"Nem no meu melhor sonho eu poderia imaginar que tudo isso aconteceria na minha vida", diz apresentador

Ele tem doze novelas no currículo, dois discos gravados, integrou o grupo “Dominó”, fez minisséries, seriados, comerciais e (haja fôlego!!!) muitos outros trabalhos na televisão brasileira. Já passou pela Globo, pelo SBT e, desde 2008, integra o quadro de estrelas da Record. Ator, músico e dançarino, Rodrigo Faro sempre teve como foco o cargo de apresentador. E foi neste posto que se consagrou.

Rodrigo Faro:
Luciano Trevisan/ Fotomidia
Rodrigo Faro: "Esse é o meu melhor momento profissional"

No comando dos programas “Ídolos” e “O Melhor do Brasil” -- que assumiu com a saída de Márcio Garcia --, Rodrigo conquistou não só os telespectadores, como os colegas de emissora. Prova disso é seu contrato com o canal, válido até 2018.

Um dos momentos de maior destaque do apresentador no palco é durante o quadro “Vai Dar Namoro”, no programa das tardes de sábado. Nele, Rodrigo ajuda garotos e garotas a formarem casais e, quando pinta “beijão” entre eles, se transforma em alguma personalidade. Sidney Magal , Latino , Lady Gaga , Beyoncé e Michael Jackson já fazem parte do vasto currículo de transformações. “Em meu blog, recebo mais de meio milhão de pedidos de dancinhas. Agora eles estão pedindo muito Justin Bieber , e eu vou fazer. Com franjinha e tudo. O pessoal pedia muito a Xuxa também, e farei no próximo sábado (17)”.

Não são apenas os telespectadores que se divertem a cada vez que Faro coloca peruca, salto alto e trajes que o ajudam a compor cada personagem. No estúdio localizado na Barra Funda, em São Paulo, Rodrigo encanta cada uma das 250 pessoas que acompanham semanalmente as gravações da atração. Homens e mulheres aplaudem, se divertem e gritam “dança, gatinho, dança” a cada beijo entre os participantes, já que este é o sinal para que o apresentador troque de roupa e, literalmente, dance.

A mudança de trajes acontece durante as filmagens. Apesar de o programa ser gravado, acontece tudo como se fosse ao vivo. Ele entra no palco às 14h e só sai de lá cerca de oito horas depois. Suando e realizado. “Sempre quis ser um comunicador. Era o que eu queria pra minha vida. Mesmo com a carreira já sólida na Globo, eu sempre tentei ir lá, mostrar pra eles que eu queria apresentar. Até cheguei a gravar o piloto do “Fama”. Mas na Globo eles sempre me quiseram apenas como ator. E a Record deu a grande oportunidade profissional da minha vida”.

Com a agenda corrida, Rodrigo reservou um espaço entre as gravações do “Ídolos” e do “O Melhor do Brasil” para um bate-papo com o iG em seu camarim, onde faz questão de colocar fotos das duas filhas, Clara e Maria , e da mulher, Vera Viel . As paredes também têm espaço para a carreira. Além de um quadro com uma imagem feita durante as audições do “Ídolos”, em Belo Horizonte, a produção já prepara um enorme painel com 60 fotos das dancinhas já feitas no “O Melhor do Brasil”.

Rodrigo Faro:
Luciano Trevisan/ Fotomidia
Rodrigo Faro: "Márcio Garcia tem que ter seu espaço, porque ele é muito bom"

iG/Gente: Você considera esse seu melhor momento?
Rodrigo Faro: Melhor momento profissional com certeza, disparado na minha vida. E o que eu quero para o resto da minha vida. Hoje meu foco e o que eu quero daqui pra frente é crescer como comunicador, aumentar meu público, fazer com que as pessoas liguem a televisão para me assistir. Isso é muito legal, não tem preço. E o mais legal é receber o carinho das pessoas nas ruas. Das crianças, dos idosos. Com essa história da dança acabou virando um momento que todo mundo se reúne mesmo em frente à TV para ter algumas horas de entretenimento e diversão. Isso é muito bom.

