Entre algumas declarações sobre a presidenta do Brasil, Carlos Araújo diz que após a prisão, Dilma “não ficou com sequelas"

Antes mesmo de “Amor e Revolução” estrear no SBT, a produção já cotava o nome de Dilma Rousseff para dar seu depoimento sobre o que viveu na época da ditadura. Por enquanto, a novela não conquistou o sim da presidenta do país, mas acaba de gravar um vídeo especial com o ex-marido de Dilma.

Ao lado de Reynaldo Boury , diretor da trama, Carlos Araújo falou sobre sua tentativa de suicídio após ter sido torturado violentamente no Dops, contou sobre os diversos roubos a banco que participou enquanto era integrante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), negou a participação de Dilma nas ações da organização e falou sobre a amizade que persiste com a ex-mulher até hoje. “Eu tenho muito orgulho de ser companheiro da Dilma. Sempre nos identificamos. O nosso bom companheirismo persiste até hoje”, afirma Carlos.

Confira o que vai acontecer nos próximos capítulos de "Amor e Revolução"

Carlos Araújo com Reynaldo Boury, diretor de
Divulação
Carlos Araújo com Reynaldo Boury, diretor de "Amor e Revolução"

A produção da novela decidiu dividir o depoimento de Araújo em cinco capítulos, que vão ao ar entre os dias 04 e 08 de julho ao final da novela.Confira algumas declarações de Carlos Araújo que vão ao ar na próxima semana em “Amor e Revolução”.

Segunda-feira (04)

Carlos fala sobre sua relação de companheirismo com Dilma até hoje – “Eu tenho muito orgulho de ser companheiro da Dilma. Sempre nos identificamos. O nosso bom companheirismo persiste até hoje. Eu sempre fui advogado de gente pobre. Sempre fui uma pessoa de esquerda. Com a ditadura não vi outra saída a não ser partir para a luta armada. Formamos uma organização chamada Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), e praticávamos ações de desapropriação de bancos. Buscávamos dinheiro no banco para comprar armas. Também fizemos algumas ações em quartéis para pegar armas. Praticamos ações sociais também: pegávamos caminhões de carne na baixada fluminense e distribuíamos em favelas.”

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Dilma Rousseff
Divulgação
Dilma Rousseff
Terça-feira (05)

Ele conta como foi a prisão de Dilma Rousseff, que assim como ela, fazia parte do VAR-Palmares – “A Dilma foi presa em frente ao Jornal O Estado de S. Paulo. Como todos os demais, foi torturada na Oban (Operação Bandeirante). Ela foi condenada por 3 anos e cumpriu toda a pena... A Dilma sente muito orgulho do que fez! Ela não ficou com sequelas. Felizmente. Ela entrou na cadeia nova e saiu nova... Não deixa de ser uma ironia... Eu moro aqui nessa casa na beira do rio em frente à Ilha do Presídio (Porto Alegre), onde fiquei preso por quase um ano.”

Quarta-feira (06)

Araújo fala sobre o roubo do cofre de Adhemar de Barros – “Conforme aumentava o número de clandestinos, de pessoas procuradas, tínhamos que planejar ações em bancos e pegar dinheiro para sustentar o pessoal. O Adhemar de Barros tinha o monopólio do jogo do bicho no Rio de Janeiro; não era só São Paulo. Tínhamos a informação de que o dinheiro do jogo do bicho era recolhido mensalmente e levado para a casa de Dona Ana Capriglione, no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e depois mandado para o exterior. Soubemos disso, fomos lá e pegamos o cofre. Naquela época tinha aproximadamente US$ 2 milhões. O mais interessante é que Dona Ana nunca pôde denunciar nenhum companheiro. Ela sempre negava o roubo. Então, ninguém foi denunciado processualmente por essa ação. É como se não tivesse existido. Dona Ana não podia denunciar... Como ela justificaria o dinheiro?”

Quinta-feira, 07 de julho

Carlos revela que tentou suicídio após um período de longas torturas – “Fui pego em São Paulo e me levaram para o Dops. Fui torturado violentamente! Durante o processo de tortura tomei uma decisão: a de me matar. Durante um depoimento eu menti, e disse que tinha um encontro marcado com o Lamarca no dia seguinte pela manhã. Escolhi um lugar que era fácil para me matar: uma avenida da Lapa (Bairro de São Paulo) que passava carros em altíssima velocidade. Eu havia decidido me jogar. E foi o que aconteceu comigo: eu me atirei embaixo de uma Kombi e fiquei bastante ferido. Fiquei no hospital, mas depois de um tempo voltei para a tortura na Operação Bandeirante (Oban).”

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Sexta-feira (08)

Ele defende Dilma e explica que a ex-mulher nunca participou de ações armadas – “A Dilma não participou de ação nenhuma. Não existe nenhum processo. Ela não participou de nenhuma ação armada porque não era o setor dela. Ela atuava em outros setores. Nos orgulhamos do que fizemos, mas isso não quer dizer que somos desprovidos de uma visão crítica. Tínhamos uma visão idealista que entrava em choque com a realidade. Mas não renunciamos nada; temos orgulho do que fizemos. Mesmo agindo incorretamente, às vezes.”

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