Griselda de "Fina Estampa" é mais uma mulher batalhadora da ficção; relembre outras

Griselda (Lília Cabral) em
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Griselda (Lília Cabral) em "Fina Estampa"


A protagonista de "Fina Estampa" , a nova novela global das 21h, é Griselda ( Lília Cabral ), uma mulher batalhadora. Para sustentar a família, ela trabalha como "marido de aluguel", fazendo serviços tipicamente masculinos: consertos, atividades mecânicas, encanamentos, e por aí vai - tudo sob a alcunha de "Pereirão".

Confira quem é quem em "Fina Estampa"

Mas nem todo mundo apoia a atividade de Griselda. Ela sofre o preconceito do próprio filho, José Antenor ( Caio Castro ), que tem vergonha da mãe simplória. O embate entre mãe e filho foi uma das bases do primeiro capítulo da novela.

Lutadoras rejeitadas pelos filhos

E essa não é a primeira vez em que o mundo das novelas retrata tal situação. Outras mulheres simples e lutadoras tiveram de enfrentar, além das dificuldades financeiras, a rejeição dos filhos.

Raquel (Regina Duarte) sofria o desprezo da filha Fátima (Glória Pires) em
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Raquel (Regina Duarte) sofria o desprezo da filha Fátima (Glória Pires) em "Vale Tudo"

A mais famosa é Raquel ( Regina Duarte ), de "Vale Tudo" (1988), que acaba de encerrar reprise no Canal Viva. Para sobreviver no Rio de Janeiro, ela vende sanduíches na praia, para desgosto da filha, a inescrupulosa Maria de Fátima ( Glória Pires ), que finge não conhecer a própria mãe.

Anteriormente, a novela "Dona Xepa" (1977) trazia a protagonista, Xepa ( Yara Côrtes ), uma feirante simpática, mas que sofria com o desprezo da filha ambiciosa, Rosália ( Nívea Maria ).

Yara Côrtes no sofrido papel título de
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Yara Côrtes no sofrido papel título de "Dona Xepa"

No remake desta novela, "Lua Cheia de Amor" (1990), Xepa virou Dona Genu ( Marília Pêra ), que trabalhava como camelô, sofrendo para sustentar os filhos arrogantes: Mercedes ( Isabela Garcia ) e Rodrigo ( Roberto Bataglin ).

E a atual Dulce ( Cássia Kiss ) de "Morde & Assopra" , no ar às 19h na Globo, é mais um exemplo. Ela trabalha como faxineira e recebe o desprezo do filho ingrato Guilherme ( Klebber Toledo ).

Dulce (Cássia Kiss), a simples faxineira de
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Dulce (Cássia Kiss), a simples faxineira de "Morde & Assopra"

Profissões masculinas

Além do problema familiar, Griselda também é vista com preconceito pela sociedade, por exercer atividades geralmente associadas ao mundo masculino. O mesmo acontecia com Ana Machadão ( Débora Bloch ), a mecânica de "Cambalacho" (1986). Seu apelido vinha justamente de seu trabalho em uma oficina. Ironicamente, ela se apaixona por Thiago ( Edson Celulari ), um bailarino que sofria o mesmo preconceito.

Ana Machadão (Débora Bloch), a mecânica de
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Ana Machadão (Débora Bloch), a mecânica de "Cambalacho"

Mulheres conduzindo táxis também surgiram na TV. A atual Lili ( Alinne Moraes ) de "O Astro" , no ar às 23h na Globo, é uma delas. A Lili original - Elizabeth Savalla na versão de 1978 da novela - também dirigiu táxis, além de trabalhar em um salão de beleza masculino - cortando o cabelo e fazendo a barba dos homens.

Lili (Alinne Moraes), a taxista de
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Lili (Alinne Moraes), a taxista de "O Astro"

O mundo do crime também costuma receber mulheres ocasionais. As séries policiais "A Justiceira" (1997) e "Na Forma da Lei" (2010) mostravam mulheres que não tinham pudor de combater criminosos, de arma em punho.

Malu Mader como
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Malu Mader como "A Justiceira"

Na primeira, Diana ( Malu Mader ) se envolve com uma organização secreta, para tentar localizar seu filho desaparecido. Na segunda, a promotora Ana Beatriz ( Ana Paula Arósio ) e a delegada Gabriela ( Luana Piovani ) perseguem bandidos.

Mas a mais insólita invasão feminina no mundo dos homens ocorreu em "Memorial de Maria Moura" (1994). A personagem título vira uma espécie de cangaceira, liderando um imenso bando de jagunços. Glória Pires encarnou a bandoleira, que cultivava até um visual masculino, prendendo os cabelos com um turbante.

Glória Pires: líder de jagunços em
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Glória Pires: líder de jagunços em "Memorial de Maria Moura"

Batalhando sem perder a feminilidade

Para terminar, chegam as mulheres que batalham, vão à luta e sofrem com os obstáculos financeiros e sociais - mas tudo isso, sem perder o charme e a feminilidade. E não abrem mão da vaidade.

Assim era Alzira ( Flávia Alessandra ) em "Duas Caras" (2007). Para sustentar o marido complicado, ela se dividia entre o trabalho como enfermeira, e de noite virava dançarina de pole dance, exibindo o corpo escultural.

Alzira (Flávia Alessandra), a dançarina de
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Alzira (Flávia Alessandra), a dançarina de "Duas Caras"

Nessa categoria também poderiam entrar as donas de boates e prostíbulos. Apesar de classificadas como "mulheres de vida fácil", as histórias dessas guerreiras nas novelas sempre foram repletas de dificuldades.

Matilde ( Yoná Magalhães ) de "Roque Santeiro" (1985, no ar em reprise no Viva ), proprietária da boate Sexus e da Pousada do Sossego, Zenilda ( Renata Sorrah ), dona de um bordel em "A Indomada" (1997), e Zarolha ( Dina Sfat ), do cabaré Bataclan de "Gabriela" (1975) enfrentavam a discriminação, mas continuavam na ativa. E belíssimas - como ficará Griselda em "Fina Estampa", a partir da fase em que vai ganhar um prêmio da loteria e se transformar em uma milionária.

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