iG/Gente: Sua meta é continuar como apresentador. Mas você planeja algum outro programa, ou de repente, pular para a grade de domingo e disputar com Silvio Santos e Faustão?
Rodrigo Faro: Ah, não sei. Pra competir com eles eu ainda tenho muito músculo para ganhar, muito público para ganhar, muita hora de voo. E acho que também não seria o momento de deixar as pessoas que gostam do programa órfãs no sábado e de repente ir para o domingo concorrer com esses grandes apresentadores. Todos esses boatos de que vou para o domingo, vou voltar pra Globo, que o SBT me quer, isso é tudo especulação. Continuo firme e forte aqui, tranquilo no sábado. Quem sabe no futuro venham outros programas. Sei que a Record tem projetos legais para mim, e eu também tenho o projeto de continuar na Record por muito tempo.

iG/Gente: A que você atribui o sucesso do programa?
Rodrigo Faro: Primeiro ao trabalho da minha produção, que é muito boa. Faço festas para eles de três em três meses pra comemorar os resultados porque eles são muito bons. E é uma produção que eu tenho certeza que gosta de mim. E isso é legal. A gente se diverte, vai para o Karaokê, dá risada, bate papo, troca ideias e experiências. Também tem a minha diretora, que não me poda, deixa eu fazer tudo o que eu quero, me deixa solto no palco. Se tiver um negócio de pole dance e eu quiser fazer, se eu não enfiar a cabeça no chão, ela vai deixar. Porque ela sabe que eu faço essas loucuras. Acho que também conta o trabalho mesmo, a ralação, a dedicação. Tudo isso conta. E o fato também de a pessoa que assiste ao programa ver o Rodrigo exatamente como ele é. Eu sou eu. Eu com o microfone na mão, aqui no camarim ou com a minha família, sou exatamente a mesma pessoa. Acho que isso aproxima, cria uma identificação com o público. Eu sou um ser humano normal no palco, que passa vergonha, que não se importa em pagar mico, que ri, que chora. O segredo é a humildade, a simplicidade, é ser um cara normal no palco.

iG/Gente: Fora do palco, também já pagou micos?
Rodrigo Faro: Ah, vários. Já troquei nome de gente, já cheguei pra uma mulher gorda e perguntei pra quando era o bebê, já chamei um cara que se chamava Valter Franco de Valter Frango. No dia-a-dia eu sou o rei de pagar mico. Tenho que me segurar. Eu sou o simpaticão, que quer falar, e sempre acabo soltando um absurdo.

Em celebração ao primeiro ano das dancinhas, Rodrigo Faro homenageia Michael Jackson
Edu Moraes / Record
Em celebração ao primeiro ano das dancinhas, Rodrigo Faro homenageia Michael Jackson

iG/Gente: A dancinha vai mesmo acabar para não vincular sua imagem a esse quadro?
Rodrigo Faro: Não, boato total isso. A dancinha vai durar enquanto o pessoal quiser. A gente não sabe nem de onde surgiu essa história. Saiu uma nota dizendo que eu não ia dançar porque eu estava aparecendo mais que o programa. Poxa, mas quanto mais o apresentador aparecer, é melhor para o programa. Então, nunca teve isso. Até seria uma loucura. Como alguém ia chegar num quadro que dá 18, 20 pontos e falar “vamos cancelar”. Isso foi boatão, boatão, boatão mesmo.

iG/Gente: Quem são os artistas que você ainda gostaria de se transformar no quadro?
Rodrigo Faro: Madonna, fazer “Vogue”, “Like a Virgin”. Porque na dancinha, nós abrimos um leque que pode tudo. Mistura humor, a superprodução, a sensualidade, a brincadeira, o mico. Não fica restrito só à dança. Tem a imitação, a homenagem, uma série de coisas.

iG/Gente: E quando você aprendeu a andar no salto para fazer essa série de danças?
Rodrigo Faro: Nossa, eu apanhei. Eu aprendi na marra, né? A primeira vez que coloquei salto eu caía, tropeçava. Inclusive têm tropeções meus homéricos, que foram para o ar, porque a gente não edita nada. Mas foi terrível. Aprendi a andar na marra. Hoje ando melhor que minha mulher (risos). Porque eu ainda danço em cima do salto. Mas eu prefiro jogar cinco horas de futebol com a chuteira no barro do que ficar 20 minutos com o sapato salto 12.

iG/Gente: Qual dança gostou mais de fazer?
Rodrigo Faro: ichael Jackson. Foi a mais legal. Porque foram três coreografias e foi para comemorar um ano, foi o recorde de audiência do programa. Picos de 22 pontos. A gente fez igual ao clipe. Deu um trabalho. Foram mais de 12 horas de ensaio.

