Juliano Cazarré, o Ismael de “Insensato Coração”, comemora sucesso na novela e diz que seu personagem também mexe com o imaginário masculino

George Magaraia
"O Ismael mexe não só com as mulheres, mas com alguns homens também", diz Juliano Cazarré
No ar em " Insensato Coração ”, vivendo Ismael, Juliano Cazarré tem chamado a atenção dos telespectadores pelas cenas quentes protagonizadas ao lado de Eunice, personagem de Deborah Evelyn . Fora da tela, a ator de 31 anos continua despertando a curiosidade do público. Recentemente foram divulgadas na internet fotos onde ele aparece com o órgão genital à mostra . Em uma delas, um guarda-chuva e um regador compõem a foto.

A abordagem dada às fotos, que foram parar em sites pornôs, parece incomodar Juliano. Em entrevista ao iG , no Bosque da Barra, zona oeste do Rio, a pergunta sobre as imagens foi a única que gerou desconforto ao ator. "Foi um trabalho inspirado em artistas plásticos estrangeiros”, disse, levemente irritado.

O sucesso com o grande público adquirido com o personagem Ismael ainda o surpreende. No início do folhetim de Gilberto Braga e Ricardo Linhares , ele vivia o ex-motorista da empresária Vitória ( Nathalia Timberg ), contratado por Teodoro ( Tarcísio Meira ).

Após praticar um golpe, Ismael foi preso e o ator saiu de cena. Com “Insensato Coração” na metade, Juliano Cazarré foi novamente convocado e voltou à trama com a função de ser o capanga de Norma ( Glória Pires ), a vilã com ares de protagonista. Cabe a ele ser o algoz de Leo ( Gabriel Braga Nunes ).

Já a repercussão das cenas com Eunice, nas quais aparece sem camisa, tende a aumentar ainda mais. Nos próximos capítulos, Ismael vai se envolver sexualmente com Wanda ( Natália do Vale ), desafeta da personagem de Deborah Evelyn.

“O Ismael mexe não só com as mulheres, mas com alguns homens também. Meu twitter agora só tem sacanagem. É impróprio para menores de 18 anos. Mas isso tudo é divertido”, contou.

Atualmente, Juliano também pode ser visto no filme "Assalto ao Banco Central", em cartaz nos cinemas. No ano que vem, ele vai estar em "360", nova produção de Fernando Meirelles , diretor de “ Cidade de Deus ”. No longa, ele contracena com Maria Flor e a atriz inglesa  Rachel Weisz , vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por “ O Jardineiro Fiel ”.

Leia a entrevista a seguir:

Para o Ismael, não tem certo ou errado. Se aparece uma oportunidade para se dar bem, ele embarca
George Magaraia
Para o Ismael, não tem certo ou errado. Se aparece uma oportunidade para se dar bem, ele embarca
iG: Por que você fez fotos com o órgão genital à mostra e aceitou que elas fossem disponibilizadas em um blog?
Juliano Cazarré: Um fotógrafo amigo de infância, o Diego Bresani , me chamou e eu fiz. Confio nele e no trabalho dele. Foi um ensaio inspirado em artistas plásticos estrangeiros. Sugiro que pergunte ao fotógrafo. O trabalho é dele e eu só fui o modelo.

iG: Em “Insensato Coração”, seu personagem de vez em quando aparece com pouca roupa. E em “360” você gravou algumas cenas de sexo. Como lida com a nudez em cena?
Juliano Cazarré: Nunca é tranquilo. É uma dificuldade, mas lido bem com ela. Aprendi desde a época de teatro a contorná-la. Mas eu prefiro atuar de roupa (risos).

iG: Começar logo em uma novela do horário nobre, assinada pelo Gilberto Braga, é uma responsabilidade maior?
Juliano Cazarré: Talvez eu tenha sentido um pouco dessa responsabilidade no começo. Revejo as cenas que fiz no início da novela com os personagens do Tarcísio Meira e da Nathalia Timberg e percebo que estava um pouco duro. Minhas participações eram menores. Você fica no meio de uma cena maior esperando para dar sua fala e quer colocar tudo em uma frase. Acaba saindo quadrado. Agora, com o personagem tendo mais espaço, consigo me soltar mais.

iG: E como tem sido a repercussão nas ruas?
Juliano Cazarré: Essa é a primeira vez na minha carreira que saio nas ruas e as pessoas me reconhecem, pedem para tirar foto. O personagem tinha saído da novela no início e voltou no núcleo mais movimentado, o da vingança da Norma. Como sacaneia o Leo (Gabriel Braga Nunes), o público tem carinho e simpatia pelo Ismael. É um vilão que se vinga de alguém pior que ele.

