amar assim”, baseada na música “Balada do Louco”, dos Mutantes.

iG: E sobre o que é essa peça?
Marcelo Serrado: Conta a história de um cara que conhece uma mulher e vive com ela por um ano numa quitinete em Copacabana. Esse cara passa um mês conversando com um rato, que é o psicanalista dele, e uma barata, que é uma poetisa (risos).

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