iG/Gente: Você assistia ao programa com a apresentação do Márcio Garcia?
Rodrigo Faro: Assistia, claro. Era um formato completamente diferente. Hoje se você for ver o “Vai dar Namoro” daquela época e o de hoje, só ficaram as mulheres sentadas e os caras entrando. Porque de resto é completamente diferente. A gente foi adaptando coisas e a minha maneira de apresentar. Mas eu assistia ao Márcio. Ele apresentava muito bem. É um grande apresentador. E acho que ele vai ter o espaço dele logo, logo. Ele tem que ter seu espaço porque é muito bom. E além de um grande apresentador, é bom caráter. Porque para um cara ir à estreia de quem vai ficar no lugar dele e dizer para o Brasil “não há ninguém melhor para me substituir do que esse cara que está aqui”, só sendo uma pessoa com um caráter maravilhoso para fazer isso. A partir disso, eu fiquei tranquilo para começar a escrever minha história no “O Melhor do Brasil”.

iG/Gente: Já que você considera o Márcio um bom apresentador, você chegou a copiá-lo em algum ponto na sua apresentação, seguir a mesma linha no palco?
Rodrigo Faro: Eu nunca pensei o que era bom ou o que era ruim, eu sempre pensei em ser diferente, em trazer a minha maneira de apresentar, o meu jeito. E qual era? Ser como eu sou na minha vida. Se eu tentasse copiar o Márcio, a comparação seria inevitável.

iG/Gente: E o “Ídolos”, o que representa para sua carreira?
Rodrigo Faro: É uma grife na minha carreira. É um programa maravilhoso. Você dizer que nos EUA é o Ryan Seacrest que apresenta e no Brasil é o Rodrigo Faro é sensacional. E a gente vê o resultado da audiência que o “Ídolos” está conquistando. Porque não estamos na primeira temporada. Estamos na terceira e ainda conseguimos ficar em primeiro lugar, passar a Globo e ficar quantro pontos na frente, com interesse, mobilizando as pessoas, aumentando o número de participantes. A grande verdade é que nem no meu melhor sonho eu poderia imaginar que tudo isso ia acontecer na minha vida. Principalmente pela rapidez que aconteceu. Vejo isso como incentivo. Cheguei onde queria, mas agora tenho que continuar. Então o trabalho é muito maior. É superlegal você dar um pico de 22 pontos, mas tem que continuar. Isso exige mais trabalho e a gente vai se renovando a cada dia. A dancinha ninguém tinha feito. Nunca nenhum apresentador de televisão colocou um colant, salto alto e dançou. E deu audiência (risos). As pessoas poderiam olhar e pensar que eu era maluco. E sou mesmo.

iG/Gente: Como um artista multifacetado, o que considera essencial para os candidatos se tornarem ídolos?
Rodrigo Faro: Trabalho, garra. Porque se você só tem talento, nem sempre você vence. Agora se você tem garra e, às vezes, nem tem muito talento, a probabilidade de você vencer é maior do que aquele cara que só tem talento e fica esperando a oportunidade chegar. A garra te leva a lugares que, às vezes, só o talento não leva. Se você tiver garra e talento, o sucesso é algo que vem com o tempo.

Rodrigo Faro vestido de Elba Ramalho. Galã?
Antonio Chahestian/Record
Rodrigo Faro vestido de Elba Ramalho. Galã?
iG/Gente: Com o “dança, gatinho, dança”, você virou o novo galã da Record?
Rodrigo Faro: Galã da Record? Não! Imagina. O cara que coloca a roupa que eu coloquei para fazer a Lady Gaga não pode ser chamado de galã (risos). Não dá, não tem como. Imagine os caras falarem: “Vejam o novo galã da Record”, e mostrarem minha foto vestido de Elba Ramalho, parecendo um poddle. Não tem como (risos).

iG/Gente: Mas como apresentador do "Ídolos" dá, não dá?
Rodrigo Faro: Ah, sim, por tudo o que está acontecendo é legal você ter essa coisa de ser um destaque dentro da emissora, isso é muito bom. Eu não posso ser hipócrita de dizer que isso não me deixa feliz. Claro que me deixa muito feliz e me deixa muito realizado também, porque era um sonho. Era algo que eu projetei lá atrás e que eu trabalhei muito para conquistar.


Matéria publicada em 15/07/2010

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