Tiago Santiago quer presidenta contando sua história de militante na época da ditadura

A novela “Amor e Revolução” estreia só em março no SBT, mas o elenco já está reunido nos estúdios da emissora, em São Paulo. Nestas segunda (03) e terça-feira (04), atores e produtores participaram de um workshop especial, onde assistiram a palestras de dez pessoas que viveram a década de 1960, em especial os terrores da ditadura.

No local, produtores arrumaram móveis antigos para retratar a época, manequins com referências de figurino e transformaram fotos em quadros com imagens que marcaram o momento. Passeatas, comícios e até partidas de futebol faziam parte da cenografia do workshop.

Lá, Tiago Santiago , autor da trama, contou que ao final de cada capítulo terá o depoimento de pessoas marcadas pelo regime militar e que quer a presidenta Dilma Rousseff falando sobre seu tempo de militante. Tiago já enviou um convite para Dilma, mas ainda não recebeu a resposta. Se ela topar, vai depender da época de gravação para decidir em que data vai inseri-lo na trama: ou no primeiro ou no último capítulo.

Protagonistas

Como grande parte do elenco, os protagonistas Graziela Schmitt e Claudio Lins participaram do workshop. Graziela vai interpretar uma jovem militante de 18 anos chamada Maria. Apesar da pouca idade, a personagem será uma menina antenada, idealista e revolucionária. Questionada sobre a relação com a presidenta Dilma Rousseff, Graziela foi direta: “Existem muitas semelhanças. A única diferença é que ela não se apaixonou por um militar e isso acontece com minha personagem”.

Além do workshop, que Graziela considera fundamental para a construção de sua personagem, a atriz tem se preparado fisicamente. “Descobri há três semanas que a Maria vai lutar karatê desde pequena. Desde que soube, comecei a praticar”, comentou ela, que fará par romântico com Claudio Lins. O personagem dele, um militar que não concorda com o golpe, será apaixonado por Maria. Mas o amor dos dois será muito criticado. “A história deles é parecida com a de Romeu e Julieta, já que a família não aceitará o relacionamento”, afirmou o ator.

Claudio contou ainda que a história da trama se confunde com a de sua família, já que o avô era militar. “Ele apoiou o golpe, mas logo depois deixou de concordar com as ideias. Depois, meu pai (o cantor Ivan Lins ) também foi de colégio militar, mas em 1964 já estava na faculdade. As músicas dele eram políticas, mas não contestadoras, por isso ele não teve problemas”.

Para Claudio, o núcleo de teledramaturgia do SBT está se consolidando e a nova trama do canal será mais um degrau para isso. O ator e músico comentou também que o workshop foi fundamental para a formação de cada personagem. “Estar com essas pessoas que viveram aquele período faz com que as informações venham com a sensação da época”, comentou Claudio em um dia em que palestrantes, elenco e produção se emocionaram com as histórias contadas e relembradas no palco.

Também participaram do evento do SBT os atores Lúcia Veríssimo , Marcos Breda , Thais Pacholek , Luciana Vendramini , Cacá Rosset , Fábio Villa Verde , Patrícia de Sabrit , entre outros.


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