George Magaraia
"A molecada pede para eu dar um soco no Leo", conta Juliano
iG: As cenas com a Eunice, personagem da Deborah Evelyn, têm gerado um assédio maior das mulheres nas ruas? O Ismael mexe com o imaginário delas?
Juliano Cazarré: Não só delas, como de alguns homens também! Meu twitter agora só tem sacanagem. É impróprio para menores de 18 anos. Nem consigo ler mais (risos). Mas isso tudo é divertido. Fui lançar o filme “ Assalto ao Banco Central ” no Complexo do Alemão e, nesse dia, escutei algumas gracinhas, me chamaram de “gostoso” , ficaram me analisando. Outra coisa que chama a atenção é o carinho da criançada. A molecada vem e fala para eu dar um soco no Leo.

iG: Como você avalia o Ismael? É um vilão ou apenas um cara inconsequente?
Juliano Cazarré: O Ismael está atrás do pior cara da novela, mas é um vilão, um cara amoral. Para ele, não tem certo ou errado. Se aparece uma oportunidade para se dar bem, o Ismael embarca. Nesse sentido, eu o acho muito brasileiro. Agora, se eu for avaliá-lo a partir do ponto de vista do Juliano, ele é um bandido, já matou. Não é um exemplo.

iG: Em quem você se inspirou para fazer o Ismael?
Juliano Cazarré: Não quis forçar no sotaque porque já tinha feito um carioca no seriado “ Força-Tarefa ”. Mas ele tem um jeito largado, faz piadas, tem a ver com alguns amigos de Brasília. Eles são assim, vivem se sacaneando.

iG: O Ismael tem mesmo esse lado engraçado. A comédia é um gênero que você tem vontade de atuar mais?
Juliano Cazarré: Muito. O Ismael tem algo que adoro, que é colocar comédia em algo sério. O filme “Assalto ao Banco Central”, apesar de falar sobre um crime, tem graça. Bandido não passa o tempo inteiro tendo conversa de bandido. Um sacaneia o outro, fala de futebol, que o outro pegou mulher feia. A comédia é onde podemos ser mais críticos socialmente.

George Magaraia
"Bandido não passa o tempo inteiro tendo conversa de bandido", avalia o ator
iG: Na novela, a Norma já cometeu assassinatos, mas, mesmo assim, tem a simpatia do público. Em “VIPs”, filme que você participou, algumas pessoas torciam para o personagem do Wagner Moura. O mesmo sentimento foi relatado por quem que já assistiu ao “Assalto ao Banco Central”. Você acha que há uma inversão de valores na sociedade atual, fazendo com que a população fique na torcida pelos bandidos?
Juliano Cazarré: A Norma faz coisas erradas, mas para se vingar de algo que foi muito ruim para ela. Em “ VIPs ”, o Wagner tentou se afastar do personagem real para viver um cara que não prejudicava tanto as pessoas. Ele não mata e, quando tem que traficar arma, reclama. No “Assalto ao Banco Central”, até certo ponto, eles roubam sem dar um tiro e matar alguém. Dessa maneira, eles são bandidos que angariam a simpatia do público. Não sei se isso está acontecendo mais agora ou se aconteceria em qualquer época. Talvez esse tipo de personagem seja um fenômeno da nossa época.

iG: Você está no elenco de “360”, próximo filme do Fernando Meirelles, gravado no exterior. Como surgiu o convite?
Juliano Cazarré: Já tinha feito “ Som e Fúria ”, com direção dele, e também o “VIPs”, da produtora do Meirelles. Neste último, vi que ele botou fé na forma que fiz o traficante paraguaio. Aí aproveitei e disse que, se um dia precisasse de um brasileiro que falasse bem inglês, eu estava à disposição. Ele confiou em mim e me chamou para fazer o “ 360 ”.

iG: Você contracena no filme com a Rachel Weisz , uma atriz premiada, que possui um Oscar. Como foi gravar com ela?
Juliano Cazarré: Ela é famosa e reconhecida, mas não pude me intimidar. Tive que agir naturalmente. O meu trabalho tinha que ficar bom porque era uma chance única de fazer um filme lá fora. Não podia chegar tímido, com complexo de vira-lata. Tinha que chegar com atitude: fui escolhido, mereço estar aqui e vamos trabalhar juntos.

George Magaraia
"Lido bem com a nudez, mas prefiro atuar de roupa", afirma Juliano Cazarré

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